terça-feira, 30 de junho de 2015

Em comissão que discute Estatuto da Família, pastor diz que ativistas LGBT querem mudar a Constituição na "canetada"

Em debate realizado na comissão especial que discute o projeto que institui o chamado Estatuto da Família, o pastor Malafaia defendeu a tese de que ter opinião não significa ser homofóbico. 


Marcel Frota/iG Brasília
Silas Malafaia a Toni Reis: "Avisa tua turma que opinião não é homofobia"


O debate também conta com a presença do ativista Toni Reis, que fez exposição em defesa de uma definição mais ampla do conceito de família. O público que acompanha a audiência é predominantemente evangélico e o tempo todo recheou as falas do pastor com aplausos.

O Estatuto da Família é de autoria do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que é evangélico. “Tem gente que fala tanto em democracia, mas só quer na caneta”, afirma Malafaia. Uma parte dos presentes à sessão vaiou o pastor em alguns momentos. Dirigindo-se ao ativista Toni Reis, que também falou na audiência pública, Malafaia provocou. "Avisa tua turma que opinião não é homofobia."

Assista um momento de Malafaia:


150 confecções fecharam as portas em São Paulo neste ano

Ronald Masijah (na foto), dono da Darling, fundada há 66 anos, diz que se economia continuar como está, o setor não dura mais de oito anos

Ele chegou a fabricar 500 mil peças de lingerie por mês, entre 2008 e 2010, com um time de 400 costureiras. Hoje, produz 250 mil peças mensais e emprega 200 costureiras.

“Estou apavorado. O setor de confecção não dura mais do que oito anos no Brasil”, desabafa Ronald Masijah, sócio-diretor da Darling, uma das mais tradicionais marcas de lingerie do país.

Fundada pelo pai, Iso Masijah, e pelo tio, Moises Castro Nahum, em 1949, a Darling, segundo afirma, nunca havia passado nem perto de um período de retração semelhante ao atual.

“É algo absurdo o que estamos vivendo. Acabamos de passar pelo Dia dos Namorados e o ritmo de vendas se manteve como se o evento não tivesse existido”, afirma. Nos meses de maio e junho, religiosamente, as vendas de lingerie costumavam aumentar 20%.

Fundada por Izidoro Knobloch, a Nutrisport, fundada há 64 anos para produzir casacos de pele, é outra empresa que está bem longe de fornecer, como no passado, 250 mil peças para cada estação do ano.

“A produção atual é 60 mil peças, 20% inferior à do ano passado e, ainda assim, não está fácil vender”, afirma Sidney Knobloch, sócio-diretor da confecção, que comercializa as marcas Nutria e Lilla Ka.

Para Knobloch, as confecções brasileiras não suportam mais dois a três anos. Os preços dos tecidos são dolarizados, uma vez que boa parte deles é importada, considerando que a indústria têxtil nacional também sucumbiu. “Fora isso, os custos dispararam”.

De janeiro a abril passado, a alta mensal do dólar acumulou 16,1%, o preço da energia elétrica subiu 38,2%; o dos combustíveis, 8,4% e o da água tratada, 2,3%, segundo cálculo da GO Associados.

Os juros também estão mais elevados. A taxa básica de juros da economia que, em janeiro, era de 12,25% ao ano, hoje é de 13,25% ao ano. E todos esses aumentos acontecem em um ambiente em que o consumidor está mais endividado e sem confiança na economia e no emprego.

“A situação vai piorar, nem começou a recessão. O governo vai cortar investimentos, os impostos vão subir e a desoneração sobre a folha de pagamento, que havia até agora, está sendo revista”, afirma.

Muitas confecções já entregaram literalmente os pontos. Levantamento do Sindivestuário, sindicato que reúne os fabricantes de roupas femininas, masculinas e infanto-juvenis, revela que, nos quatro primeiros meses deste ano, 500 confecções fecharam as portas no país, das quais 150 no Estado de São Paulo.

INTERIOR

Metade das confecções paulistas que fecharam está concentrada na cidade de São Paulo. A outra metade está instalada, principalmente, na região do ABC, Campinas, Nova Odessa, Sumaré e Americana. Muitas famílias dessas regiões, segundo o Sindivestuário, estão sofrendo o impacto do desemprego.

O sindicato também colheu depoimentos de donos de confecções que enfrentam dificuldades para manter as portas abertas.

Veja o desabafo de um empresário de médio porte do interior de São Paulo, que prefere o anonimato:

“Nunca vi uma situação como essa. Tinha 200 funcionários e dispensei cerca de 50 pessoas, nos últimos três anos. Neste ano, já demiti mais 50 pessoas. Agora tenho 98 empregados, mas está praticamente impossível mantê-los”.

O depoimento de um dono de confecção de pequeno porte na capital, que também não quer ser identificado, chamou a atenção da diretoria do Sindivestuário.

“Até o final do ano, vou passar o ponto e virar importador. Vou vender diretamente para os clientes do Bom Retiro. Vou ganhar mais, não terei mais custos com funcionários e vou pagar menos impostos.”

CONFECÇÕES EM SÃO PAULO MOVIMENTAM R$ 14 BILHÕES POR ANO

Operam no país cerca de 30 mil confecções, das quais 35% no Estado de São Paulo que movimentam R$ 14 bilhões anuais empregam cerca de 250 mil pessoas.

O Brasil, segundo o Sindivestuário, já chegou a ter 35 mil confecções há dez anos e a empregar um milhão de pessoas. O setor é formado, principalmente, por micro e pequenas empresas, com 10 a 15 funcionários, em média. Uma parte menor é formada por médias empresas, como a Darling e a Nutrisport.

Para aproveitar do regime do Simples, que possibilita uma incidência menor de impostos, as confecções não crescem muito. Para não ultrapassar o faturamento de R$ 3,6 milhões por ano, eles acabam criando outras empresas, com outros CNPJs.

“Um setor de mão-de-obra intensiva, que dá emprego a milhares de famílias, está desaparecendo porque o governo pouco se importa com ele. Os empresários estão descapitalizados”, afirma Ronald Misajah, presidente do Sindivestuário.

A Nutrisport, por exemplo, já teve de recorrer as bancos para obter capital de giro. “Sabemos que isso é suicídio para uma empresa no Brasil, mas não teve jeito”, diz Knobloch.

As taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras, no caso da Nutrisport, diz Knobloch, estão ao redor de 2% ao mês. “E isso, quando as instituições decidem emprestar. O crédito está bem restrito”, afirma.

Ele diz que ainda não pensou em fechar a empresa. “Mas se continuar como está, até pode ser.” A Nutrisport trabalha no atacado e no varejo, com lojas em shoppings, na Alameda Lorena e na Rua José Paulino. Mesmo nas regiões de maior poder aquisitivo, diz ele, o consumo despencou.

http://www.dcomercio.com.br/categoria/negocios/150_confeccoes_fecharam_as_portas_em_sao_paulo_neste_ano

Pátria deseducadora

Por Percival Puggina 

"Ao bradarmos "BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA" estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento republicano". (Presidente Dilma, discurso de posse, 01/01/2015)Como é inconsistente e distante da realidade o compromisso do governo de Sua Excelência com a ética! E vale o mesmo para o "sentimento republicano" e para a tal "prática cidadã", seja lá isso o que for.

Treze anos de governo petista só serviram para desnortear moralmente a sociedade e semear descrédito nas instituições mediante exemplos, palavras e atos. O governo mente, faz o que não deve, não faz o que deve, cerca-se de péssimas companhias, ele mesmo é muito má companhia, corrompe, se deixa corromper e acusa os demais daquilo que faz. Na inepta frase presidencial, contudo, há outro aspecto e é nele que quero me deter.

A presidente disse que a educação será a prioridade das prioridades e que para essa tarefa convergirão as ações do governo. Aparentemente, ninguém a advertiu para o fato de que a sociedade não pediu ao Estado para ser por ele "educada". O que a sociedade espera do sistema público de ensino é que cumpra, dentro das salas de aula, nas escolas, o papel de transmitir à juventude brasileira ensinamentos úteis à vida na sociedade contemporânea e à realização das potencialidades de cada indivíduo. Para variar, é tudo ao contrário do que a presidente e seu partido fazem. Por isso seguimos dilapidando preciosos recursos humanos e perdendo tempo na imprópria tarefa de "construir sujeitos" e de preparar "agentes de transformação social"! Chega de construtivismo, de Paulo Freire e de Emilia Ferreiro (até os argentinos já perceberam o estrago que o método da conterrânea causou à alfabetização no seu país). "Chega de Piaget e de Vygotski!", me assopra num antigo texto o sociólogo e jornalista José Maria e Silva.

Eu sei que o parágrafo acima escandalizará setores do meio acadêmico brasileiro, especialmente nos cursos voltados à formação de professores. Eu sei. Ali, multidão de mestres e doutores ensina os futuros professores dos nossos jovens que a transmissão de conhecimentos, de conteúdos, será apenas parte, e parte pouco relevante, de seus quefazeres profissionais. Por isso, em nosso país, não se ensina História, mas leituras ideologicamente convenientes de fatos históricos. Não se ensina geografia, mas geografia política em conformidade com a sociologia e com a política que convém ao uso revolucionário da rede escolar. Pouco e mal se ensina língua portuguesa porque o uso correto do idioma é instrumento de dominação e desrespeito à cultura do "sujeito educando". E não se ensina matemática, talvez por ser conteúdo exigente, que dispersa energias revolucionárias.

Aferir resultados é uma imposição da razão a toda atividade humana. Não haveria de ser diferente no sistema de ensino. E o que esse sistema proporciona ao Brasil é tão ruim que chega ao absurdo de repelir o mérito e de manter um compromisso com a mediocridade, da base ao topo do sistema. Enquanto na minha infância, no piso da pirâmide, as crianças eram alfabetizadas em poucos meses, passadas seis décadas, esse objetivo não é alcançado por muitos sequer em três anos. Pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa revelou, em 2012, que 38% dos estudantes universitários não dominavam "habilidades básicas de leitura e escrita", qualificando-se como analfabetos funcionais. No topo da pirâmide, na produção acadêmica, o Brasil responde por apenas 1% da obra científica mundial de maior qualidade, segundo a revista Nature. O Chile, com 8% da população brasileira, produz mais artigos científicos do que o Brasil. No entanto, enquanto nós gastamos nisso US$ 30 bi, o Chile gastou US$ 2 bi. A ineficiência no uso dos recursos, entre 53 países analisados, nos coloca em 50º lugar.

Não vejo como se possa mudar essa realidade quando ela decorre do projeto político, ideológico e pedagógico há muito em curso no Brasil. Esse projeto, anterior ao PT, levou-o ao poder. E a presidente sabe disso tão bem quanto eu e você. * Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.

Dilma diz que não respeita delator. Lula dedurava todo mundo aos militares, segundo Tuma Júnior

Ah é Dilma? 
Não respeita delator?
"A presidente Dilma Rousseff negou nesta segunda-feira qualquer irregularidade em sua campanha eleitoral e disse não respeitar delatores, depois que a imprensa divulgou que o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, teria afirmado em sua delação premiada, no âmbito da operação Lava Jato, que deu dinheiro à campanha da petista". (Reuters)
E que me diz do maior dedo duro do regime militar?
Entre as várias declarações bombásticas de Romeu Tuma Júnior, Ex-secretário Nacional de Justiça do Governo Lula e advogado, está a que ele diz que Lula era 'acaguete dos militares', que inclusive ele era muito chegado 'dos homens'.  (FCS Brasil)

Advogada ameaça denunciar Moro e Procuradores declaram apoio total ao Juiz da Lava Jato

Os procuradores da República que atuam na força-tarefa Lava Jato saíram em defesa aberta do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da operação sobre desvios, corrupção e cartel das maiores empreiteiras do País na Petrobras.

Em ‘nota à imprensa’, os procuradores manifestaram ‘total apoio’ a Moro, titular da 13.ª Vara Federal de Curitiba (PR), diante de entrevista da criminalista Dora Cavalcanti, publicada dia 27 de junho no jornal O Globo (“Advogada da Odebrecht estuda denunciar juiz da Lava-Jato por ‘violação aos direitos humanos”).
“A entrevistada parece desconhecer que o sistema judicial brasileiro prevê vários recursos e diversas instâncias recursais, tendo os investigados inúmeras possibilidades de obter a revisão das decisões tomadas pelo Juízo Federal, não sendo razoável, muito menos respeitoso ao sistema republicano, que sejam lançadas, por meio de notas ou entrevistas como aquelas recentes, acusações vagas, desrespeitosas e infundadas à atuação do juiz federal Sérgio Moro”, argumentam os procuradores.
Segundo a força-tarefa “a afirmativa (de Dora) de que pretende recorrer a uma Corte Internacional para a garantia do direito de seus clientes sugere, fortemente, que os dez delegados, os nove procuradores, o juiz federal, a Corte de primeira instância, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região e os ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal estão mancomunados para violar direitos humanos dos seus clientes, o que é de uma total irresponsabilidade, senão desespero”.
“Essa abordagem conspiratória, já refletida em entrevista anterior, negligencia a independência, maturidade e imparcialidade de nossas Cortes, refletindo estratégia que procura reverter, no campo midiático, as inegáveis evidências em desfavor da cúpula da empresa”, prossegue o texto divulgado pelo Ministério Público Federal.
“Em uma República, não se deve pretender que a justiça seja cega para os crimes praticados por ricos e poderosos, mas sim cega na diferenciação entre ricos e pobres, pessoas com ou sem influência, fatores que em nada devem afetar o resultado dos processos”, assinalam os procuradores.
A força-tarefa atribui ‘abordagem superficial e interessada’ à entrevista da criminalista. Os procuradores observam, por exemplo, a existência de “farta prova material dos crimes praticados” pelos alvos da 14.ª fase da Lava Jato, a Operação Erga Omnes, entre eles o presidente da maior empreiteira do País, Marcelo Odebrecht.
“Foram, a título de exemplo, apreendidas planilhas com divisão das obras por empresa, nas quais constava a empresa Odebrecht como parte do “clube” de empreiteiras cartelizadas”, afirmam os procuradores. “Dezenas de milhões de dólares pagos por empresas no exterior aos funcionários da Petrobrás foram bloqueadas e devolvidas.
Tal é a robustez das provas que várias das empresas não colaboradoras já reconhecem boa parte dos crimes praticados. A insistência da Odebrecht, bem como de seus advogados, em negar a realidade, a ausência de apuração dos fatos na empresa e a falta da aplicação pela empresa de qualquer sanção àqueles que praticaram os crimes apenas confirma as demais evidências de que a corrupção era determinada e praticada na cúpula da empresa. Não se trata de prejulgar mérito ou investigados, mas de repetir juízo sobre as provas já feito, em caráter provisório, em processo público, em pedidos de medidas cautelares.”
Os procuradores abordam a delação premiada, mecanismo que tem sido usado em larga escala pela força-tarefa, mas duramente contestado por defensores dos empreiteiros. Eles se reportam, ainda, ao Caso Banestado, complexa investigação do Ministério Público Federal que desmontou esquema de evasão de divisas da ordem de US$ 30 bilhões. “Ao contrário do que sugere a advogada, os acordos de colaboração premiada são de responsabilidade do Ministério Público Federal, não do juiz.
O número de colaborações no presente caso decorre de vários fatores, sobretudo da robustez das provas em relação aos investigados, da experiência prévia dos procuradores com essa técnica de investigação e estratégia de defesa, desenvolvida no caso Banestado; mas principalmente do interesse público envolvido em seu emprego, dadas as peculiaridades do crime de corrupção e a sofisticação das técnicas de lavagem empregadas. O argumento de que prisões foram usadas para obter colaborações não tem qualquer base na realidade, pois mais de dois terços das colaborações foram feitas com réus soltos, fato que a advogada que atua no feito não deve desconhecer.”
A ‘nota à imprensa’ divulgada pela força-tarefa da Lava Jato finaliza. “Cabe às partes, seja no curso do processo penal ou da investigação criminal, quando insatisfeita com alguma decisão, valer-se dos meios processuais adequados e, no caso da defesa, dos inúmeros recursos previstos. Embora todos tenham o direito de expressar sua opinião sobre decisões, não cabe buscar, por meio de acusações absolutamente infundadas na imprensa, e afirmação irresponsável e desconectada da realidade sobre suposto sentimento do juiz, tolher a liberdade da Justiça, que tem o dever de fazer cumprir a lei e a Constituição, com pleno respeito aos direitos e às garantias do cidadão.”
A Odebrecht nega taxativamente envolvimento com o cartel das empreiteiras na Petrobrás e afirma que nunca pagou propinas. (Informações de AE via Diário do Poder)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Estaleiro Atlântico Sul demite 330 funcionários

Com esses novos desligamentos, número de desempregados chega a 2 mil este ano


Informações no setor dão conta que número de demissões deve aumentar
Bobby Fabisak/JC Imagem

Cerca de 330 funcionários foram demitidos do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) nos últimos dois dias, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Estado de Pernambuco, Henrique Gomes. Os trabalhadores desligados atuavam nos setores de apoio, como transportes, andaimes, logística e manutenção, entre outros. Instalado no complexo de Suape, o estaleiro vem sofrendo com as consequências da Operação Lava Jato, um esquema de propina milionário envolvendo os diretores da Petrobras, políticos e diretores de algumas das mais importantes empreiteiras brasileiras.

“De janeiro até agora, já foram cerca de duas mil demissões, o que nos preocupa muito”, afirma Henrique Gomes, acrescentando que essas empresas estão perdendo uma mão de obra qualificada.
Segundo ele, a preocupação maior ocorre porque está ocorrendo uma desaceleração dos investimentos realizados pelos estaleiros e há rumores de que mais funcionários serão demitidos esta semana. O sindicato está articulando um protesto na próxima sexta-feira, mas não está definido o horário e o local, de acordo com informações do sindicato.

As empresas do setor de petróleo e naval estão num período turbulento. Além da Operação Lava Jato, também ocorreu a queda no preço do barril do petróleo. Os dois fatores (a Lava Jato e a queda no preço do barril) provocaram uma redução dos investimentos já anunciados pela Petrobras, a principal compradora de embarcações e sondas para explorar petróleo no País.

Com a crise, o EAS está com menos recursos e tem atrasado o pagamento de alguns dos seus fornecedores, que também reduziram o quadro de pessoal. A assessoria de imprensa do EAS foi contatada, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Governo Socialista afunda a Grécia e população corre para tirar dinheiro dos bancos

Esse, é o resultado do socialismo no mundo: incompetentes, ditadores e corruptopatas no poder a ferrar o povo, que por um momento de ilusão, acredita na falácia vermelhopata e elege os piores politicopatas

Gregos correram para retirar seu dinheiro dos bancos desde sábado. População teme saída do país da zona do euro, calote e confisco de bens, sobretudo, da grana nas contas bancárias.
O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciou, no domingo (28), feriado bancário e controle de capitais na Grécia. A decisão, que passa a valer a partir desta segunda-feira, segundo a BBC, foi tomada depois que os gregos começaram a retirar seu dinheiro dos bancos neste fim de semana.

Tsipras não deu detalhes sobre o período em que os bancos permanecerão fechados ou como serão as restrições ao movimento de capitais, segundo a Reuters, mas assegurou que os depósitos dos cidadãos nos bancos gregos estão seguros, assim como os pagamentos de salários e pensões.

Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a recomendação do conselho de estabilidade financeira da Grécia foi que os bancos permanecessem fechados por seis dias úteis.

POVO DESESPERADO AOS BANCOS

A "corrida aos bancos", que deixou mais de um terço dos caixas desabastecidos neste sábado (27), foi uma reação ao anúncio de um referendo no dia 5 de julho para a população opinar se aceita ou não as propostas de austeridade exigidas pelos credores do país. A população teme que o país saia da zona do euro.

Neste domingo, Tsipras culpou os parceiros europeus e o Banco Central Europeu por forçar a Grécia a tomar essa atitude. Ele acrescentou que não vai voltar atrás em sua decisão de realizar o referendo no próximo domingo.

O país passa por um impasse diante de dificuldades de acordo entre o governo grego e os credores de sua dívida (União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu). No próximo dia 30, a Grécia deve pagar ao FMI 1,6 bilhão de euros - dinheiro que não tem em caixa.

Para fazer o pagamento, o país depende de ajuda financeira. Porém, 7,2 bilhões de euros em ajuda estão bloqueados, sob a condição de que a Grécia realize reformas econômicas. O governo, no entanto, não concorda com as reformas propostas. As medidas cobradas pela União Europeia e pelo FMI como reformas à economia grega incluem mudanças como aumento de impostos e reduções no sistema de aposentadoria.

Neste sábado, após o anúncio do referendo, os ministros da Economia da zona do euro rejeitaram estender o atual programa de resgate financeiro da Grécia, que expira na terça-feira (30) junto com o vencimento da dívida com o FMI. A extensão seria necessária porque o referendo sobre o tema só vai ocorrer em 5 de julho, dias depois do vencimeFrnto da dívida.

Neste domingo, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que deve manter os empréstimos de emergência acordados aos bancos gregos em seu nível atual. Apesar disso, a instituição não parece disposta a desviar-se de suas regras, ou seja, a financiar a economia grega além da expiração do plano de ajuda em curso na terça-feira. (Com informações de G1)

BRASIL INDIGNADO ! No Restaurante TRIO em SP, PETISTA Guido Mantega volta a ser hostilizado

O fato ocorreu neste domingo em um restaurante da Vila Olímpia, em São Paulo

Um vídeo que circula pela internet, mostra Brasileiros indignados, clientes do Restaurante Trio, na Vila Olímpia, em São Paulo, hostilizando o petista ex-ministro da Fazenda Guido Mantega neste domingo (28). Uma das pessoas diz: "Ladrão! Ladrão, sim, senhor ! Palhaço, sem-vergonha ! Vocês estão acabando com o país ! Acabaram com tudo!", uma mulher e um homem dizem: "A gente não vai mais ficar calado!". Logo depois, ouve-se o rapaz dizer: "Vergonha! Vergonhoso o que o senhor fez e o seu partido". Nas duas situações, Mantega levanta-se da cadeira e vai próximo aos agressores. No entanto, não é possível ouvir se o ex-ministro fala algo.

Essa é a terceira vez que Guido confrontado por Brasileiros indignados com a corrupção. A primeira vez foi na lanchonete do Hospital Albert Einstein e a segunda, na saída do Restaurante Aguzzo, em Pinheiros.

Veja o vídeo:

domingo, 28 de junho de 2015

Atentados em três países alertam sobre propagação de jihadistas

Foto: Tunisia Live

A comunidade internacional ficou alarmada com a ocorrência de atentados simultaneamente na França, Tunísia e Kwait, nesta sexta-feira, deixando dezenas de mortos nos três países. Apenas no Kwait o Estado Islâmico (ISIS) reivindicou a autoria do ataque. Mesmo assim, o fato reforça a preocupação quando à propagação de extremistas pelo mundo.

Na França, um carro irrompeu em uma usina de gás, próximo a Lyon, causando uma explosão. No local, foram encontradas uma cabeça decapitada e uma bandeira com inscrições em árabe. Duas pessoas ficaram feridas neste que, segundo o presidente francês, François Hollande, foi um ataque de “natureza terrorista”.

Três pessoas foram detidas, entra elas o principal suspeito de cometer o crime. Trata-se de Yassim Salhi, de 35 anos e original de Saint-Priest, na periferia de Lyon. O Ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, informou que o preso foi acompanhado pelas autoridades entre 2006 e 2008 por supostas atividades radicais. Nesse período, ele teve vínculo com movimentos salafistas. Depois de 2008, deixou de ser visto como ameaça.

O homem decapitado foi identificado como um empresário de Lyon e seria o empregador do suposto autor do atentado.

Após esse ataque, o ministro da Imigração israelense, Zeev Elkin, pediu que os judeus deixem a França e voltem para Israel. "Exorto os judeus da França - voltem para casa! O semitismo aumenta, o terrorismo está crescendo!", declarou.

Na Tunísia, dezenas de pessoas foram mortas por um atirador, no hotel Imperial Marhabaum, na cidade de Sousse. Entre as vítimas, a maioria é de turistas, entre eles cidadãos britânicos, belgas e alemães.

Segundo agências internacionais, o corpo do atirador, armado com um fuzil Kalashnikov, estava no local onde a polícia o matou.

A Tunísia vive em estado de alerta de segurança, desde março, quando militantes aliados ao Estado Islâmico atacaram o museu do Bardo, em Tunis, deixando 20 turistas mortos.

No Kwait, o atentado foi na mesquita xiita de Al Imam al Sadeq, durante o momento das orações de sexta-feira, que reúne muitos fiéis. Pelo menos 25 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas, de acordo com o Ministério do Interior.

O grupo ligado ao Estado Islâmico, conhecido como Najd Province, divulgou comunicado reivindicando o atentado. O grupo afirma que o ataque foi realizado por um suicida identificado como Abu Suleiman al Muwahhid, contra uma mesquita “que promovia o ensinamento xiita entre a população sunita”. 

Esse mesmo grupo assumiu ter atacado duas mesquitas xiitas na Arábia Saudita, em maio.

Apesar de não haver confirmação de que os ataques foram coordenados, os três aconteceram dias depois de o Estado Islâmico ter incentivado a realização de ações como essas durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã. Em mensagem de áudio, o porta-voz do grupo, Abu Mohamed al-Adnani, exorta a que, “em todos os lugares, se apressem para fazer do Ramadã um mês de desastres para os infiéis”.

O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, divulgou uma nota, na qual lamenta a ocorrência dos atentados e manifesta solidariedade aos familiares das vítimas e aos governos locais. No texto, diz deplorar “o incremento dos atentados terroristas que continuam a ceifar vidas inocentes em diferentes partes do mundo, e que hoje provocaram novas vítimas em Sousse, na Tunísia, no Kuwait e na cidade francesa de Saint-Quentin-Fallavier”.

Além disso, classificou os atos como “criminosos, perpetrados por extremistas em nome de ideias incompatíveis com as regras mais elementares de convívio e respeito aos direitos humanos”.

Segundo o comunicado do Itamaraty, “a intolerância religiosa e o recurso à violência indiscriminada, praticados sob qualquer pretexto, merecem o mais veemente repúdio da sociedade e do Governo brasileiro”.

EUA, Alemanha e Inglaterra se juntam ao 'cerco' da Rússia após Putin falar em 'usar armas nucleares'

Na última semana, o mundo tem visto a escalada da tensão entre EUA, Alemanha, Inglaterra e Rússia sobre o problemático Leste Europeu, sobretudo, a Ucrânia. Tudo isso, por causa das declarações desmedidas de Putin sobre eventual uso de armas nucleares e a movimentação do arsenal nuclerar russo próximo das fronteiras Ucranianas.
A Rússia está 'brincando com fogo' ao sugerir que se poderia usar armas nucleares em territórios em disputa, e a administração Obama acredita que essa postura é parte da campanha de intimidação russa contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), disse o número 2 do Pentágono, Robert Work, que é vice-secretário de Defesa.

Ele se mostrou preocupado com o que chama de provocação russa. "Qualquer um que pense que pode controlar a escalada das tensões por meio do uso de armas nucleares está literalmente brincando com fogo", afirmou. "Escalada é escalada, e o uso de armas nucleares poderia ser o último degrau", acrescentou.

Work não citou qualquer documento específico da Rússia, mas parecia se referir ao comentário do presidente do país, Vladimir Putin, feito em março, no qual ele afirmava estar pronto para assegurar que as forças nucleares russas estariam em alerta máximo durante as tensões em torno da anexação da Crimeia. Putin teria feito outros movimentos para enfatizar a prontidão e o poder do arsenal nuclear russo.

"Autoridades russas continuam fazendo comentários irresponsáveis sobre suas forças nucleares, e nós avaliamos que eles estão fazendo isso para nos intimidar e a nossos aliados também", afirmou Work. Fonte: Associated Press via Yahoo

VÍDEO DA EURONEWS SOBRE O CERCO QUE ESTÁ SENDO FEITO NA RÚSSIA, PELA ESTÔNIA, LETÔNIA, LITUÂNIA E POLÔNIA, COM EXERCÍCIOS MILITARES COM ARMAS PESADAS

 

Pimentel é apontado como ‘chefe da organização’ de lavagem de dinheiro, diz revista

Governador de Minas e sua esposa são suspeitos de ter praticado os crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, de acordo com reportagem. Eles negam envolvimento com irregularidades

Omar Freire/Gov. MGPF investiga repasses feitos a empresa da mulher de Pimentel quando ele era ministro 


O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), é suspeito de ser o “chefe da organização” de lavagem de dinheiro investigada pela Operação Acrônimo, da Polícia Federal. É o que informa reportagem da revista Época, segundo a qual o governador e a primeira-dama de Minas, Carolina Oliveira, podem ser enquadrados pelos crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. A operação apura esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio de contratos públicos e consultorias de fachada.

Relatório da Polícia Federal sustenta que Pimentel recebeu “vantagem financeira indevida” no valor de R$ 299.882,05 da Diálogo Ideias e Pepper Interativa quando era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. “Esta última pessoa jurídica que foi contratada e recebeu valores do BNDES, por meio de contratação simulada da empresa de titularidade da companheira de Fernando Pimentel”, aponta a PF. Os investigadores suspeitam que a mulher de Pimentel seja “sócia oculta” da Pepper, que recebeu R$ 500 mil do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social entre 2013 e 2014. No mesmo período, de acordo com os policiais, a empresa repassou R$ 236.882,05 a Carolina.

De acordo com as investigações, Carolina Oliveira mantinha uma empresa, a Oli Comunicação, com apenas um funcionário. Todos os seus clientes, no entanto, tinham negócios diretos ou indiretos com o BNDES, banco subordinado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que seu marido chefiava à época. Segundo a revista, a Oli também recebeu R$ 75 mil do consultor Mário Rosa para prestar serviços de assessoria de imprensa. O jornalista é sócio do empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené, amigo pessoal de Pimentel e um dos principais alvos da Operação Acrônimo. O empresário é suspeito de ser o intermediário do esquema de lavagem de dinheiro. Ele pagou despesas no valor de R$ 12 mil para Pimentel e a esposa em um resort na Bahia, em novembro de 2013.

A defesa do governador admite que ele não pagou a conta no resort, mas diz que o presente foi dado a Carolina pela namorada de Bené, de quem era amiga, como crédito que ela tinha no hotel. O empresário motivo as investigações da PF sobre a campanha do governador ao ser flagrado, em um avião particular, com R$ 113 mil em dinheiro durante a eleição. Pimentel e Carolina negam qualquer irregularidade nos pagamentos e dizem que jamais receberam vantagens indevidas.

Homossexuais Dolce e Gabbana reafirmam defesa da família natural e rechaçam boicote gay de Elton John

Stefano Gabbana e Domenico Dolce

Domenico Dolce e Stefano Gabbana, famosos estilistas homossexuais italianos, reiteraram sua defesa da família natural formada por pai e mãe, após o cantor gay Elton John lançar um boicote contra a grife; algo que mostra –indicaram- que há “alguns gays que são homófobos: aqueles que ofendem outros gays que expressam ideias diferentes”.

"Sou siciliano e cresci com um modelo de família tradicional, formado por uma mãe, um pai e um filho. Sei que existem outras realidades e é justo que existam, mas minha visão da vida é o que me transmitiram", explicou Dolce, em declaração à imprensa italiana nesta segunda-feira.

A resposta veio após a entrevista concedida na semana passada à revista italiana Panorama, na qual Gabbana afirmou que “a família não é uma moda passageira. Nela há um sentido de pertença sobrenatural”.

No mesmo dia, Domenico Dolce também se expressou a favor da família natural. “Nós não inventamos a família. Converteu-a em um ícone a Sagrada Família. E não é questão de religião ou estado social, não tem jeito: você nasce e tem um pai e uma mãe. Ou ao menos deveria ser assim”, indicou.

Do mesmo modo Dolce expressou sua oposição à fecundação in vitro. “Procriar deve ser um ato de amor. Hoje nem sequer os psiquiatras estão preparados para confrontar os efeitos destas experiências”, assinalou.

Estas declarações provocaram a ira do cantor homossexual Elton John, quem tem dois filhos por fecundação in vitro e que lançou um boicote contra a marca Dolce&Gabbana, ao qual se somaram outros gays como Ricky Martin.

Intolerante e autoritário

Diante da polêmica, Stefano Gabbana qualificou que o boicote contra sua marca só demonstra que há “intolerância às opiniões diferentes”. “Eu te condeno porque você não pensa como eu?? Loucura!!! É como se eu boicotasse ele (Elton John) porque teve dois filhos (com fecundação) in vitro!! Não sou um idiota!!! Tolerância”, escreveu Gabbana em sua conta oficial do Instagram.

Dolce, por sua parte, apoiou Steffano Gabbana e recordou que cresceu em uma família natural com pai e mãe: “minha visão da vida é o que me transmitiram”. "Eu cresci assim, isso não quer dizer que não aprove outras opções. Eu falei por mim, sem julgar as decisões de outros", adicionou.

Do mesmo modo, em declarações ao Corriere della Sera, Gabbana chamou de “fascista” o cantor Elton John por ver “de um modo autoritário as coisas”.

“Não esperava (esta reação) de uma pessoa a que considerava inteligente como Elton John. Mas, como pode? Prega-se compreensão, prega-se tolerância e depois nós agredimos?, Só porque outro pensa de forma diferente?”, questionou.

O estilista voltou a defender as opiniões de ambos em defesa da família natural. “Existe diferentes opções, diferentes vidas. Igual respeito. Mas vejo que há, especialmente na Internet, alguns gays homófobos: aqueles que ofendem outros gays que expressam ideias diferentes”, assinalou Gabbana, que brincou sobre o boicote ao dizer que “possivelmente” percam "algum fã do Elton John" mas "talvez" ganhem "alguma mãe".

‘Sérgio Moro tem traços de paranoia’, diz deputado do PT

Ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous afirma que a Operação Lava Jato deveria ser anulada pelo STF devido às “arbitrariedades” do juiz responsável pelas investigações, Sérgio Moro. “Ele usa a prisão para chantagear”, acusa. Para deputado, delação é “farsa”

Tânia Rego/ABr

Wadih Damous: “Não é a corrupção o grande mal do país. A corrupção é um mal que tem de ser combatido, mas com os instrumentos da democracia"No exercício de seu primeiro mandato político há pouco mais de um mês na Câmara, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro Wadih Damous (PT-RJ) já se destaca como uma das principais vozes do partido contra a operação policial que mergulhou o governo Dilma Rousseff em sua maior crise política. Para o deputado, a Lava Jato é conduzida de forma “abusiva” e “arbitrária”, desrespeita direitos e garantias fundamentais dos cidadãos e representa uma “ameaça” à democracia e à economia do país.

“O juiz que preside esse inquérito, o Dr. Sérgio Moro, tem traços de paranoia, porque ele coloca a hipótese acima do fato. Juiz não pode trabalhar com hipóteses. A polícia e talvez Ministério Público, sim. Mas o juiz não. O juiz trabalha com elementos objetivos”, dispara. Segundo ele, o magistrado usou de hipóteses para prender, por exemplo, executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez na semana passada. “Ele estabeleceu um padrão de prisão preventiva absolutamente inconstitucional e arbitrário. Usa a prisão para chantagear, para obter delações”, complementa.

Nesta entrevista, Wadih sugere que o Supremo Tribunal Federal (STF) invalide a operação que apontou a existência de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. Na avaliação dele, a Lava Jato está contaminada por arbitrariedades, como as prisões prolongadas para coagir, segundo ele, os acusados a aderirem à chamada delação premiada – instrumento que possibilita ao investigado a redução da pena mediante colaboração com a Justiça.

Para o deputado, a delação premiada consiste numa “farsa”. “O delator, para mim, chegou ao ponto mais baixo da espécie humana. Tenho ojeriza a delatores, a dedo-duro. Quem lutou contra a ditadura sabe o que é ser um dedo-duro, um delator. O juiz Sérgio Moro acha isso essencial, mostrando a impotência e a incapacidade de fazer uma investigação mais aprofundada. Quem está delatando provavelmente está mentindo, total ou parcialmente”, considera.

O ex-presidente da OAB-RJ admite que, devido à repercussão do caso, uma eventual anulação da Lava Jato criaria um desgaste maior para o Supremo em relação à derrubada de outras duas grandes operações, a Satiagraha e a Castelo de Areia, também invalidadas sob o argumento de que houve abusos e ilegalidades nas investigações. Ainda assim, avalia, os ministros precisam agir de acordo com a própria consciência.

Manifesto

“Espero que o STF, no momento adequado, não se curvando à pressão da grande imprensa e de uma pseudo-opinião pública, coloque um ponto-final nesse negócio, a Operação Lava Jato”, defende Wadih Damous. O deputado prepara o lançamento de um manifesto contra Sérgio Moro e a Lava Jato, com o apoio de outras figuras do meio jurídico. O objetivo, explica, é defender a democracia e mostrar que Moro não tem a “unanimidade” que se vê nos veículos de comunicação. “Vamos reunir juristas de todo o país para bradar contra as arbitrariedades da Lava Jato.”

A ofensiva do ex-presidente da OAB-RJ, no entanto, contraria a posição de entidades ligadas à magistratura e ao Ministério Público, que têm declarado total apoio a Sérgio Moro e aos demais investigadores da Lava Jato. “Isso não me comove. Não mostra que o juiz está com a razão, mas que a arbitrariedade ganhou espaço em amplos setores da magistratura. Se isso é verdade, é lamentável, porque as arbitrariedades cometidas pelo juiz são gritantes. Qualquer estudante de Direito minimamente preparado sabe disso”, critica o petista.

Corrupção

Para o deputado, os métodos utilizados na Lava Jato põem em dúvida até mesmo a existência do esquema de corrupção em torno da Petrobras. Balanço divulgado pela estatal estima em mais de R$ 6 bilhões as perdas com desvios de recursos na companhia. Na avaliação de Wadih, o combate à corrupção não pode ignorar princípios da democracia, como o da ampla liberdade de defesa.

“Não é a corrupção o grande mal do país. A corrupção é um mal que, como qualquer mal ou crime, tem de ser combatido, mas com os instrumentos da democracia. Tem gente que defende que para pegar essa turma tem de ser com arbitrariedade mesmo. Eu não concordo com isso. Estou fora disso”, afirma. “Toda vez que a lei e a Constituição forem desrespeitadas, vou reclamar. Não acho que a corrupção seja um bem maior que os outros, não é maior que a vida, que a educação, a saúde”, emenda.

Wadih afirma que o “padrão” da Lava Jato segue o modelo do julgamento do mensalão, no qual, segundo ele, o Supremo usou “coisas esdrúxulas e idiotas” para condenar petistas históricos, entre outros políticos, banqueiros e demais operadores do esquema. “Ficam esses juízes metidos a justiceiros, mandando e desmandando no país. E o pior: este juiz [Sérgio Moro] quer quebrar a economia brasileira? Ele e esses procuradores querem o quê? Desnacionalizar setores estratégicos da economia nacional? Colocar no olho da rua milhares de trabalhadores? É para isso que existe a Operação Lava Jato?”

Moro

Procurado pelo Congresso em Foco para comentar as declarações do deputado, Sérgio Moro evitou polêmica e referiu-se ao parlamentar apenas como advogado: “Não tenho a intenção de responder ao advogado”.

Nesta semana, Moro recebeu manifestação de “total apoio” por parte da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), da qual faz parte, em resposta às críticas dirigidas a ele pelos advogados dos executivos das empreiteiras presos. Ontem, o Conselho Federal da OAB pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que se manifeste sobre a inconstitucionalidade das prisões provisórias que tenham como objetivo obrigar os acusados a assinarem delações premiadas.

Presidente da OAB-RJ por dois mandatos, Wadih Damous se licenciou do Conselho Federal da Ordem para assumir o mandato na Câmara. A vaga foi aberta com a saída do titular, Fabiano Horta (PT-RJ), para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário do Rio. Advogado com 35 anos de carreira, Wadih foi escalado nos últimos dias para ocupar uma das cadeiras do PT na CPI da Petrobras. A ideia, defendida por petistas como o ex-presidente Lula, é que ele faça uma defesa veemente do partido e do governo na comissão.

A entrevista foi concedida pelo deputado fluminense na última terça-feira, antes, portanto, da divulgação da delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, que disse ter repassado dinheiro desviado da Petrobras para 18 políticos, inclusive a campanha da presidente Dilma, no ano passado.

A fome na Ucrânia, um dos maiores crimes do socialismo foi esquecido

A fome na Ucrânia, resultado das políticas soviéticas, é um dos maiores crimes do Estado socialista, mas foi esquecido (Imagem da internet)

Como ocorre em todos os regimes totalitários, a Rússia bolchevique temia toda e qualquer manifestação de sentimento nacionalista entre aqueles povos que eram reféns do regime. A propaganda bolchevique relativa aos direitos das várias nacionalidades dentro da esfera de influência da Rússia mascarava o temor do regime em relação ao poder do nacionalismo.

No início de 1918, o líder russo Vladimir Ilitch Lênin tentou impor um governo soviético sobre o povo da Ucrânia, o qual, apenas um mês antes, em janeiro, havia declarado sua independência. De início, o objetivo de Lênin havia sido aparentemente alcançado. Esse governo soviético imposto à Ucrânia tentou de imediato suprimir as instituições educacionais e sociais ucranianas; há até relatos sobre a Cheka, uma precursora da KGB, matando pessoas pelo crime de falar ucraniano nas ruas.

Embora o povo ucraniano tenha, ao final de 1918, conseguido restabelecer sua república, essa vitória foi efêmera. Lênin, sem dúvida, iria querer incorporar a Ucrânia ao sistema soviético de qualquer jeito, porém seu real desejo de assegurar o controle da Ucrânia era por causa de seus grandes recursos naturais. Em particular, a Ucrânia ostentava o solo mais fértil da Europa — daí o seu apelido de “o manancial da Europa”.

Já no início de 1919, um governo soviético havia novamente sido estabelecido na Ucrânia. Porém, esse novo governo soviético acabou se tornando mais um fracasso. Todos esses eventos estavam ocorrendo durante a Guerra Civil Russa, e a ajuda de facções rivais contribui para um segundo triunfo da independência ucraniana.

Com esses dois fracassos, o regime de Lênin aprendeu uma valiosa lição. De acordo com Robert Conquest, autor do livro The Harvest of Sorrow (A colheita do sofrimento): “Concluiu-se que a nacionalidade e a língua ucraniana eram de fato um elemento de grande peso, e que o regime que ignorasse isso de maneira ostentosa estaria fadado a ser considerado pela população como uma mera imposição usurpadora.”

Quando os soviéticos adquiriram o controle da Ucrânia pela terceira e última vez em 1920, eles constataram que iriam enfrentar uma contínua resistência e incessantes insurreições a menos que fizessem grandes concessões à autonomia cultural ucraniana. E assim, pela década seguinte, os ucranianos basicamente não foram incomodados em seu idioma e em sua cultura.

Porém, uma facção dos comunistas russos se mostrou incomodada com isso, e seguidamente alertava que o nacionalismo ucraniano era uma fonte de intolerável divisão dentro do quadro militar soviético, e que, mais cedo ou mais tarde, a situação teria de ser confrontada de alguma maneira.

Avancemos agora oito anos no tempo. Em 1928, com Josef Stalin firmemente no poder, a União Soviética decidiu implantar uma política de requisição compulsória de cereais — uma maneira polida de dizer que o governo iria tomar à força todo o cereal cultivado pelos camponeses, pagando em troca um preço fixado arbitrariamente pelo governo, muito abaixo dos custos de produção. A liderança soviética, em decorrência tanto de informações equivocadas quanto de sua típica ignorância dos princípios de mercado, havia se convencido de que o país estava no limiar de uma crise de escassez de cereais. A requisição compulsória funcionou, mas apenas no limitado sentido de que forneceu ao regime todo o volume de cereais que ele julgava ser necessário. Porém, tal política solapou fatalmente a confiança futura dos camponeses no sistema. Durante a Guerra Civil Russa, em 1919, para tentar combater a fome da população urbana, Lênin havia confiscado em escala maciça os cereais de vários camponeses, que foram chamados de especuladores e sabotadores. Agora em 1928, a possibilidade de novos confiscos, algo que os camponeses imaginavam ser apenas uma aberração bárbara da época da Guerra Civil, passaria a ser uma constante ameaça no horizonte.

Os camponeses, naturalmente, passaram a ter menos incentivos para produzir, pois sabiam perfeitamente bem que, dali em diante, os frutos de seu trabalho árduo poderiam ser facilmente confiscados por um regime sem lei — o mesmo regime que havia prometido aos camponeses, quando da promulgação da Nova Política Econômica (NEP) em 1921, que eles poderiam produzir e vender livremente.

Foi apenas uma questão de tempo para que o regime decidisse embarcar num amplo programa de coletivização forçada das propriedades agrícolas, uma vez que a abolição da propriedade privada da terra era um importante aspecto do programa marxista. Os camponeses despejados foram enviados bovinamente para enormes fazendas estatais. Essas fazendas iriam não apenas satisfazer as demandas da ideologia marxista, como também iriam resolver o grande problema prático do regime: garantir que uma quantidade adequada de cereais fosse ofertada às cidades, onde o proletariado soviético trabalhava duramente para expandir a indústria pesada. Fazendas coletivas estatais significavam cereais estatizados.

Alguns especialistas tentaram alertar Stalin de que seus objetivos, tanto industriais quanto agrícolas, eram excessivamente ambiciosos e estavam em total desacordo com a realidade. Mas Stalin não queria ouvir. Um de seus economistas, diga-se de passagem, chegou a afirmar: “Nossa tarefa não é estudar a ciência econômica, mas sim mudá-la. Não estamos restringidos por nenhuma lei. Não reconhecemos leis. Não há uma só fortaleza que os bolcheviques não possam atacar e destruir.”

Paralelamente à política de coletivização forçada implantada por Stalin, ocorreu também uma brutal campanha contra os grandes proprietários de terras, fazendeiros ricos conhecidos como “kulaks“, os quais o governo temia liderarem movimentos de resistência contra a coletivização. Mas era uma fantasia de Stalin imaginar que apenas os kulaks se opunham à coletivização; toda a zona rural estava unida contra o governo. (Até mesmo o jornal Pravda noticiou um incidente no qual uma mulher ucraniana tentou bloquear a passagem de tratores que estavam chegando para começar a trabalhar nas fazendas coletivizadas; ela gritara: “O governo soviético está recriando a escravidão!”)

Stalin falava abertamente de sua política de “liquidar toda a classe dos kulaks”; eles eram a classe inimiga na zona rural. Com o passar do tempo, como era de se esperar, a definição padrão do que constituía um kulak foi se tornando bastante ampla, até chegar ao ponto em que o termo — e as terríveis penalidades que eram aplicadas a todos os infelizes assim rotulados — fosse usado contra qualquer camponês.

Uma historiografia do Partido Comunista, autorizada pelo próprio, afirmava que “os camponeses caçaram impiedosamente os kulaks por toda a terra, tomaram os seus animais e maquinaria, e então pediam ao regime soviético para aprisionar e deportar os kulaks”. Como descrição do reino de terror imposto aos kulaks, esse relato não pode nem sequer ser classificado como uma piada sem graça. O regime, e não os camponeses, é que perseguiu os kulaks. Por fim, segundo testemunhas oculares, para que um homem fosse condenado a um destino cruel, bastava que “ele tivesse pagado algumas pessoas para trabalhar para ele como empregados ou que ele tivesse sido o proprietário de três vacas”.

As quase 20 milhões de propriedades agrícolas familiares que existiam na Rússia em 1929 estariam, cinco anos depois, concentradas em 240 mil fazendas coletivas. Em grande parte da história soviética, não era incomum algumas pessoas obterem permissão para serem donas de alguns poucos hectares de terra para uso privado. Quando Mikhail Gorbachev assumiu o poder em 1985, 2% da terra agrícola era de propriedade privada, mas produzia nada menos que 30% de todo o cereal do país — uma resposta humilhante a todos aqueles que ignorantemente afirmavam que a agricultura socializada seria mais eficiente que a agricultura capitalista, ou que poderiam alterar a natureza humana e reescrever as leis da economia.

Na mesma época em que Stalin começou a coletivização forçada; em 1929, ele também recriou a campanha contra a cultura nacional ucraniana, campanha essa que estava dormente desde o início da década de 1920. Foi na Ucrânia que a política de coletivização stalinista deparou-se com a mais ardorosa e violenta resistência — o que não impediu, entretanto, que o processo já estivesse praticamente completo por volta de 1932. Stalin ainda considerava a contínua e inabalável presença do sentimento nacionalista ucraniano uma permanente ameaça ao regime, e decidiu lidar de uma vez por todas com aquilo que ele via como o problema da ‘lealdade dividida’ na Ucrânia.

A primeira etapa de sua política foi direcionada aos intelectuais e personalidades culturais da Ucrânia, milhares dos quais foram presos e submetidos a julgamentos ridículos e escarnecedores. Após isso, tendo retirado de circulação aquelas pessoas que poderiam se transformar em líderes naturais de qualquer movimento de resistência, Stalin passou então a atacar o próprio campesinato, que era onde estava o real núcleo das tradições ucranianas.

Mesmo com o processo de coletivização já praticamente completo na Ucrânia, Stalin anunciou que a batalha contra os perversos kulaks ainda não estava ganha — os kulaks foram “derrotados, mas ainda não exterminados”. Stalin começaria agora uma guerra — supostamente contra os kulaks — direcionada aos poucos fazendeiros que ainda restavam e dentro das próprias fazendas coletivas. Dado que a essa altura qualquer pessoa podia ser classificada como um kulak já havia sido expulsa, morta ou enviada para campos de trabalho forçado, essa nova etapa da campanha soviética na Ucrânia teria o objetivo de aterrorizar os camponeses comuns. Estes deveriam ser física e espiritualmente quebrados, e sua identidade de seres humanos seria drenada deles à força.

Stalin começou estipulando metas de produção e entrega de cereais, as quais os ucranianos só conseguiriam cumprir caso parassem de se alimentar, o que os faria morrer de fome. O não cumprimento das exigências era considerado um ato de deliberada sabotagem. Após algum tempo, e com a produção e entrega inevitavelmente abaixo da meta, Stalin determinou que seus ativistas confiscassem dos camponeses todo o volume de cereais necessário para o governo satisfazer a meta estipulada. Como a produção era baixa, os camponeses frequentemente ficavam sem nada. O desespero se instalou. Um historiador conta que uma mulher, por simplesmente ter tentado reservar para si um pouco do próprio centeio, foi levada presa junto com um dos filhos. Após conseguir fugir da prisão, ela coletou, com a ajuda do filho, alguns poucos itens comestíveis e foram viver na floresta. Eles morreram um mês e meio depois. As pessoas eram sentenciadas a dez anos de prisão e a trabalhos forçados pelo simples fato de colherem batatas ou por colher espigas de milho nos pedaços de terra privada protegidos pelo Estado. Tudo tinha de ser do governo.

Os ativistas comunistas afirmavam que os sabotadores estavam por todos os lados, sistematicamente retendo e escondendo comida, impedindo o abastecimento das cidades, e desafiando as ordens de Stalin. Esses ativistas invadiam de surpresa as casas dos camponeses e faziam uma varredura no local em busca de qualquer comida escondida. Os ativistas mais bondosos ainda deixavam algum resquício de comida para as famílias, porém os mais cruéis levavam tudo o que encontravam.

O resultado foi totalmente previsível: as pessoas começaram a passar fome em números cada vez maiores. Um camponês que não tivesse a aparência de alguém que estava esfomeado era imediatamente considerado suspeito pelas autoridades soviéticas de estar estocando comida. Como relata um historiador: “Um ativista comunista, após fazer uma busca minuciosa pela casa de um camponês que não aparentava a mesma fome dos demais, finalmente encontrou um pequeno saco de farinha misturada com cascas de árvore e folhas. O material foi confiscado e despejado num lago do vilarejo.”

Robert Conquest cita o testemunho de outro ativista:

“Eu ouvi as crianças… engasgando sufocadas, tossindo e gritando de dor e de fome. Era doloroso ver e ouvir tudo aquilo. E ainda pior era participar de tudo aquilo… Mas eu consegui me persuadir, me convencer e explicar a mim mesmo que aquilo era necessário. Eu não poderia ceder; não poderia me entregar a uma compaixão debilitante… Estávamos efetuando nosso dever revolucionário. Estávamos obtendo cereais para a nossa pátria socialista…”

“Nosso objetivo maior era o triunfo universal do comunismo e em prol desse objetivo tudo era permissível — mentir, enganar, roubar, destruir centenas de milhares e até mesmo milhões de pessoas…”

“Era assim que eu e meus companheiros raciocinávamos, mesmo quando… eu vi o real significado da ‘coletivização total’ — como eles aniquilaram os kulaks, como eles impiedosamente arrancaram as roupas dos camponeses no inverno de 1932-33. Eu mesmo participei disso, percorrendo a zona rural, procurando por cereais escondidos… Junto com meus companheiros, esvaziei as caixas e os baús onde as pessoas guardavam seus alimentos, tampando meus ouvidos para não ouvir o choro das crianças e a lamúria suplicante das mulheres. Eu estava convencido de que estava realizando a grande e necessária transformação da zona rural; e que nos dias vindouros as pessoas que viveriam ali estariam em melhor situação por minha causa.”

“Na terrível primavera de 1933, vi pessoas literalmente morrendo de fome. Vi mulheres e crianças com barrigas inchadas, ficando azuis, ainda respirando, mas com um olhar vago e sem vida… Eu não perdi a minha fé. Assim como antes, eu acreditava porque eu queria acreditar.”

Em 1933, Stalin estipulou uma nova meta de produção e coleta, que deveria ser cumprida por uma Ucrânia que estava agora à beira da mortandade em massa por causa da fome que começou em março daquele ano. Vou poupar o leitor das descrições mais gráficas do que aconteceu a partir daqui. Mas os cadáveres estavam por todos os lados, e o forte odor da morte pairava pesadamente no ar. Casos de insanidade, e até mesmo de canibalismo, estão bem documentados. As diferentes famílias camponesas reagiam de maneiras distintas à medida que lentamente iam morrendo de fome:

“Numa choupana, era comum haver algum tipo de conflito na família. Todos vigiavam estritamente uns aos outros. As pessoas brigavam por migalhas, tomando restos de comida umas das outras. A esposa se voltava contra o marido e o marido contra ela. A mãe odiava os filhos. Já em outra choupana, o amor permaneceria inviolável até o último suspiro da família. Eu conheci uma mulher que tinha quatro filhos. Ela costumava lhes contar lendas e contos de fadas com a intenção de fazê-los esquecer da fome. Sua própria língua mal podia se mover, mas mesmo assim ela se esforçava para colocá-los em seus braços, ainda que ela mal tivesse forças para levantar seus braços quando eles estavam vazios. O amor vivia dentro dela. E as pessoas notaram que, onde havia ódio, as pessoas morriam mais rapidamente. Entretanto, o amor não salvou ninguém. Todo o vilarejo sucumbiu; todos juntos, sem exceção. Não restou uma só vida.”

Normalmente é dito que o número de ucranianos mortos na fome de 1932-33 foi de cinco milhões. De acordo com Robert Conquest, se acrescentarmos outras catástrofes ocorridas com camponeses entre 1930 e 1937, incluindo o grande número de deportações dos supostos “kulaks”, o total chega a estonteantes 14,5 milhões de mortes. E, mesmo assim, se apenas 1% dos alunos do ensino médio tiverem ouvido falar desses eventos, isso já seria um pequeno milagre.

No artigo, referi-me várias vezes a Robert Conquest, um excelente historiador da União Soviética. Convido e reforço que qualquer pessoa interessada nesses eventos leia seu extraordinário livro The Harvest of Sorrow. A leitura flui como se fosse um romance, mas a história relatada é cruamente real.


Thomas Woods é um membro sênior do Mises Institute, especialista em história americana. É o autor de nove livros, incluindo os bestsellers da lista do New York Times The Politically Incorrect Guide to American History e, mais recentemente, Meltdown: A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and Government Bailouts Will Make Things Worse. Dentre seus outros livros de sucesso, destacam-se Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (leia um capítulo aqui), 33 Questions About American History You’re Not Supposed to Ask e The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy (primeiro lugar no 2006 Templeton Enterprise Awards). Visite seu novo website

Esta matéria foi originalmente publicada pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil