domingo, 30 de dezembro de 2018

'Bolsonaro vai mudar a embaixada do Brasil para Jerusalém', garante Netanyahu

Premiê comemora: "Bolsonaro disse que somos irmãos de coração"

Após o encontro neste domingo com a comunidade judaica, em um hotel de Copacabana, Rio de Janeiro, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém será realizada por Jair Bolsonaro.

“Bolsonaro me disse que não é uma questão de se, mas de quando”, destacou Netanyahu. Em seguida, acrescentou: “Bolsonaro disse que somos irmãos. Não que somos aliados, nem que temos interesses comuns, mas que somos irmãos de coração.

O premiê israelense minimizou as possíveis ameaças de terrorismo devido à medida, lembrando que não houve atentados especificamente relacionados com a decisão desde que os Estados Unidos inaugurou sua nova embaixada na cidade, em maio.

O Brasil seguirá os EUA e também a Guatemala, que já fizeram a mudança. Neste mês, a Austrália reconheceu a cidade como capital de Israel, mas não irá transferir sua embaixada. O Paraguai chegou a anunciar que também mudaria, mas acabou recuando. Outras nações, como Honduras e República Checa, anunciaram que pretendem fazer a mudança.

A postura do Brasil sobre isso era clara desde a campanha eleitoral deste ano. Em novembro, o deputado Eduardo Bolsonaro, durante sua visita aos EUA, abordou o assunto e disse que não era “uma questão de se, mas de quando”.

Como tem feito habitualmente, o presidente eleito, abordou em sua conta de Twitter o tema. “Conversei com o embaixador de Israel sobre isso. Conversei com o Ernesto Araújo [futuro ministro das Relações Internacionais]. Alguns países estão realmente ameaçando boicote à nossa economia caso isso [mudança da embaixada] se concretize. E nós estamos conversando sobre a melhor maneira de decidir essa questão”, disse Bolsonaro no vídeo publicado no sábado.
Relações bilaterais

Nos últimos dias, o gabinete de Bolsonaro confirmou que o próximo presidente do Brasil visitará Israel em março. Os dois governos irá criar delegações em áreas específicas para estudar parceira futuras.

Falando com os jornalistas neste domingo (30), Netanyahu asseverou que o Brasil tornou-se o principal interesse da política comercial israelense: “É um dos dois grandes países do mundo com os quais não temos acordos comerciais”.

O premiê, que concorre às reeleição em seu país, apontou diversas áreas em que Israel tem produtos e serviços a oferecer, incluindo : tecnologia da informação, agricultura e segurança.

A tecnologia hídrica israelense, de dessanilização da água e extração de água a partir do ar seriam fundamentais para que o Brasil mudasse a situação no Nordeste, região que tem clima semelhante ao de Israel.

sábado, 29 de dezembro de 2018

Terroristas ameaçam realizar atentado na posse de Bolsonaro

Organização que se define como terrorista ameaçou promover um atentado na cerimônia de posse. Polícia Federal está investigando o caso.

Equipe de segurança faz ensaio para posse do presidente eleito Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Um grupo que se define como terrorista emitiu uma ameaça terrorista na posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, marcada para 1º de janeiro. O caso está sendo investigado em um inquérito pela Polícia Federal.

O grupo autointitulado “Maldição Ancestral”, autodenominado antipolítico e terrorista, publicou em seu site um texto considerado pela Polícia Civil como ameaça a Bolsonaro.

“Se a facada não foi suficiente para matar Bolsonaro, talvez ele venha a ter mais surpresas em algum outro momento, já que não somos os únicos a querer a sua cabeça”, diz o trecho do texto.

“Dia 01 de Janeiro de 2019 haverá aqui em Brasília a posse presidencial, e estamos em Brasília e temos armas e mais explosivos estocados...”, acrescentou o grupo, que afirma estar “em tocaia terrorística contra o progresso humano”.

O grupo ainda reivindicou ter colocado uma bomba ao lado da Igreja Santuário Menino Jesus, no centro de Brazlândia, região administrativa do Distrito Federal, na madrugada de Natal, 25 de dezembro. O artefato explosivo foi desarmado pela Polícia Militar, segundo o site Metrópoles.

A organização também afirma ter ligações com duas das maiores facções criminosas do país. “Nos alinhamos com o PCC [Primeiro Comando da Capital] no que diz respeito aos planos de ataques terroristas com explosivos C-4 que seriam perpetrados pela facção paulista durante as eleições. Isso não é uma aliança, é um alinhamento criminal que se refere a objetivos, logo a polícia pode também ser um alvo nosso, é parte de nosso posicionamento antipolítico”, diz texto do grupo.

Uma fonte na Polícia Federal disse ao Estadão que o protocolo de segurança da PF no dia da posse não será alterado por causa dessa ameaça. A Polícia Federal, no entanto, faz apenas a segurança mais próxima do presidente eleito.

Outros órgãos também atuarão no dia 1º de janeiro, como o GSI, o Exército, a Força Nacional e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. A PF não tem como afirmar se outros órgãos mudarão algo no esquema de segurança.

Ministros árabes visitarão o Brasil para tentar impedir mudança da embaixada para Jerusalém

Delegação planeja reunir-se com o presidente Jair Bolsonaro, em janeiro, após sua posse.

Visão geral de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe na sede da organização na capital egípcia, Cairo, em 11 de setembro de 2018. (Foto: Mohamed El-Shahed/AFP)

Uma delegação ministerial árabe planeja viajar ao Brasil em janeiro para tentar convencer o presidente Jair Bolsonaro a não transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, disse uma fonte oficial palestina ao jornal The Times of Israel na quinta-feira (27).

No início deste mês, a Liga Árabe convocou uma reunião para discutir a possível realocação da embaixada brasileira em Israel. 

Em um comunicado após a reunião, a Liga Árabe pediu a “Bolsonaro que se abstenha de tomar quaisquer posições que prejudiquem o status legal da Cidade Santa de Jerusalém”. 

Em novembro, Bolsonaro anunciou que pretende transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém. “Como dito anteriormente durante nossa campanha, pretendemos transferir a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém”, escreveu Bolsonaro no Twitter em 1º de novembro. “Israel é um Estado soberano e nós devemos respeitar isso”. 

Em viagem aos Estados Unidos, o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, confirmou a informação durante entrevista ao canal de TV Fox News que a embaixada seria realocada, mas que o prazo para a decisão não foi definido. 

Brasil e Israel 

Jair Bolsonaro toma posse em seu novo cargo no dia 1º de janeiro com a presença de diversos líderes mundiais, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que já está no país, onde deverá se reunir com o futuro presidente nesta sexta-feira (28). 

A visita de Netanyahu ao Brasil pode ser entendida como um agradecimento a Bolsonaro pela decisão que pretende tomar. O governo israelense considera toda Jerusalém sua capital e encorajou os países a realocarem suas embaixadas para lá. Enquanto isso, os palestinos buscam Jerusalém Oriental como a capital de um futuro estado palestino. 

Em declaração recente Bolsonaro disse que se opõe à existência da embaixada palestina em Brasília, de acordo com a Agência Telegráfica Judaica.

Brasil e EUA

Em dezembro de 2017, o presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, irritando a liderança palestina baseada em Ramallah. A embaixada dos EUA foi transferida para Jerusalém em maio de 2018. 

Durante sua campanha presidencial, Jair Bolsonaro, influenciado pela decisão americana disse que tomaria decisão semelhante. O candidato recebeu apoio interno da bancada evangélica que compõe o Congresso Nacional e de lideranças evangélicas que defendem e acreditam que Jerusalém é, desde os tempos bíblicos, a capital de Israel. 

A decisão americana for marcada por protestos no mundo árabe. Pouco depois do anúncio de Trump, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, declarou que os palestinos não vão mais trabalhar com um processo de paz dominado pelos americanos e pediu o estabelecimento de um mecanismo multilateral para isso. 

Em novembro, durante reunião da Organização das Nações Unidas, o embaixador palestino na ONU, Ibrahim Khraishi, disse em entrevista apostar que a mudança não vai ocorrer. 

Na ocasião, autoridades palestinas disseram esperar que o presidente eleito tenha “sabedoria” ao tomar sua decisão sobre o futuro da embaixada do Brasil em Israel.

Em função da mudança da capital pelos americanos, no ano passado os palestinos cortaram seus laços com o governo de Donald Trump, exceto aqueles relacionados à segurança, disse Azzam al-Ahmad, um alto funcionário da Fatah e da OLP, em uma entrevista em seu escritório em Ramallah, no começo de dezembro. 

Autoridades palestinas dizem que o Brasil e os palestinos mantêm relações sólidas. Em 2010, durante o governo de Luis Inácio Lula da Silva, o Brasil reconheceu oficialmente o Estado da Palestina.

Viktor Orbán premier húngaro confirma presença na posse de Bolsonaro

Viktor Orbán é um dos ícones da direita europeia

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, confirmou presença na posse do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Viktor Orbán

A organização da cerimônia citou questões de segurança para não divulgar a lista completa de convidados confirmados, mas outros nomes já são dados como certos, como os presidentes Sebastián Piñera (Chile), Iván Duque (Colômbia), Mario Abdo (Paraguai), Tabaré Vázquez (Uruguai) e Martín Vizcarra (Peru).

Em alinhamento com a política externa dos Estados Unidos, o novo governo brasileiro desconvidou Venezuela, Cuba e Nicarágua, já que, segundo o futuro chanceler Ernesto Araújo, esses regimes violam a liberdade do povo.

Orbán foi reeleito em abril deste ano, apoiado em uma forte campanha anti-imigração. 

Também da Europa, devem participar da posse o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, e o ministro italiano da Agricultura, Gian Marco Centinaio. Segundo o Itamaraty, haverá ainda presidentes, vice-presidentes, 14 enviados especiais e três diretores de organismos internacionais que não foram divulgados.

Benjamin Netanyahu desembarca no Brasil e chama país de 'grande potência'

A visita inaugura parceria oficial entre os governos de Israel e do Brasil a partir desta sexta-feira (28).

Benjamin Netanyahu: “Espero abrir uma nova era nas relações entre Israel e o Brasil”

Pela primeira vez um premiê israelense faz visita de Estado ao Brasil. Para participar da cerimônia de posse de Jair Bolsonaro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desembarcou perto das 11h no Rio de Janeiro acompanhado de comitiva israelense. A agenda inicial será às 13h45, quando se reúne com o presidente Bolsonaro durante meia hora no Forte de Copacabana.

Após as boas-vindas do futuro presidente, às 14h15, juntam-se à reunião o futuro ministro das Relações Exteriores e o futuro ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. O tema deve girar em torno da transferência da embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém.

Sobre a vinda do premiê ao Brasil, Bolsonaro disse estar com grande expectativa. “Nos reuniremos e discutiremos novos rumos para nossas nações. As expectativas são as melhores para este momento inédito de nossa história”, escreveu no Twitter.

O presidente disse ainda que “Israel é referência mundial em tecnologia para diversos serviços e isso nos interessa. Não há razão para criticar o diálogo, muito menos quando a crítica vem de quem nada fez, só destruiu e roubou o país. Queremos o melhor para o Brasil e para a população brasileira!”.

Agenda no Brasil

Antes do embarcar para o Brasil, Netanyahu postou um vídeo onde, na entrada do avião, falou sobre sua viagem ao país. “Estou a caminho do Brasil. Espero encontrar meu amigo Jair Bolsonaro para abrir uma nova era nas relações entre Israel e o Brasil”. O premiê já havia dito que o Brasil “é uma grande potência”.

Às 17h, Netanyahu está na sinagoga Kehilat Yaacov, onde irá participar das orações de Shabat (o sábado judaico, que começa no anoitecer da sexta-feira).

No sábado (29), não há agenda oficial por causa do feriado religioso.

No domingo (30), o primeiro compromisso de Netanyahu será às 12h30, quando vai se encontrar com membros da comunidade judaica carioca. Às 15h30, será a vez de cristãos “amigos de Israel”. E, às 17h, o primeiro-ministro israelense receberá o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández.

Na segunda-feira (31), não há agenda oficial. Ainda no Rio, Netanyahu e a esposa devem visitar o Cristo Redentor de noite e conhecer um pouco mais a cidade.

Ano novo

Na terça-feira (1º de janeiro) Netanyahu viaja para Brasília, onde vai se reunir com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, às 12h30.

O próximo compromisso será às 15h, no Palácio do Planalto onde participará da posse do presidente Jair Bolsonaro. Uma hora depois, às 16h, ele se reunirá com outras autoridades que estarão presentes no evento.

Às 18h, Netanyahu irá ao coquetel oferecido pelo novo presidente brasileiro e, às 18h30, se reunirá com o presidente chileno, Sebastián Piñera.

O ano de 2019 será importante para Netanyahu. Antecipadas para abril, as eleições devem decidir o destino do premiê, que é do partido Likud e trabalha pela reeleição. “Os líderes da coalizão decidiram de forma unânime dissolver o Parlamento e realizar novas eleições no início de abril”, disse o porta-voz, citando uma declaração feita pelos aliados políticos de Netanyahu.

O anúncio da antecipação das eleições chega horas depois de o líder do partido de centro opositor Yesh Atid, Yair Lapid, destacar que seus deputados votariam contra a lei — que deveria ir à votação parlamentar final em duas semanas — sob o argumento de que Netanyahu havia cedido às pressões dos ultraortodoxos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Ex-motorista do terrorista Marighella Aloysio Nunes vai assumir agência de investimento no governo de João Doria

Aloysio Nunes será o sétimo ministro do presidente Michel Temer a ser indicado para um cargo na gestão do governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB)

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB), vai assumir a presidência da Investe SP, agência paulista de promoção de investimentos, no governo de João Doria (PSDB), em São Paulo. Nunes estará à frente da Investe a partir de 5 de fevereiro.

A Investe SP fica sob a responsabilidade da Secretaria da Fazenda, Planejamento e Gestão, que será encabeçada por Henrique Meirellles.

Ele será o sétimo ministro do presidente Michel Temer a ser indicado para um cargo na gestão do governador eleito. Antes de Nunes, foram anunciados os ministros Gilberto Kassab (Casa Civil), Rossieli Soares (Educação), Sérgio Sá Leitão (Cultura), Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos), Vinícius Lummertz (Turismo) e Meirelles também serão secretários estaduais a partir do próximo ano.

O passado do Ex-motorista do terrorista comunista Marighella 

Apesar de ter assumido a linha de frente da oposição nos 13 anos do PT no Planalto, nunca se constrangeu em falar da amizade que mantém até hoje com o ex-ministro José Dirceu, seu ex-colega de movimento estudantil.

Aluno de direito do Largo São Francisco, a mesma faculdade do presidente Michel Temer, Aloysio iniciou a carreira política como presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, em 1967. Era filiado ao PCB, que estava na clandestinidade. Foi nessa época que conheceu Dirceu, então presidente do União Estadual dos Estudantes (UEE).

Logo em seguida, se juntou aos quadros da Ação Libertadora Nacional (ALN) e entrou na luta armada.

Foi motorista de Marighella, o principal líder da ALN, em algumas ações e chegou a participar do célebre assalto ao trem pagador Jundiaí-Santos, em 1968. Coube ao futuro ministro das Relações Exteriores, dirigir um dos carros e guardar o dinheiro roubado que seria usado para financiar as ações armadas do grupo. Durante o período na clandestinidade, adotou, entre outros, os codinomes de Mateus e Lucas.


No mesmo ano do assalto ao trem pagador, foi enviado por Marighella a Paris, onde se transformou em uma espécie de embaixador da guerrilha brasileira. Cabia a Aloysio fazer contato com políticos e publicações europeias de esquerda para angariar apoio ao movimento brasileiro. Chegou a se filiar ao Partido Comunista Francês.

Anos depois, ao falar sobre o passado de guerrilheiro, Aloysio dizia ter uma visão "absolutamente crítica" do movimento não só por ser uma tática equivocada, como por combater a ditadura por "uma via que não era democrática".

Procurado no Brasil pelo ditadura, viveu na Europa até a anistia, em 1979. De volta ao país, foi eleito, em 1982, deputado estadual em São Paulo pelo PMDB.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Bolsonaro anuncia parceria com Israel para dessalinização de água no Nordeste


Futuro ministro da Ciência e Tecnologia deve visitar instalações no Oriente Médio em janeiro


Presidente eleito Jair Bolsonaro (José Cruz/Agência Brasil)


O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro, disse nesta terça (25) que fará parcerias com Israel para beneficiar o Nordeste com projetos de dessalinização de água. Por meio de seu perfil no Twitter, Bolsonaro afirmou que o futuro ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, visitará em janeiro instalações de dessalinização, plantações e o escritório de patentes no país do Oriente Médio.

Ainda em janeiro, espera-se que seja implantada no Nordeste brasileiro uma instalação piloto para tirar água salobra de poços, dessalinizar, armazenar e distribuir para a agricultura familiar da região.

“Também estudamos junto ao embaixador de Israel e empresa especializada testar tecnologia que produz água a partir da umidade do ar em escolas e hospitais da região. Poderemos, inclusive, negociar a instalação de fábrica no Nordeste para venda desses equipamentos”, escreveu no Twitter.

Confira o anúncio:

Natal é Cristo que Nasce !

“Uma virgem conceberá e dará o nome a seu filho de Emanuel (Deus conosco)” (Is 7. 14).

Os estudiosos costumam classificar a nossa era de “pós - cristã”, ou seja, um período em que os fundamentos de nossa sociedade e de nossa cultura já não se reconhecem mais como cristãos. Outras filosofias, ideologias, religiões reclamam atenção, disputam espaço, exercem decisivamente influência sobre o estilo de vida, o comportamento, as relações pessoais e institucionais, bem como as tomadas de decisões mais essenciais da vida.

O cristianismo converteu-se em uma opção de um cardápio variado de visão do mundo e de sistema de valores. 
Não raras vezes, inclusive, tão esvaziado de sentido e propósito, que é relegado à mais absoluta irrelevância e insignificância. Claro, este estado de coisas não pode ser simplesmente atribuído à força da cultura, da hostilidade do mundo, ou de qualquer outra tentativa de explicação que isente os cristãos e a Igreja de sua culpa. Nós mesmos temos dificuldade em cultivar nossas raízes e tradições. Nós mesmos abrimos mão de nossa identidade. Nós mesmos trocamos o “Feliz Natal” pelo mundano e insípido “Boas Festas”. Muitos de nós enfeitamos a casa com o Papai Noel, e trocamos cartões com frases de pensamentos positivos, autoajuda, líderes religiosos de outras confissões e etc. Muitas famílias cristãs se preparam para o Natal como quem programa um feriado prolongado, um tempo de descanso e de folga. Contam os dias e as horas para reduzirem a memória desta festa a uma reunião social de família, compras e etc.

O Natal pode ser uma grande oportunidade para anunciarmos a absoluta necessidade de se confessar a vinda de Cristo em nossa carne para salvar-nos do pecado e da morte, pois quem não confessa que Ele veio na carne já está condenado. Por isso um tempo de preparo espiritual se faz mais necessário hoje em dia que no passado. Temos a urgência em recuperar o sentido cristão do Natal, se quisermos anunciar a ‘Boa Nova’ da Encarnação com clareza para uma cultura que nem sabe exatamente o que comemora.
É aqui que entra o tempo do Advento. Não é um tempo especial ou mágico. Nada nestes dias é diferente do restante do ano. Mas é uma oportunidade que a pedagogia litúrgica nos concede para retornarmos às fontes primárias de nossa identidade cristã.

É como um caminho a ser percorrido até à fonte para entendermos e dar a entender porque nesta data convencional e cultural nós comemoramos o ‘Fato’ de nossa redenção iniciada na Encarnação do Filho de Deus. 
Evitemos as falaciosas discórdias quanto à validade destes dias, antes, sejamos sábios e aproveitemos a ocasião para falar do Natal de nosso Senhor Jesus Cristo e anunciemos a plenos pulmões: “Quem tem o Filho, tem a vida eterna; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida” (1Jo 5.12).

domingo, 23 de dezembro de 2018

Apoiadores de Trump criam campanha para pagar muro entre EUA e México

O muro na fronteira com o México foi uma das principais propostas da campanha de Donald Trump que o colocou no cargo mais importante dos Estados Unidos em 2016.

Ferrenho defensor do combate à imigração ilegal, Donald Trump tem enfrentado dificuldades para conseguir colocar os bilhões necessários para a construção do muro no orçamento do governo dos Estados Unidos.

Os Democratas estão conseguindo barrar o avanço do projeto e o embate promete se acirrar.

Por conta disso, um grupo de apoiadores do presidente dos EUA tomou à frente e criou uma campanha de financiamento coletivo no site GoFundMe.

No total, os usuários apontam que é necessário, pelo menos, US$ 1 bilhão para finalizar o projeto. Até o momento, o site conta com US$ 16,312 milhões.

Quem encabeça esta campanha é Brian Kolfage, um veterano da Guerra do Iraque que teve três partes do corpo amputadas em batalha. Em entrevista, ele mostra a frustração pela não execução das propostas de campanha do seu candidato e afirmou que “é hora de jogar com votantes”.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Os 'coletes amarelos' e a crise do Estado de bem-estar social

A Europa é um modelo social-democrata em crise. Mas os cidadãos entendem o fenômeno em todo o seu alcance?

Manifestante do grupo dos coletes amarelos agita uma bandeira tricolor francesa durante protesto em Paris (EFE)

Por Por Juan David García Ramírez

Os movimentos de protesto que dias atrás abalaram a tranquilidade social das grandes cidades europeias — começando por Paris — evocam os tempos convulsivos da Roma imperial; exemplo em que a discordância de setores representativos da população pôde ser sentida nas ruas — pelo menos de acordo com o que relatou Tácito em sua História.

Ao longo dos protestos, turistas confusos e intelectuais esnobes ficaram escandalizados com as ações das turbas, como bloqueios de avenidas, praças ou da operação do metrô, bem como com os ataques registrados em detrimento das forças da ordem.

Para eles, por não terem tomado conhecimento da crise do Estado de bem-estar social, é incompreensível que em Paris, Berlim, Madri ou Estocolmo, o conflito social tenha se acentuado. Em Paris — como já foi visto —, os comentados “Coletes Amarelos” foram às ruas durante semanas, em aberta rejeição à decisão do governo do presidente Emmanuel Macron de aumentar o preço dos combustíveis. Em Madri, desde os tempos de recessão econômica, as massivas manifestações de aposentados e funcionários públicos — inicialmente autodenominados como “Indignados” — tiveram por fim que especificar explicitamente sua oposição aos cortes, e hoje isso é uma coisa que acontece corriqueiramente. Em Berlim, Frankfurt e outras cidades alemãs, milhares de cidadãos expressaram preocupação com os efeitos nocivos da entrada indiscriminada (e sem controle) de centenas de milhares de imigrantes do Oriente Médio.

Desde os anos sessenta, gerações inteiras de europeus tornaram-se vulneráveis a uma fé cega no Estado como provedor de bens e serviços, garantidor de estabilidade social e econômica, e solucionador primordial de todos os problemas relacionados ao indivíduo. Transporte, educação, saúde e, mais tarde, política agrária, bem-estar social, gestão dos assuntos culturais e até mesmo controle do consumo, foram propostos como uma desculpa para alimentar um crescimento excessivo dos governos e da própria União Europeia — todos os quais já completamente esgotados. O cidadão europeu médio tinha o hábito de zombar de seus pares norte-americanos, asiáticos e da América Latina — embora especialmente dos primeiros, dadas as incontáveis horas de trabalho que os caracteriza e o escasso tempo destinado à família e às férias. Tudo isso, enquanto italianos, espanhóis e franceses — sempre graças ao formato Estado-babá defendido pelo modelo social-democrata europeu — podiam e, ainda hoje, podem usufruir de férias por quase dois meses no verão, e tirar uma licença médica até por uma simples dor de cabeça; como também têm acesso ao seguro desemprego e numerosas variantes de benefícios, apenas por existirem. Até o ponto em que milhões de imigrantes estão chegando hoje dispostos a morrer no Mar Mediterrâneo, a fim de aproveitar os benefícios do assistencialismo europeu.

No entanto, hoje em dia, depois de acordarem desse sonho, a verdade é que esses mesmos europeus já não riem tanto de seus pares em outros continentes. De tal forma que, agora, sofrem as consequências de colocar a economia de mercado e a democracia liberal a serviço da utopia socialista. Torna isso realidade a estatística de Estados eminentemente gigantescos, como o francês ou o espanhol, onde 22 e 16% da população, respectivamente, ocupa cargos no setor público. Esses números nos permitem entender como é possível que tantas pessoas continuem se opondo à implementação de profundas reformas econômicas, porque esse sistema as mantém isoladas dos riscos da vida real.


O líder do governo espanhol, Pedro Sánchez, talvez tentando evitar um movimento semelhante ao da França, tomou a decisão de aumentar o salário mínimo em 22%. Não há dúvida: choverão aplausos e seu índice de popularidade melhorará. Porém, mais cedo ou mais tarde, a iniciativa se mostrará onerosa para o seu país, e servirá apenas para pisar no acelerador em direção ao esperado colapso do Estado de bem-estar social.

Publicado através do site El Ojo Digital

Originalmente publicado em El Quindiano (Armênia, Colômbia)

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Bolsonaro nega que Michelle tenha pedido remoção de obras sacras

Rumores sobre possível desejo da futura primeira-dama de retirar objetos do Palácio da Alvorada foram desmentidos pelo presidente eleito

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), negou rumores sobre a possível retirada de obras sacras do Palácio da Alvorada, futura casa da família em Brasília. Comentários sobre suposto pedido de Michelle, esposa de Bolsonaro, para retirar os objetos do local foram divulgados nessa segunda-feira (17/12).

Por meio de seu perfil no Twitter, o futuro chefe do Executivo afirmou que, mesmo que sua mulher seja evangélica e ele católico, ambos possuem objetos em casa que remetem a fé em suas respectivas religiões.

Fui surpreendido com a notícia que minha esposa retiraria imagens católicas da futura residência oficial devido sua religião. Ela evangélica e eu católico, ambos temos objetos que lembram nossa fé em nossa casa! Não por acaso, criam narrativas para nos desgastar a todo custo!
Uma imagem de Santa Bárbara, atualmente no Palácio da Alvorada, será transferida para a casa do vice-presidente de Bolsonaro, Hamilton Mourão, a pedido do próprio, por ser a padroeira da artilharia. De acordo com o presidente eleito, os outros objetos não serão removidos da residência oficial da Presidência da República.

Ditador comunista Maduro diz que milícia da Venezuela chega a 1,6 milhão de membros

Maduro diz que milícia civil da Venezuela chega a 1,6 milhão de membros

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na segunda-feira que a milícia civil venezuelana atingiu 1,6 milhão de membros, mais do que triplicando de tamanho desde o início do ano, e que a missão do grupo é defender o país de agressões externas.

O discurso de Maduro a membros da milícia, transmitido na televisão estatal, aconteceu menos de uma semana depois de o líder socialista acusar os Estados Unidos de planejarem invadir o país, que passa por severa crise econômica.


“Nós iremos armar a milícia bolivariana até os dentes”, disse Maduro, sem detalhar quantos membros da milícia estão armados. “Uma força imperialista invasora pode entrar em uma parte da nossa pátria, mas os imperialistas precisam saber que eles não vão sair daqui vivos”.

A Milícia Nacional Bolivariana é uma força de reserva composta por voluntários civis que foi fundada em 2008 pelo ex-presidente Hugo Chávez para auxiliar as Forças Armadas. Maduro observou na segunda-feira que, em abril, deu a ordem para aumentar o tamanho da força de reserva para 1 milhão de membros. Na época, ele disse que a milícia contava com “quase 400 mil” integrantes.

Ameaças contra Bolsonaro permanecem vivas e decisão sobre carro aberto será no dia da posse, diz Etchegoyen

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, afirmou nesta terça-feira que as ameaças contra o presidente eleito Jair Bolsonaro continuam “vivas” e que a decisão de usar ou não um carro aberto na posse do novo governo será tomada no dia da cerimônia.

Etchegoyen observou que apenas um caso de ameaça contra Bolsonaro foi esclarecido até um momento, em referência a uma operação da Polícia Federal que cumpriu mandados no Rio de Janeiro.

O ministro acrescentou, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, que entre 250 mil e 500 mil pessoas devem comparecer à cerimônia de posse no dia 1º de janeiro.

De acordo com o Itamaraty, estão confirmados até o momento nove chefes de Estado, dois vice-presidentes, oito chanceleres e dois altos dirigentes de organizações internacionais.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Moro anuncia subprocuradora do MPF para Secretaria Nacional de Justiça

Maria Hilda Marsiaj integra a força-tarefa da Operação Lava-Jato

Por Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil Brasília

O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, anunciou hoje (17) a indicação da subprocuradora-geral da República Maria Hilda Marsiaj Pinto para a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), um dos órgãos mais importantes da pasta. Assim como Moro, que teve que abrir mão da carreira de juiz federal, Maria Hilda terá que ser exonerada do cargo de subprocuradora-geral do Ministério Público Federal (MPF) para poder assumir a Senajus.

"É uma pessoa absolutamente preparada e vem a somar", afirmou Moro, que também destacou que a indicada tem "independência, integridade e eficiência" para a função. No âmbito na Senajus, estão órgãos como Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica (DRCI), a área que trata de imigrações, e o Departamento de Políticas do Judiciário, que orienta o presidente da República nas nomeações de magistrados para os tribunais federais e superiores. 

Sergio Moro também informou que a coordenação que trata dos registros sindicais será vinculada à Senajus no próximo governo. "Foi transferida essa coordenação de registro sindical, a pedido do governo que foi eleito, com a expectativa de reduzir problemas de corrupção nessa área, que tem sido verificada nos últimos anos", afirmou.

Maria Hilda Marsiaj também integra a força-tarefa da Operação Lava-Jato, desde 2015, quando passou a compor um grupo de subprocuradores gerais indicados para atuar exclusivamente em processos da operação que estão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Bolsonaro faz primeira reunião ministerial com equipe completa dia 19

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, fará nesta quarta-feira (19) a primeira reunião ministerial com sua equipe completa. Os 22 ministros já indicados deverão estar presentes, na residência oficial da Granja do Torto, utilizada por Bolsonaro quando está em Brasília.

Primeira reunião do presidente eleito, Jair Bolsonaro, com a equipe ministerial completa será nesta quarta-feira, na Granja do Torto - Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil

A pauta da reunião não foi divulgada pela assessoria da equipe de transição. A princípio será o único compromisso do presidente eleito na capital federal nesta semana. A expectativa é ele chegue a Brasília na quarta-feira e volte no fim do dia para o Rio de Janeiro.

A primeira reunião ministerial, com a equipe incompleta, foi conduzida por Bolsonaro no momento em que ele ainda escolhia nomes para o primeiro escalão de governo.

Também não está definido se o presidente eleito virá para Brasília nos dias 27 ou 29 já para se preparar para a posse presidencial no dia 1º de janeiro.

Desde as eleições, Bolsonaro intercala sua agenda entre o Rio de Janeiro, onde tem residência, e Brasília.

Bolsonaro participa de inauguração de colégio militar que leva nome de seu pai

O presidente eleito Jair Bolsonaro participou da inauguração do colégio destinado a lhos de policiais militares do Rio de Janeiro. Batizado de Percy Geraldo Bolsonaro, é uma homenagem ao do pai do futuro mandatário do país.

O presidente eleito Jair Bolsonaro participa da cerimônia de inauguração do 3º Colégio da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro Percy Geraldo Bolsonaro. 

Durante seu discurso, Bolsonaro falou sobre como os professores perderam autoridade e as escolas do País vem ensinando constantemente posições ideológicas. 

“Com o tempo, passou-se a instituir outras coisas à sociedade, como por exemplo a malfadada ideologia de gênero, dizendo que ninguém nasce homem ou mulher, que isso é uma construção da sociedade. Isso é uma negação a quem é cristão, é uma negação a quem realmente acredita no ser humano. Ou se nasce homem, ou se nasce mulher”, destacou.

Bolsonaro destacou falou ainda que “A educação é o que realmente move uma sociedade, movimenta um país” e assegurou que “Ninguém consegue ordem e progresso se não tiver disciplina e hierarquia.” 

Ao final do discurso, sugeriu que o versículo bíblico de João 8:32 – “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, fosse pintado em um dos muros da escola.

Eduardo Bolsonaro declara 'O Brasil deixará de ser o paraíso dos criminosos estrangeiros'

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, postou em seu Twitter uma mensagem bastante emblemática sobre o tratamento que criminosos estrangeiros terão no Brasil do futuro.

Diz ele “Cesare Battisti é o caso mais famoso, mas se abrigam aqui no Brasil pelo menos 2 sequestradores paraguaios e certamente outros bandidos condenados internacionalmente.”

E encerra afirmando que o “Brasil deixará de ser o paraíso dos criminosos estrangeiros”.

Eduardo ainda marcou na postagem os presidentes Iván Duque da Colômbia e Marito Abdo do Paraguai, ambos alinhados com o futuro governo de Jair Bolsonaro.



domingo, 16 de dezembro de 2018

Deputado petista é processado pelo 'mensalinho do Twitter'



O deputado petista Miguel Corrêa Jr. (PT-MG), responsável por criar uma rede ilegal de influenciadores digitais que ficou conhecida como “mensalinho do Twitter”, foi processado nesta sexta-feira (14) pela Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) do Ministério Público Federal (MPF) por abuso de poder econômico. Corrêa foi candidato ao Senado em Minas e ficou em sexto lugar.

Na ação, a PGE pede a inelegibilidade do deputado petista por controlar as empresas envolvidas no esquema: Fórmula Tecnologia, Follow Análises Estratégicas, Beconnected Tecnologia, Golz Tecnologia.

As empresas criaram um aplicativo de distribuição de notícias e mensagens positivas sobre candidatos do PT chamado “O Brasil Feliz de Novo”, comprando diversos influenciadores digitais para publicar mensagens favoráveis a candidatos como o governador reeleito do Piauí, Wellington Dias.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Crimes sexuais fazem do guru espiritual João de Deus o maior abusador conhecido do país

Autoridades contabilizam mais de 300 depoimentos de acusações contra o médium, que teve prisão decretada pela Justiça.

Apesar da enxurrada de acusações, João de Deus se diz inocente. (Foto: Reprodução/IstoÉ)

A notícia de supostos crimes sexuais envolvendo João de Deus – o mais famoso guru espiritual do Brasil e que atendia cerca de 20 mil pessoas por semana, na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO) –, caiu como uma bomba.

As primeiras acusações, exibidas em entrevistas no programa Conversa Com Bial, foram feitas com dez vítimas brasileiras e estrangeiras, inclusive a holandesa Zahira Mous, que foi a primeira a relatar, em uma mídia social, o trauma que sofreu há quatro anos. Depois que a matéria foi ao ar na Globo, centenas de vítimas, em todo o país, tomaram coragem para contar seus testemunhos de abusos sexuais pelos quais passaram nas mãos do médium. Alguns há décadas.

O Ministério Público e a polícia já contabilizam mais de 300 depoimentos de mulheres que se sentiram encorajadas a contar seus dramas. Só o MP de Goiânia registrou 205 casos até o momento. De acordo o relato das mulheres, muitos assédios aconteceram quando eram adolescentes, sendo expostos somente agora, décadas depois do cometimento dos crimes.

Para a psicóloga cristã Marisa Lobo, o que faz com as pessoas escondam esse tipo de crime dos quais foram vítimas é o medo e a vergonha. “No caso específico, quando envolve fé [as vítimas] ficam reféns espiritualmente daquele líder; é comum infelizmente em nosso meio, o que eu chamo de alienação espiritual; a pessoas abusada sexualmente e psicologicamente por um líder que ela considera ter contato direto com Deus, faz com que aceite e, em alguns casos, até se sinta, num primeiro momento, privilegiada por estar sendo requisitada por esses monstros”, disse ela ao Guiame.

Segundo as autoridades policiais, os relatos são impressionantemente similares, inclusive nos detalhes e na forma como o médium se comportava ao assediar e abusar de suas vítimas. Chegava a dizer que era a energia espiritual que tinham, e se quisessem ser curadas precisavam aceitar aquele contato. “Ele me encostou na parede e começou a passar a mão no meu corpo. Fiquei paralisada. Mas ele se justificou dizendo que eu estava com muita energia e precisava passar por aquele ritual”, contou uma das vítimas que não quis se identificar.

Em busca de auxílio espiritual, todas as mulheres que foram molestadas se dizem traumatizadas e envergonhadas. Esta semana foi noticiado que uma das vítimas se suicidou, conforme noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo.

Fama e dinheiro

Para muitos, inclusive para a mídia, João de Deus era considerado um médium popstar, uma personalidade que tinha entre seus consulentes pessoas da alta sociedade, políticos e artistas. A história de sua vida tornou-se livro e foi documentada em filme.

A fama de João de Deus atravessou as fronteiras brasileiras. Uma das mais famosas apresentadoras do mundo, Oprah Winfrey, visitou o médium e fez um documentário sobre ele. A americana disse ter ficado impressionada com o que viu. Após o escândalo, excluiu o material de seu canal. Bill Clinton, ex-presidente americano, também esteve em Abadiânia onde procurou o médium para receber uma cura.

Na longa lista de clientes, estão ainda o ex-presidente Lula, os atores Reynaldo Gianecchini e as apresentadoras Luciana Gimenez e Xuxa, que fez um vídeo em uma rede social se dizendo chocada com o ocorrido.

Para Marisa Lobo, a visita de famosos e o sucesso das atividades impedem que as vítimas denunciem o crime cometido contra ela. “Quando existe a confirmação de ‘tais milagres’ como a vítima competirá com esse poder social e midiático do abusador? Principalmente se este tem poder político, se é bem visto socialmente e pelo seu grupo?”, questiona. “Causa [nelas] uma confusão mental e sentimental a ponto de a pessoa ficar estagnada, paralisada e viver em sofrimento; até que haja o momento do desabafo, de poder denunciar e se vingar”. 

Após os escândalos, questões relativas à vida financeira do médium foram expostas, dando conta de que ele é dono de fazendas e muitos imóveis, inclusive em Abadiânia. Também fez fortuna com o garimpo, sendo proprietário de pedras preciosas. Outros recursos ainda vêm da venda de objetos e remédios produzidos na farmácia de manipulação que atende aos clientes de seu centro.

Crimes

Além das acusações de abusos, foram relatados estupros e até assassinato. A enorme lista de vítimas de João de Deus pode tornar a quantidade de seus crimes maior do que a do médico embriologista Roger Abdelmassih. No caso do médium, entre suas vítimas estavam muitas adolescentes.

Elizabeth Katia é uma das depoentes. Muito emocionada, ela conta que tinha 16 anos e estava grávida quando sua sogra a levou para Abadiânia para pedir ajuda para a nora. João de Deus as atendeu e levou as duas para uma sala privada. Ali ele pediu para a sogra fechar os olhos e não abri-los até que fizesse o trabalho na jovem.

“Ele subiu minha blusa e começou a me tocar, com minha sogra ali, mas sem que ela visse. Fiquei apavorada com o que ele começou a fazer comigo e comecei a gritar. Ele dizia para minha sogra não abrir os olhos porque ele estava me libertando de espíritos maus”. Quando contei para algumas pessoas, ninguém acreditou em mim. Diziam que eu estava possuída pelo demônio.

O modus operandi dos assédios era por meio de ameaças às vítimas, que sofriam pressões e ameaças: “Se você não fizer o que eu estou falando, a sua doença vai voltar” ou “se quiser receber as coisas, precisa fazer tudo direitinho”. Com Zahira foi assim. Ela estava em busca de cura para abusos sexuais que havia sofrido, mas João de Deus só fez aumentar seus traumas, ao fazer dela sua vítima.

Em São Paulo, onde há muitos casos, a promotora Gabriela Mansur diz acreditar que seja impossível que os funcionários não soubessem o que acontecia. “Há menção pessoas que trabalhavam e sabiam o que estava acontecendo na sala onde as mulheres estavam sendo abusadas sexualmente”.

A promotora disse que, mesmo muitos crimes terem sido prescritos, é importante que sejam ouvidos para formar o processo, que não para de crescer. Gabriela diz ainda que acredita em um grande esquema criminoso em torno do caso. “Trata-se de um crime organizado voltado ao abuso de mulheres”.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Bolsonaro diz a vice-premiê da Itália que espera resolver em breve questão do Terrorista Cesare Battisti

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira ao ministro do Interior e vice-premiê da Itália, Matteo Salvini, em mensagem no Twitter, que espera resolver em breve a questão do italiano Cesare Battisti, ex-membro de uma guerrilha de esquerda condenado por assassinatos em seu país.

“Obrigado pela consideração de sempre, senhor ministro do Interior da Itália. Que tudo seja normalizado brevemente no caso deste terrorista assassino defendido pelos companheiros de ideais brasileiros! Conte conosco!”, escreveu Bolsonaro em publicação no Twitter.

A afirmação de Bolsonaro foi uma resposta a publicação de Salvini em que o vice-premiê italiano disse que dará “grande mérito” ao presidente eleito se ele ajudar a resolver o impasse envolvendo Battisti.

Salvini tuitou nesta sexta-feira compartilhando notícia sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux de determinar a prisão de Battisti.

Na quinta-feira, Fux revogou uma liminar que concedera no ano passado impedindo a extradição de Battisti e afirmou que cabe ao presidente da República decidir o destino do italiano, segundo reportagens.

A Polícia Federal considera Battisti foragido por estar em “local incerto”, de acordo com o portal de notícias G1.


Durante a campanha presidencial, Bolsonaro prometeu repetidas vezes extraditar Battisti “imediatamente” se fosse eleito.

O futuro ministro da Secreteria de Governo indicado por Bolsonaro, general Carlos Alberto Santos Cruz, disse nesta sexta-feira que a próxima administração federal vai seguir a decisão judicial do STF.

“A Justiça se pronunciou de novo e vamos seguir a Justiça”, disse Santos Cruz a repórteres ao ser questionado sobre o assunto em Brasília. “A Justiça decide e a política tem que cumprir”.

Santos Cruz acrescentou que pessoalmente considera a discussão política sobre a extradição “um desgaste desnecessário” para um país como o Brasil com “tanto problema”, apontando como única solução acatar a decisão judicial.

A extradição de Battisti é há muito tempo solicitada pela Itália. O ex-guerrilheiro enfrenta pena de prisão perpétua em seu país natal, onde foi condenado por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando pertencia ao grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Ele escapou da prisão em 1981 e morou na França antes de seguir ao Brasil para evitar ser extraditado para a Itália.

Desde então, Battisti quase foi extraditado em 2010, mas recebeu o status de asilado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de seu mandato.


Em outubro do ano passado, Battisti foi detido em Corumbá (MS), cidade próxima à fronteira com a Bolívia, carregando dólares e euros em espécie, numa indicação de que poderia estar planejando uma fuga do país, o que levou a Itália a reiterar seu pedido ao governo brasileiro pela extradição.

Battisti, no entanto, foi solto por ordem da Justiça e responde ao processo em liberdade, sob algumas medidas restritivas.

Papai Black Bloc

Por Rogério Mendelski


− Filho, eu descobri essas coisas no seu armário...

− Qual é o problema de ter uma máscara do Anonymus e um taco de beisebol?

− Você usa isso?

− Não... quer dizer, às vezes.

− É que estou precisando, será que você me empresta?

− Precisando...? Pra quê?

− É que eu li as coisas que você andou escrevendo na internet...

− Você andou lendo o meu Face?

− Qual é o problema, não é público?

− É, mas...

− Pois é, eu li o que você escreveu, e...

− Pai, eu sei que você não gostou do que eu escrevi lá, mas eu não vou discutir, são as minhas ideias... Eu tenho 27 anos! Sou anarquista, e...

− Não! Eu achei legal! Você me convenceu!

− Convenci? Do quê?

− Tá tudo errado mesmo! Você faz bem em nunca ter trabalhado. Eu li o que você escreveu e concordo. Agora eu sou anarquista também, que nem você!

− Você o quê? Pai, que história é essa?! Você está maluco?

− É, você fez a minha cabeça! Tem que quebrar tudo mesmo! Agora eu sou “Old Black Bloc”!

− Pai, você não pode! Você é diretor de uma empresa enorme! E...

− Não sou mais não, larguei meu emprego e mandei meu chefe tomar... Mandei todo mundo lá tomar...

− Pai, você não pode largar o seu emprego, você está lá há 30 anos! Isso é um absurdo!

− Posso sim, aliás já tô juntando uma galera pra ir lá e quebrar tudo!

− Quebrar tudo onde?

− No meu trabalho, vamos quebrar TUDO! Abaixo a opressão! Abaixo tudo! Sou contra TUDO!

− Você não pode fazer isso, pai!

− Posso sim! É só você me emprestar a máscara e o taco de beisebol. Você vem comigo?

− Não, acho melhor não...

− É melhor você vir junto, porque agora que eu larguei tudo, a gente vai ter que sair deste apartamento.

− Sair daqui? E a gente vai morar onde?

− Sei lá! Vamos acampar em frente a uma empresa capitalista qualquer e exigir o fim do capitalismo!

− Pai, você não pode fazer isso, não pode abandonar tudo!

− Tô indo, fui!

− Peraí, pai! Paai! E minha mesada, e meu carro? Onde eu vou morar? E as minas férias em Floripa? Minhas compras em Miami? E meu computador, meu tablet? E minha internet de fibra ótica? Volta aqui! Volta aqui, pai! Voooooooooollllllllttttttaaaaaa!!!

Moral da História:

Como dizia Margaret Thatcher:

“O socialismo é muito bom, mas só enquanto durar o dinheiro... 
dos outros.”

*Colunista do Correio do Povo, texto publicado em dezembro de 2018.

Trump assina lei para ajudar cristãos no Iraque e Síria

O presidente norte-americano aprovou uma lei que garante o envio de ajuda humanitária às minorias religiosas.

Donald Trump é cercado por líderes religiosos e legisladores no Salão Oval, ao assinar lei de ajuda humanitária. (Foto: Casa Branca/Shealah Craighead)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na terça-feira (11) uma legislação que pretende garantir que a ajuda humanitária chegue às minorias religiosas e étnicas no Iraque e na Síria, que foram alvo de genocídio por terroristas do Estado Islâmico (EI).

“Nos últimos anos, o EI tem cometido atrocidades terríveis contra minorias religiosas e étnicas na Síria e no Iraque, incluindo cristãos, yazidis, xiitas e outros grupos”, disse Trump, cercado por líderes religiosos na Casa Branca.

A Lei de Emergência e Responsabilidade sobre o Genocídio do Iraque e Síria direciona a assistência dos EUA às comunidades perseguidas, inclusive por meio de organizações religiosas. Também permite que agências governamentais ajudem grupos que estão investigando “atos desprezíveis”.

“Enquanto a administração Trump vem trabalhando para atender às necessidades dos alvos da campanha genocida do EI, essa nova lei dará outro impulso aos grupos de ajuda, incluindo grupos religiosos”, disse em nota o ativista evangélico Tony Perkins, que faz parte da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA.

“Até recentemente, grupos de ajuda operavam quase que exclusivamente com as doações privadas. No inverno, quando as doenças correm soltas, até mesmo as necessidades básicas, como comida, cobertores e remédios, são raras”, acrescentou Perkins.

Desde que centenas de milhares de cristãos foram expulsos de sua terra natal por causa do surgimento do Estado Islâmico em 2014, muitos ativistas cobraram do governo americano apoio às igrejas e grupos de ajuda, que dão suporte às comunidades minoritárias deslocadas.

No ano passado, uma das promessas do vice-presidente Mike Pence foi modificar a política dos EUA para que a assistência humanitária ao Iraque não passasse pelas Nações Unidas e fosse diretamente para organizações religiosas. Ainda assim, há uma preocupação que a ajuda não chegue aos cristãos perseguidos.

“Houve uma mudança notável desde agosto, com a chegada do enviado especial do vice-presidente para supervisionar o programa de ajuda no norte do Iraque”, disse Bashar Warda, arcebispo católico caldeu de Arbil, no Iraque, cuja arquidiocese é responsável por ajudar milhares de cristãos deslocados no Curdistão, ao The Christian Post.

“A ajuda começou a se mover para as cidades afetadas e as pessoas estão começando a ver a diferença. Ainda estamos aguardando alguns dos projetos mais importantes que apresentamos, mas entendo que começaremos a ver o financiamento para esses programas antes do Natal”, acrescentou.

STF publica a Íntegra da decisão do ministro Luiz Fux que determinou a prisão do terrorista comunista Cesare Battisti para fins de extradição

Leia a íntegra da decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão cautelar para fins de extradição do italiano Cesare Battisti. A determinação foi feita na Reclamação (RCL) 29066, que teve seguimento negado, e na Prisão Preventiva para Extradição (PPE) 891. “Com efeito, todos os requisitos para a extradição de Cesare Battisti já foram preenchidos, conforme reconhecido pelo Plenário deste Supremo Tribunal Federal nos autos da Extradição 1085”, afirmou o ministro.

Fux determinou ainda que o Ministério da Justiça e o presidente da República sejam informados sobre a “inexistência de óbice a eventual entrega de Cesare Battisti a país estrangeiro”. No dia 18 de novembro de 2009, o Plenário do STF autorizou a extradição de Cesare Battisti, condicionando sua entrega à Itália ao poder discricionário do presidente da República.