quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Chanceler dos EUA confirma segunda cúpula entre Trump e Kim

Chanceler dos EUA confirma segunda cúpula entre Trump e Kim

O chanceler dos EUA, Mike Pompeo, confirmou os preparativos para a próxima cúpula entre o presidente Donald Trump e o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, sejam realizados em algum lugar da Ásia no final de fevereiro.

Em entrevista à emissora Fox News, nesta quarta-feira (30), Mike Pompeo disse que os norte-coreanos concordaram que a segunda cúpula entre os dois líderes será realizada no final de fevereiro:

“FAREMOS ISSO EM ALGUM LUGAR DA ÁSIA. ESTOU ENVIANDO UMA EQUIPE PARA LÁ. ELES ESTÃO CAMINHANDO DESSA MANEIRA AGORA PARA ESTABELECER AS BASES PARA O QUE ESPERO SEJA UM PASSO ADICIONAL SUBSTANCIAL RUMO AO CAMINHO NÃO APENAS PARA A DESNUCLEARIZAÇÃO DA PENÍNSULA, MAS PARA UM FUTURO MAIS BRILHANTE PARA O POVO NORTE-COREANO.”

Pompeo não citou o local da cúpula, mas as especulações já começaram.

Autoridades e diplomatas disseram há duas semanas que o Vietnã estava ansioso para sediar a cúpula e duas fontes disseram à agência Reuters que Hanói estava se preparando para receber Kim Jong Un em uma visita de Estado.

Cingapura, onde Trump e Kim se encontraram em junho, e Bangcoc, na Tailândia, também foram citados como possibilidades para a cúpula, registra o “Sputnik“.

Pressionado, ditador comunista Maduro pede ajuda a religiosos: 'sou um cristão de verdade'

“A cada dia que passa estou mais crente e tenho mais fé em Deus e na força de Cristo”, declarou o ditador venezuelano.

Cada vez mais pressionado interna e externamente, o presidente venezuelano Nicolás Maduro disse que não renuncia, mesmo diante da grave crise política e social imposta ao país pelo seu regime, considerado ditatorial.

Se no passado ele atacou evangélicos e lideranças católicas que o criticavam, agora Maduro apela aos religiosos por apoio. Durante o “Congresso Venezuelano de Cristãos pela paz”, realizado nesta quarta (30), ele pediu que todos “rezem” por ele.

Transmitido pela televisão estatal, durante o que acabou sendo uma mistura de culto e comício, um pastor intercedeu a Deus pela vida do presidente, de seus ministros e dos membros das Forças Armadas. Também expulsou do país de “todo demônio de guerra, todo demônio de divisão”.

Ao lado de sua mulher, Cilia Flores e da vice-presidente Delcy Rodríguez, Maduro recebeu as orações e depois fez uma longa declaração:

“Peço-lhe que rezem por mim, peço que me deem suas bênçãos e peço a paz e o futuro da Venezuela”, disse Maduro, que acrescentou: “Peço toda a força, a sabedoria, peço amor suficiente para levar o país a um destino melhor, para um destino mais elevado”.

Autodeclarado católico, o presidente da Venezuela afirma ser alvo de um plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para matá-lo. “Eu sou um cristão de verdade, não um enganador, não como os fariseus hipócritas [referindo-se aos críticos]. Sou um cristão de Cristo. A cada dia que passa estou mais crente e tenho mais fé em Deus e na força de Cristo, porque ele me acompanha, me abraça, me protege com seu manto sagrado.”

Em diversas cidades do país, evangélicos têm convocado campanhas de oração pelo país. A maioria dos pastores já se manifestou favorável a que Juan Guaidó assuma a presidência.

A Confederação de Igrejas Cristãs na Venezuela reconheceu Guaidó com alguém “chamado para liderar a nação neste período de transição”. Os líderes evangélicos também pedem pelo “fim da ditadura”, clamando para que cesse “a usurpação da Presidência da República” e que sejam realizadas “com urgência eleições livres no âmbito de um acordo nacional.”

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Às vésperas da retomada do Congresso, Guedes e Onyx se reúnem

Por Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil Brasília

A dois dias da retomada das atividades legislativas na Câmara dos Deputados e no Senado, integrantes do governo Jair Bolsonaro intensificam conversas em torno de temas considerados prioritários. No topo da agenda que dependerá da negociação com o Congresso, está a reforma da Previdência cuja proposta é coordenada pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A equipe de Guedes defende urgência na tramitação do texto da reforma da Previdência como forma de acelerar o ajuste de contas. Guedes abriu a agenda de hoje (30), no Palácio do Planalto, com uma reunião que durou cerca de uma hora com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, responsável pelas articulações políticas de Bolsonaro. Não houve declarações.

A partir da próxima semana, o trabalho de Onyx deve aumentar com a chegada dos parlamentares que serão empossados na sexta-feira (1º). A previsão é que a proposta final da reforma da Previdência deve ser enviada para o Congresso até 28 de fevereiro.

Com mais de 20 anos como parlamentar, Onyx Lorenzoni, que chegou a ser apontado como um dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), deve encabeçar as negociações em torno do texto.

Há, ainda, a expectativa de Onyx ir a São Paulo nesta semana para conversar pessoalmente com o presidente Jair Bolsonaro, que se recupera da cirurgia para construção do trânsito intestinal, feita há dois dias no Hospital Albert Eisntein.

Como o desarmamento se transformou em um instrumento de tirania na Venezuela

Os venezuelanos estão indefesos contra um governo que destruiu suas liberdades civis e econômicas

Por José Niño, Instituto Mises Brasil

Estaria a Venezuela pagando o preço do desarmamento?

A natureza horrenda do colapso econômico da Venezuela já foi coberta ad nauseam por todos os veículos de comunicação. Entretanto, um aspecto da crise venezuelana que não recebe muita cobertura da mídia é o desarmamento da população imposto pelo governo.

A rede Fox News recentemente publicou um excelente artigo ressaltando o arrependimento dos venezuelanos em relação às políticas de desarmamento que o governo da Venezuela implantou em 2012. Eis alguns trechos.

Venezuelanos se arrependem de terem entregado suas armas ao governo

Cúcuta, fronteira da Colômbia com a Venezuela — À medida que a Venezuela sucumbe à ditadura socialista de Nicolás Maduro, cidadãos expressam seu lamento pelo dia em que foram forçados a entregar suas armas em razão da dura legislação implantada no país.

“Armas teriam servido como um pilar vital para manter o povo livre, ou pelo menos capaz de lutar”, disse Javier Vanegas, professor de inglês venezuelano exilado no Equador. “As forças de segurança do governo, no início deste desastre, sabiam que não teriam uma real resistência à sua força. Quando as coisas ficaram realmente ruins, tornou-se evidente que a medida foi uma clara declaração de guerra contra uma população desarmada.”

Sob o comando do então presidente Hugo Chávez, o Congresso venezuelano aprovou, em 2012, a “Lei do Controle de Armas, Munições e Desarmamento“, cujo objetivo explícito era “desarmar todos os cidadãos”. A posse de armas no país foi totalmente proibida. A lei entrou em vigor em 2013, proibindo por completo as vendas de armas e munição — exceto para entidades do governo.

Inicialmente, Chávez promoveu um programa de anistia, com meses de duração, estimulando os venezuelanos a trocarem suas armas por eletrodomésticos. Naquele ano, houve apenas 37 registros de entregas voluntárias de armas, sendo que a maioria das armas obtidas pelo governo — mais de 12.500 — foi na base da força.

Em 2014, já com Nicolás Maduro no poder, o governo investiu mais de US$ 47 milhões para impingir o desarmamento — o que inclui espetáculos públicos grandiosos de tratores destruindo armas em praças públicas.

Apenas podem ser proprietários de armas na Venezuela membros do governo. A restrição é tão abrangente que até mesmo estilingues e armas de pressão (airsoft) só podem transitar nas mãos dos agentes estatais, segundo informou um ex-vendedor de armas venezuelano, que hoje vende apenas produtos de pesca após a política desarmamentista do governo ganhar corpo.

A pena por vender ou possuir armas é de 20 anos de cadeia. […]

Desde abril de 2017, quase 200 manifestantes pró-democracia na Venezuela — armados principalmente com pedras — foram mortos a tiros pelas forças do governo. […]

“A Venezuela mostra como pode ser fatal os cidadãos serem privados dos meios de resistir às depredações de um governo criminoso”, disse David Kopel, analista político e diretor de pesquisa do Independence Institute e professor adjunto de Direito Constitucional Avançado da Universidade de Denver. “Os governantes venezuelanos — assim como seus semelhantes cubanos — aparentemente veem a posse de armas pelos cidadãos como um grande risco para a perpetuação do monopólio comunista do poder”.

Obviamente, o pretexto da legislação do desarmamento foi a “segurança da população”, “a redução da criminalidade” etc. A realidade, no entanto, é que cidadãos desarmados são presas fáceis e oferecem uma resistência menor àquele que detém o monopólio das armas: o Estado.

O governo venezuelano é hoje um dos mais tirânicos do mundo, com um comprovado histórico de violação das mais básicas liberdades civis, o que inclui proibir a liberdade de expressão e a imprensa livre, destruir a moeda nacional, confiscar a propriedade privada, e criar todos os tipos de controles econômicos que destroem a produtividade do país.

As eleições se mostraram totalmente inúteis, pois sempre foram repletas de denúncias de fraude, corrupção e manipulações do governo. Para muitos, pegar em armas era a única opção que restava para que o país se livrasse de seu governo tirânico. Entretanto, o governo venezuelano foi muito bem-sucedido em impedir essa insurreição popular ao aprovar e impingir o draconiano desarmamento da população, o qual será detalhado abaixo.

Nunca houve uma tradição pró-armas na Venezuela

Historicamente falando, a Venezuela nunca teve um robusto histórico de posse de armas, ao contrário da população americana. A ausência dessa tradição, e até mesmo a ausência de uma vigilância do povo sobre o monopólio governamental das armas, é um vestígio de seu legado colonial.

Seus conquistadores espanhóis não possuíam a cultura política da propriedade civil de armas de fogo. Durante a era colonial, eram majoritariamente os militares e a nobreza proprietária de terras que possuíam armas de fogo. Essa tradição se manteve mesmo após os países latino-americanos se tornarem independentes da Espanha nos anos 1820.

No século XX, a situação piorou, e a Venezuela iniciou suas primeiras tentativas de “modernizar” sua política desarmamentistas. Em 1939, o governo venezuelano implantou a Ley de Armas y Explosivos, a qual estabelecia o monopólio estatal sobre o uso de armas de fogo. O Estado passava a ser a única entidade que poderia possuir “armas de guerra”, as quais incluíam desde canhões, rifles, morteiros, metralhadoras, sub-metralhadoras até carabinas, pistolas e revólveres. Os civis podiam possuir rifles calibre .22 e espingardas. Em certas circunstâncias específicas, eles podiam ter revólveres, desde que obtivessem uma licença para isso.

O papel das ideias progressistas na consolidação do estatismo venezuelano

Ideias importam. Ideias têm poder.

Não é surpresa nenhuma que a Venezuela tenha embarcado nesta aventura desarmamentista no final da década de 1930. [N. do E.: “coincidentemente”, foi quando Getúlio Vargas também iniciou o desarmamento no Brasil]. Este foi um período em que o estatismo estava em voga em todo mundo, como pode ser comprovado pela ascensão do fascismo e do comunismo na Europa, e do New Deal nos Estados Unidos.

Com efeito, foi exatamente durante o New Deal que o governo americano fez sua primeira investida na seara do controle de armas com a aprovação do National Firearms Act (que aumentava impostos sobre a manufatura e transferência de determinadas armas, e exigia seu registro junto ao governo), em 1934.

Não obstante suas políticas desarmamentistas, a Venezuela ao menos ainda mantinha uma certa restrição ao envolvimento do governo na economia. Isso durou até o início da década de 1970.

A estatização de toda a indústria petrolífera na década de 1970 e as subsequentes recessões das décadas de 1980 e 1990 abalaram as bases institucionais da Venezuela. Consequentemente, o país se tornou propício para ser tomado por demagogos.

A agenda anti-armas de Hugo Chávez

Quando o socialista Hugo Chávez assumiu o poder, em 1999, as anteriores leis desarmamentistas da Venezuela não apenas foram mantidas intactas, como ainda foram expandidas. O artigo 234 da atual Constituição venezuelana (a 26ª da sua história) manteve o monopólio das armas de fogo com o Estado e colocou as Forças Armadas como a entidade responsável por regular todas as armas de fogo no país.

Em 2002, o governo venezuelano aprovou a primeira versão da Lei do Controle de Armas, Munições e Desarmamento, reforçando o férreo controle estatal sobre as armas no país. Uma década depois, a lei foi modificada para aprofundar e expandir o escopo do desarmamento, entregando às Forças Armadas o poder exclusivo de controlar, registrar e confiscar as armas.

Sob a justificativa de estar combatendo a criminalidade, o governo venezuelano finalmente implantou a proibição total de toda a venda de armas e munições em 2012 [N. do E.: com o entusiasmado apoio da Viva Rio, vale ressaltar].

Como outros episódios de desarmamento, tal medida se comprovou completamente fútil na redução da criminalidade. De acordo com as estatísticas do Observatório da Violência venezuelano, a taxa de homicídios do país disparou de 73 assassinatos por 100.000 pessoas em 2012 para 91,8 assassinatos por 100.000 pessoas em 2016.

Desarmamento: transformando os cidadãos em reféns desarmados

Os venezuelanos estão hoje completamente indefesos contra um governo que diariamente destroça suas liberdades civis e econômicas. Um governo que impede sua liberdade de expressão, que confisca sua propriedade privada, que expropria sua riqueza, que destrói sua moeda e seu poder de compra, que empurra suas mulheres para a prostituição e que literalmente mata a população de fome.

Como se não bastasse, os venezuelanos também têm de lidar com a criminalidade desenfreada e com a constante ameaça dos colectivos, que são as infames unidades paramilitares pró-governo que assassinam pessoas consideradas inimigas do regime.

Embora uma política desarmamentista, por si só, não leve automaticamente para tirania, eventos históricos nos lembram que mesmo intervenções bem-intencionadas feitas por governos anteriores podem ser utilizadas por governos subsequentes para propósitos nefastos. A proibição, o confisco e mesmo a exigência de registro de armas dão ao estado o monopólio prático da violência, desta maneira transformando os cidadãos em meros reféns passivos e indefesos.

Quando a realidade se impõe, uma população desarmada simplesmente não tem nenhuma chance de oferecer resistência a um Leviatã muito bem armado e detentor do monopólio das armas.

Por fim, vale a lição: turbulências políticas e tentações autoritárias podem surgir a qualquer momento e em qualquer país, e os cidadãos têm de ter um meio final de se protegerem caso todas as opções institucionais estejam exauridas. Cidadãos armados impõem um limite natural à tirania do Estado.

José Niño nasceu na Venezuela, faz mestrado na universidade de Fort Collins, Colorado. Já morou no Chile, na Venezuela e nos EUA. Atualmente, ele é analista do Círculo Acton http://www.actonchile.cl/, do Chile

https://www.epochtimes.com.br/como-desarmamento-transformou-instrumento-tirania-venezuela/

No hospital, Bolsonaro reassume a Presidência e retoma trabalhos

Uma sala foi montada para que o presidente e sua equipe possam trabalhar nos próximos dias

O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante encontro de trabalho. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Dois dias após passar por uma cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, o presidente Jair Bolsonaro reassumiu a Presidência montando uma central de trabalho dentro do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Com previsão de permanecer hospitalizado até a próxima semana, Bolsonaro declarou nas redes sociais que está com sua equipe trabalhando com afinco.

“Reassumo as funções da Presidência da República. Entre exercícios e fisioterapia, os trabalhos que já vinham sendo tocados pela nossa equipe seguem com afinco”, escreveu.

O presidente voltou a agradecer ao carinho e orações que tem recebido de seus apoiadores durante este período de recuperação. “O apoio que estou recebendo será fundamental para minha total recuperação. Muito obrigado! Um forte abraço a todos!”


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Rede Goebbels volta a debochar de Bolsonaro durante o Fantástico


Série de imagens ironizando o presidente e sua equipe deixaram os internautas indignados

Durante o programa Fantástico deste domingo (27), a Rede Globo voltou a debochar de Jair Bolsonaro, trazendo uma série de situações que aconteceu ao longo desta semana, como a participação do presidente no Fórum Econômico Mundial.

O programa mostrou um “suposto ataque de hacker” que interrompeu o apresentador Tadeu Schmidt, fazendo críticas ao presidente.

O vídeo debochou do erro de Marcus Vinícius Rodrigues, responsável pelo ENEM no governo Bolsonaro, que falou em um discurso a palavra “cidadões”.

Além do ato falho de Rodrigues, a atração dominical da Globo também ironizou as ausências do Presidente, Paulo Guedes e Sérgio Moro no Fórum Econômico Mundial usando uma imagem de novela dizendo: “Eles sumiram, deram a volta na gente”.

O meme “Barbie Fascista” também apareceu no vídeo falando sobre privilégios e, para terminar, ironizou a fala de Bolsonaro sobre o Meio Ambiente usando imagens do acidente em Brumadinho.

A série de deboches foi discutida nas redes sociais, para muitos apoiadores do novo presidente, a emissora carioca “foi longe demais”.

Após mais de 8 horas, cirurgia de Bolsonaro termina com êxito

Retirada de bolsa de colostomia do presidente foi encerrada no hospital Albert Einstein.

Terminou na tarde desta segunda-feira (28) a cirurgia para religar intestino do presidente Jair Bolsonaro. A operação aconteceu no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e teve quase nove horas de duração.

Segundo o Palácio do Planalto, a cirurgia foi realizada “com êxito” e um boletim médico deve ser divulgado no final da tarde pela equipe médica.

Bolsonaro se internou no domingo (27) e o procedimento médico foi iniciado às 6h30 desta segunda-feira. O trabalho da equipe médica era remover a bolsa de colostomia e religar o trânsito intestinal do presidente. A recuperação deve demorar cerca de dez dias.

Crise na Venezuela: como a situação do país pode se transformar em uma disputa global

De acordo com a revista Americas Quarterly, bancos públicos chineses emprestaram mais de US$ 62 bilhões para a Venezuela, entre 2005 e 2017

Na última quarta-feira, conforme os protestos que pediam a renúncia do presidente Nicolás Maduro se intensificavam, o líder da oposição Juan Guaidó se declarou presidente interino do país. Em seguida, rapidamente Guaidó recebeu apoio dos Estados Unidos, Brasil, Canadá, Colômbia e Argentina.

Além disso, a União Europeia pediu que fossem convocadas novas eleições e expressou seu apoio à Assembleia Nacional da Venezuela, liderada por Guaidó. Mas há um pequeno grupo de países que apoiam Maduro, entre eles Rússia e China.

Na quinta-feira, Moscou alertou que a declaração de Guaidó é um "caminho para a ilegalidade e o derramamento de sangue". "Nós alertamos contra esse tipo de aventura, repleta de conseqüências catastróficas", disse o Ministro do Exterior russo.

Também na quinta-feira, o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Hua Chunying, afirmou que a China é contrária a qualquer "intromissão" estrangeira na Venezuela. "A China apoia os esforços da Venezuela para preservar sua soberania nacional, independência e estabilidade", disse.

"A China sempre defendeu o princípio de não interferência em assuntos internos de outros países, e se opõe à intromissão externa na Venezuela."

Turquia, Irã, México, Cuba e outros países também declararam apoio a Maduro. Segundo o porta-voz da Presidência da Turquia, Ibrahim Kalin, o presidente do país, Recep Erdogan, telefonou para Maduro para manifestar seu apoio e disse: "Irmão Maduro, fique firme, estamos do seu lado". Kalin ainda compartilhou a hashtag #WeAreMADURO (nós somos Maduro, em tradução livre).
Venezuela corta laços com os Estados Unidos

A tensão internacional em torno do destino da Venezuela deve continuar, já que os Estados Unidos e o país estão trocando farpas.

Pouco depois de Donald Trump reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela, Maduro afirmou que estava cortando laços políticos e diplomáticos com os Estados Unidos. O venezuelano disse que "todo o corpo diplomático e equipe consular dos Estados Unidos da América na Venezuela" tinha 72 horas para deixar o país.

Mas, a seguir, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou que os Estados Unidos não iriam ter relações diplomáticas com o governo de Maduro, mas com o de Guaidó: "Os Estados Unidos não consideram que o ex-presidente Nicolas Maduro tenha autoridade legal para romper relações diplomáticas com os Estados Unidos ou para declarar nossos diplomatas persona non grata".
'Opção militar' contra a Venezuela

Em 2017, o presidente Trump havia declarado pela primeira vez em público que não descartava uma "opção militar" na Venezuela.

Agora, o americano tratou do assunto novamente, durante uma entrevista na Casa Branca. "Não estamos considerando nada, mas todas as opções estão na mesa", disse. "Todas as opções, sempre, todas as opções estão na mesa".

Segundo a imprensa americana, Trump poderia impor sanções ao petróleo da Venezuela, atingindo a maior fonte de receitas do país. Mas essa medida teria um efeito direto na capacidade da Venezuela de pagar empréstimos bilionários tanto da Rússia como da China.

No mês passado, em Moscou, Maduro e o presidente russo, Vladimir Putin, assinaram acordos para a exportação russa de trigo para a Venezuela, bem como acordos de US$ 6 bilhões (R$ 22,7 bilhões) nos setores de petróleo e mineração.

Durante o boom do petróleo, a Venezuela era uma grande compradora de equipamento militar russo, desde aeronaves até lançadores de mísseis portáteis. Após o encontro entre os presidentes em Moscou, militares russos voaram até Caracas com dois aviões de bombardeio com capacidade para carregar bombas atômicas. O objetivo declarado foi realizar um exercício militar com as forças venezuelanas.

Para Miriam Lanskoy, diretora do National Endowment for Democracy, organização sem fins lucrativos americana, a aparição das aeronaves em Caracas foi um lembrete de que a Rússia ainda projeta seu poder militar no Ocidente.

A chegada dos bombardeiros russos a Caracas irritou os Estados Unidos

'Movimento coordenado'

Mais um confronto direto entre a Rússia e os Estados Unidos pode ser evitado, dependendo ao papel que os vizinhos da Venezuela desempenham na crise. O repórter da BBC Vladimir Hernandez diz que a rápida sucessão de apoios na América Latina a Guaidó sugere um "movimento coordenado" para escantear o regime bolivariano de Maduro.

"É um movimento sem precedentes. Foi extraordinário ver como foi coordenado. Assim que os Estados Unidos reconheceram Guaidó, você passou a ver todos esses países (fazendo o mesmo) segundos, minutos depois", disse.

Por diversas vezes, Maduro acusou a Colômbia e os Estados Unidos de estarem por trás de tentativas para desestabilizar o governo. Também acusou Bogotá de participar de uma tentativa de assassinato fracassada, usando um drone, em agosto do ano passado.

No Fórum Econômico Mundial de Davos, o presidente colombiano Ivan Duque disse que Maduro deveria "renunciar e deixar o povo venezuelano ser livre".
'Brasil diz que não participa de intervenção'

O colombiano Duque foi questionado se uma intervenção militar na Venezuela era uma possibilidade. "Nós não estamos falando de intervenção militar. Nós estamos falando sobre um consenso diplomático e o apoio do povo venezuelano".

O vice-presidente brasileiro, General Hamilton Mourão, foi na mesma direção: "O Brasil não participa de intervenção". Mourão disse ainda que o governo brasileiro iria dar "apoio econômico, no futuro, se isso fosse necessário para reconstruir o país" (após a saída de Maduro).

Durante a campanha presidencial do ano passado, Mourão havia dito que o Brasil deveria enviar tropas "como parte de uma missão internacional de paz".

Adido militar venezuelano nos EUA rompe com governo Maduro

O principal enviado militar da Venezuela aos Estados Unidos rompeu com o governo do presidente Nicolás Maduro no sábado, enquanto o país sul-americano disse que os dois países reduziram suas missões diplomáticas a equipes mínimas.

O atrito diplomático e a deserção foram desencadeados pelo reconhecimento do líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

EUA, Canadá e a maioria dos países latino-americanos, incluindo o Brasil, disseram que a vitória eleitoral de Maduro no segundo mandato foi fraudulenta.

“Hoje falo ao povo da Venezuela, e especialmente aos meus irmãos nas Forças Armadas da nação, para reconhecer o presidente Juan Guaidó como o único presidente legítimo”, disse o coronel José Luis Silva em um vídeo gravado na embaixada em Washington, sentado ao lado da bandeira venezuelana.

Silva disse à Reuters em Washington que um funcionário consular em Houston e outro em outra cidade dos EUA também reconheceu Guaidó, mas que ele era o único diplomata em Washington que ele sabia ter dado esse passo.

A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente outros desertores. “Os altos escalões militares e do Poder Executivo estão mantendo as Forças Armadas como reféns. Há muitos, muitos que estão insatisfeitos”, disse Silva.

“Minha mensagem para as Forças Armadas é: ‘Não maltrate seu povo’. Recebemos armas para defender a soberania de nossa nação e nunca nos treinaram para dizer: ‘Isto é para você atacar seu povo, defender o atual governo no poder’.”

Embora pequenas rebeliões contra Maduro tenham ocorrido nas Forças Armadas da Venezuela nos últimos meses, não houve nenhuma revolta militar em grande escala contra ele.

Enquanto países se voltam contra Maduro, líder venezuelano desfila com militares

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, supervisionou uma demonstração de equipamentos russos de seu Exército neste domingo para mostrar força militar e lealdade diante de um ultimato internacional por novas eleições.

Maduro, de 56 anos, enfrenta um desafio sem precedentes à sua autoridade depois que o líder de oposição Juan Guaidó se declarou presidente interino após declarar como fraudulenta a última eleição. Guaidó conseguiu apoio internacional e oferece anistia aos militares que se juntarem a ele. No domingo, foi a vez de Israel se juntar a outros países para apoiar o novo líder de 35 anos. 

No início de domingo Maduro, ao lado de seu ministro da Defesa, Vladimir Padrino, acompanhou disparos de lançadores de granadas, de baterias anti-aéreas e de tanque em alvos numa colina levantando nuvens de fumaça e poeira no Forte de Paramacay, uma base de veículos blindados. 

Maduro disse que a exibição demonstrava ao mundo que ele tem o apoio dos militares, e que as Forças Armadas venezuelanas estão prontas para defender o país. Maduro diz que Guaidó está fazendo parte de uma tentativa de golpe dirigida pelos assessores linha dura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

“Ninguém respeita os fracos, covardes, traidores. Neste mundo quem é respeitado são os corajosos, os bravos, o poder”, disse Maduro. 

A demonstração de força foi acompanhada por uma campanha de publicidade online do governo baseada no slogan “Sempre leal, nunca um traidor” e seguiu a deserção do principal diplomata militar do país nos Estados Unidos no sábado. 

O Forte de Paramacay, cerca de duas horas a oeste da capital Caracas, foi ele próprio o local de um levante em 2017, quando um grupo de cerca de 20 soldados e civis armados atacaram a base. O líder do ataque, que foi rapidamente dominado, pedia um governo de transição. 

Guaidó também enviou uma mensagem aos militares neste domingo, pedindo seu apoio e ordenando que não reprimissem civis durante um evento em que partidários entregariam cópias de uma proposta de anistia para pessoas acusadas de crimes no governo de Maduro.

“Eu ordeno que vocês não atirem”, disse Guaidó. “Eu ordeno que vocês não reprimam as pessoas.”

Em debate no Conselho de Segurança da ONU no sábado, Rússia e China apoiaram fortemente Maduro e rejeitaram pedidos dos Estados Unidos, Canadá, e dos países latino-americanos e potências europeias por eleições antecipadas. 

Tanto Rússia quanto China são grandes credores da Venezuela. Desde o governo do antecessor de Maduro, Hugo Chávez, o país membro da Opep investe significativamente em armamentos russos, incluindo caças Sukhoi e blindados pesada. 

Em uma entrevista à CNN turca que foi transmitida no domingo, Maduro rejeitou o ultimato internacional para convocar novas eleições em oito dias e disse que Guaidó violou a Constituição ao se autodeclarar presidente interino. Maduro também disse que está aberto ao diálogo. 

Reino Unido, Alemanha, França e Espanha disseram que reconhecerão Guaidó se Maduro não convocar novas eleições em oito dias, um ultimato que a Rússia classificou como “absurdo” e que o ministro venezuelano das Relações Exteriores chamou de “infantil”.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Israel envia 130 soldados e equipe médica para ajudar nas buscas em Brumadinho

Forças de Defesa de Israel dizem que “a distância não importa quando há vidas para serem salvas”

Após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), que deixou dezenas e mortos e centenas de desaparecidos, o governo de Israel decidiu enviar ajuda humanitária ao Brasil

Um avião com 130 soldados, que partiu de Jerusalém, chegará ao aeroporto de Confins (MG) perto das 23h deste domingo. Além de militares, o governo israelense enviará uma equipe médica, especialistas e engenheiros.

Com ampla experiência no socorro após desastres, as equipes estrangeiras ajudarão nas buscas, utilizando equipamentos desenvolvidos em Israel. Segundo o que foi anunciado, eles trazem cães farejadores e sonares usados em submarinos para localizar pessoas em grandes profundidades, com alta qualidade de recepção de imagem e detectores de vozes e ecos.

A missão será chefiada pelo embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley. Ele recebeu a incumbência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que conversou por telefone com o presidente Jair Bolsonaro por telefone neste sábado (26).

Em sua conta oficial no Twitter, as Forças de Defesa de Israel declaram que “a distância não importa quando há vidas para serem salvas, mas sim o quanto se está disposto a ir salvá-las”.

As comunidades judaicas de São Paulo e do Rio de Janeiro também se mobilizam para enviar ajuda às vítimas da tragédia em solo mineiro.

General Mourão ficará no exercício da Presidência por 48h

O vice-presidente, Hamilton Mourão, assumirá amanhã (28) o exercício da Presidência da República por 48 horas, período de convalescença do presidente Jair Bolsonaro, da cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia. A informação foi confirmada pelo porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

Bolsonaro será submetido à cirurgia de retirada da bolsa de colostomia, que usa desde setembro do ano passado após ter sofrido uma facada. Será a terceira cirurgia do presidente em quatro meses após ter sofrido o atentado em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O porta-voz informou que Mourão exercerá a Presidência no período da cirurgia e por 48 horas após o procedimento. O governo federal optou por seguir a orientação médica e ampliar o período.

Mourão deverá comandar na terça-feira (29) a reunião ministerial, que Bolsonaro passou a realizar uma vez por semana, no Palácio do Planalto.
Cirurgia


A previsão é que o período de recuperação do presidente dure dez dias. Porém, o porta-voz da Presidência informou que Bolsonaro pretende despachar do próprio Hospital Albert Einstein.

Rêgo Barross disse que deverá haver briefings diários no hospital para detalhar o estado de saúde do presidente e as atividades previstas para o dia seguinte. Os boletins médicos de Bolsonaro serão emitidos pelo Albert Einstein, porém a divulgação ficará sob “tutela” do porta-voz.

Cirurgia de Bolsonaro está confirmada para esta segunda-feira

Hospital informou que exames pré-operação estão normais

Por Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil São Paulo

Foram normais os resultados da avaliação clínica pré-operatória, exames laboratoriais e de imagem feitos pelo presidente Jair Bolsonaro na tarde de hoje (27), segundo boletim médico divulgado há pouco pelo Hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde está internado.

Presidente Jair Bolsonaro passará por cirurgia nesta segunda-feira (28) para retirada de bolsa de colostomia - Reprodução/Twitter de Jair Bolsonaro

A cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal está confirmada para amanhã. No procedimento, ocorrerá a retirada da bolsa de colostomia, que o presidente passou a usar desde setembro do ano passado após ter sofrido uma facada.

Bolsonaro foi esfaqueado em um ato de campanha, em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro. A facada atingiu o intestino e o então candidato foi submetido a duas cirurgias, uma na Santa Casa de Juiz de Fora e outra no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A bolsa de colostomia utilizada por ele por cerca de quatro meses funciona como um intestino externo e possibilita a recuperação do intestino grosso e delgado.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Um novo Supremo para 2019

Alterações na composição do STF não são desejáveis em 2019, mas é preciso que a corte recupere a confiança da sociedade para realizar a missão de guarda da Constituição

(Andressa Anholete/AFP/Getty Images)

Por Francisco Zardo, Agência Migalhas

Na véspera do recesso do Judiciário, o ministro Marco Aurélio, do STF, concedeu liminar na ADC 54 para determinar a libertação dos presos condenados em segunda instância sem trânsito em julgado. Cinco horas depois, o presidente do STF, Dias Toffoli, acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República e suspendeu a liminar, justificando que ela contrariava a orientação do plenário da corte, pois, em outubro de 2016, em julgamento colegiado, o STF indeferiu liminar pleiteada nas ADCs 43 e 44, que versavam matéria idêntica.

Meses atrás, os protagonistas foram outros, mas o enredo foi o mesmo. O ministro Ricardo Lewandowski autorizou a Folha de S.Paulo a entrevistar Lula na prisão. No mesmo dia, o ministro Luiz Fux suspendeu liminarmente a autorização. Em nova manifestação, Lewandowski reafirmou sua ordem, qualificando de esdrúxulo e teratológico o ato de seu colega. Diante de determinações contraditórias, o ministro da Segurança Pública indagou ao presidente do STF qual dos provimentos cumprir. Toffoli manteve a deliberação de Fux, encerrando o frenesi decisório.

Em 2019, além da posse do presidente da República, tivemos o início de uma nova legislatura no Congresso, com recorde de renovação. Alterações na composição do Supremo não estão no horizonte e nem são desejáveis, pois envolveriam inaceitável ruptura com a ordem constitucional vigente. Ainda assim, grassa na sociedade o anseio por um novo comportamento das autoridades, o que nos permite almejar mudanças em alguns hábitos no STF.

Sem servilismo, mas também sem recorrer à crítica fácil e pouco construtiva, antes adotando uma perspectiva que Ariano Suassuna definiu como “realista esperançosa”, acredito que o Supremo está à altura do desafio. Embora parte da população desconheça, entre seus integrantes há juízes de carreira com décadas de experiência, professores das principais faculdades de Direito do país, autores de prestigiadas obras jurídicas e profissionais com a habilidade política da qual o órgão de cúpula de um dos poderes da República não pode prescindir.

Tal qual a multidão de brasileiros que, na noite de réveillon, pula sete ondas em busca de renovação e realização no ano vindouro, sete são os meus desejos para o STF.


Urbanidade e serenidade, deveres que o artigo 35 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) impõe a todo magistrado. Os ministros não precisam ser amigos, mas, como em qualquer organização, especialmente se suas reuniões são televisionadas, cortesia e respeito mútuo são condições essenciais para a abertura ao diálogo e para a construção de soluções coletivas.

Autocontenção. O artigo 36 da Loman veda a manifestação, nos meios de comunicação, de opinião sobre processos pendentes e de juízo depreciativo sobre decisões de outros juízes. Não se almeja para o Supremo uma espécie de paz de cemitério, nefasta às democracias plurais. A posição dos ministros do STF é ansiosamente aguardada pela nação, sobretudo nos temas mais complexos. Mas há o local e o momento adequado para que ela seja externada: os autos e as sessões de julgamento, ressalvadas as obras técnicas e o exercício do magistério.

Brevidade. As sessões plenárias se realizam em apenas duas tardes por semana. É um tempo precioso. Para aproveitá-lo, não é necessário que cada um dos 11 ministros leia todo o voto escrito, especialmente se não for o relator e se o entendimento for convergente aos já manifestados. Durante a sessão, basta enunciar uma síntese dos fundamentos, cuja íntegra constará no acórdão. A brevidade deve ser observada também na duração dos pedidos de vista, a fim de que o julgamento prossiga até a segunda sessão subsequente, como preceitua o regimento interno da corte.

Julgamento dos processos, preferencialmente, segundo a ordem cronológica, como determina o artigo 12 do Código de Processo Civil. Ainda tramita no STF a ação cível originária 158, proposta em 1969. Não se descura que o julgamento de determinados processos deverá ser antecipado em razão de sua relevância social, política, econômica ou jurídica. Mas a observância, sempre que possível, do critério temporal conferirá transparência à formação da pauta e isonomia às partes interessadas.

Prudência na prolação de decisões monocráticas (individuais) nas ações de competência originária, nas quais o STF é a única instância. Consoante o arguto diagnóstico do professor Oscar Vilhena Vieira no seu recente A Batalha dos Poderes, “a autoridade do STF não pode ser exercida de forma fragmentada por cada um de seus ministros. (…) O exercício da colegialidade é fundamental tanto para salvaguardar a integridade do tribunal como para conferir maior autoridade à sua jurisprudência”.

Respeito de cada ministro às decisões colegiadas, ainda que divergentes do seu posicionamento pessoal. Conforme o lúcido pensamento de Luiz Guilherme Marinoni em Precedentes obrigatórios, “o poder do juiz não depende da circunstância de ele estar livre para decidir, mas sim da circunstância de ele fazer parte de um poder que se respeita, que é respeitado e que se faz respeitar”.

Por fim, espera-se que, apesar dos dissensos que naturalmente continuarão a existir, o STF recupere a confiança da sociedade na realização da sua relevante missão de guarda da Constituição. Parafraseando Valter Hugo Mãe: ser o que se pode é a suprema felicidade.

Francisco Zardo é mestre em Direito de Estado e professor de Direito Administrativo, diretor do Instituto dos Advogados do Paraná, advogado no Escritório Professor René Dotti

Grupo terrorista muçulmano Hezbollah declara apoio ao regime comunista de Nicolás Maduro

Os vínculos entre este grupo terrorista e o regime de Maduro foram denunciados em diversas ocasiões por diferentes nações

Nicolás Maduro (esq.) (Luis Robayo/AFP/Getty Images) e o chefe do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah (Anwar Amro/AFP/Getty Images)

Por Jesús de León, Epoch Times

A organização extremista Hezbollah emitiu um comunicado para expressar seu apoio ao ditador comunista Nicolás Maduro, depois que Juan Guaidó assumiu o cargo de presidente interino da Venezuela.

A comunidade internacional deu seu apoio maciço e contundente a Juan Guaidó como rejeição ao usurpador Maduro.

Apenas um pequeno grupo de países permaneceu na lista dos que ainda apoiam o regime do ditador chavista, e a essa pequena lista foi acrescentado o grupo terrorista Hezbollah.

Na declaração emitida pela organização extremista libanesa, seus membros expressaram repúdio pelo que chamam de uma tentativa de golpe contra “a autoridade legítima do país”, Maduro.
Na mensagem eles expressam também seu apoio a Maduro contra os Estados Unidos.

O grupo terrorista acusa Washington de querer desestabilizar a Venezuela e argumenta que o autoproclamado novo presidente não receberá legitimidade internacional, o que foi prontamente desmentido pelo enorme apoio mundial dado a Juan Guaidó.

A informação foi divulgada pela tv Al Manar, canal via satélite pertencente ao Hezbollah que é transmitida de Beirute, de acordo com o site de notícias argentino Infobae.

Os vínculos entre este grupo terrorista e o regime de Maduro foram denunciados em diversas ocasiões por diferentes nações.

O ex-vice-presidente da Venezuela, El Aissami, está na mira das autoridades norte-americanas há quase uma década, quando dezenas de passaportes falsos venezuelanos acabaram nas mãos de cidadãos do Oriente Médio, incluindo supostos membros do grupo libanês Hezbollah.

Segundo o Infobae, El Aissami foi investigado durante anos pelo FBI e pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos devido a suas possíveis ligações com o Hezbollah e o narcotráfico.

Dados rastreados pelo FBI revelaram que entre 2008 e 2012, época em que El Aissami era ministro, a Venezuela tornou-se um “trampolim” para os militantes do Hezbollah que pretendiam entrar nos Estados Unidos.

“A maioria dos que vieram para a Venezuela eram do Irã, Líbano e Síria”, segundo Joseph Humire, diretor executivo do Centro para a Sociedade Livre e Segura (SFS).

Outra fonte que confirma esse vínculo é o site Insightcrime.org: “O vice-presidente da Venezuela também está envolvido em uma ‘ponte terrorista-criminosa'” com militantes islâmicos e o envio de fundos ilícitos para o Oriente Médio, informou o site.

Venezuela - Mercenarios Russos do Grupo Wagner em ação no país

Agentes ligados ao Kremlin ajudam a proteger Maduro na Venezuela, dizem fontes
Mercenários ou Private Military Company Russos operando na Ucrânia.

Por Maria Tsvetkova e Anton Zverev

MOSCOU (Reuters) - Mercenários contratados pela Rússia para missões militares secretas se dirigiram nos últimos dias à Venezuela para reforçar a segurança do presidente Nicolás Maduro, que enfrenta protestos de oposicionistas apoiados pelos Estados Unidos, de acordo com duas pessoas próximas a essas companhias.

Uma terceira fonte próxima aos russos também disse à Reuters haver um grupo de pessoas contratados por Moscou na Venezuela, mas não pôde precisar quando chegaram ou qual função iriam cumprir.

A Rússia, que tem apoiado o governo socialista de Maduro com bilhões de dólares, prometeu nesta semana manter-se leal a ele depois de o líder oposicionista Juan Guaidó ter se autoproclamado presidente interino, com o respaldo de Washington.

Trata-se da mais recente crise internacional a contrapor as superpotências mundiais, com os EUA e a Europa apoiando Guaidó, enquanto Rússia e China defendem a não interferência.

Yevgeny Shabayev, líder de um braço local de um grupo paramilitar ligado aos terceirizados russos, disse saber da existência de cerca de 400 russos contratados para atuar na Venezuela. Mas as outras fontes falaram em grupos menores.

O Ministério da Defesa russo e o Ministério da Informação venezuelano não responderam a pedidos de comentário sobre as empresas contratadas. Mas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou: “não temos tal informação”.

Os terceirizados estão associados ao chamado grupo Wagner, cujos membros, a maioria ex-agentes de segurança, já combateram clandestinamente em apoio às forças russas na Síria e na Ucrânia, de acordo com entrevistas feitas pela Reuters com dezenas de contratados, seus amigos e parentes.

Uma pessoa que acredita-se trabalhar para o grupo Wagner não respondeu a uma mensagem com pedidos de informação.

Ao citar contatos no aparato de segurança russo, Shabayev disse que o contingente que voou para a Venezuela se dirigiu ao país no início da semana, um ou dois dias antes de começarem os protestos da oposição.

Ele disse que os terceirizados partiram em dois aviões fretados para Havana, em Cuba, onde foram transferidos para voos comerciais em direção à Venezuela. O governo cubano, que pelas duas últimas décadas tem sido um aliado próximo do governo socialista venezuelano, não respondeu a pedidos de comentário.

A tarefa dos terceirizados russos na Venezuela seria proteger Maduro de qualquer tentativa de prendê-lo por parte de simpatizantes da oposição infiltrados nas forças de segurança, disse Shabayev. “Nosso pessoal está lá para sua proteção direta”, disse.

CONEXÃO CUBANA

Ele disse que o grupo partiu em dois aviões fretados para Havana, Cuba, de onde foram transferidos para vôos comerciais regulares para a Venezuela. O governo cubano, um aliado próximo dos socialistas dominantes da Venezuela nas últimas duas décadas, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A tarefa dos contratados na Venezuela era proteger Maduro de qualquer tentativa de simpatizantes da oposição em suas próprias forças de segurança para detê-lo, disse Shabayev.

"Nosso pessoal está lá para garantir a proteção de MAduro", disse ele.

Autoridades venezuelanas afirmaram ter reprimido na segunda-feira uma tentativa de revolta de oficiais militares desonestos a cerca de um quilômetro do palácio presidencial em Caracas.

Maduro, o sucessor de 56 anos de idade de Hugo Chávez, só toma as ruas em situações cuidadosamente controladas, desde que as multidões o atacaram no passado.

Uma das duas fontes russas anônimas, que é próxima do grupo Wagner e lutou em conflitos estrangeiros, disse que os mercenários chegaram antes da eleição presidencial de maio de 2018, mas outro grupo chegou "recentemente".
Perguntado se a implantação estava ligada à proteção de Maduro, a fonte disse: "Está diretamente conectado". Os mercenários voaram para a Venezuela, não de Moscou, mas de outros países, onde eles estavam conduzindo missões, acrescentou.

A terceira fonte, próxima dos mercenários, disse que havia um contingente na Venezuela, mas não pôde fornecer mais detalhes.

"Eles não chegaram em uma grande grupo", disse ele.

Dados de rastreamento de vôos disponíveis publicamente mostraram uma série de aviões do governo russo pousando na Venezuela ou nas proximidades dela nas últimas semanas, embora não houvesse evidências de que os vôos estivessem conectados a mercenários ou cargas militares.

Uma aeronave de transporte russo Ilyushin-96 voou para Havana na quarta-feira depois de iniciar sua jornada em Moscou e voar via Senegal e Paraguai (?), segundo os dados.

EUA, Rússia intensificam posições opostas em Maduro

A aeronave, um jato civil, é de propriedade de uma departamento da administração presidencial russa, de acordo com um contrato de aquisição publicamente disponível relacionado ao avião.

Entre 10 de dezembro e 14 de dezembro do ano passado, uma aeronave de carga pesada Antonov-124 e uma aeronave de transporte Ilyushin-76 realizaram voos entre a Rússia e Caracas, segundo dados de rastreamento de voos. Outro Ilyushin-76 esteve em Caracas de 12 de dezembro a 21 de dezembro do ano passado. Todas as três aeronaves pertencem à força aérea russa, de acordo com os dados de rastreamento.


Forças russas operando na Síria

Venezuela tem situação emergencial em violações de direitos, diz ONG

Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil São Paulo

A Venezuela tem a situação mais emergencial em relação a violações de direitos humanos nas Américas, avalia o Human Rights Watch (HRW). A organização não governamental (ONG) divulgou hoje (17) um relatório sobre os abusos das garantias básicas das populações em todo o mundo. “A situação mais grave de violações a direitos humanos nesta região, sem dúvida, é a Venezuela”, enfatizou o diretor da divisão das Américas da HRW, José Miguel Vivanco.

Entre os problemas enfrentados pelo país estão, segundo a ONG, a restrição das liberdades políticas, a falta de independência entre os poderes e a crise humanitária. “Há uma crise humanitária gravíssima, com falta de alimentos, remédios, que levam aos venezuelanos a sair do país massivamente. Fugir dessa situação ditatorial”, acrescentou Vivianco.

O relatório cita que, em 2017, o Ministério da Saúde da Venezuela divulgou dados apontando para um aumento de 65% na mortalidade materna, 30% na mortalidade infantil e 76% de crescimento nos casos de malária. A partir de informações da Cáritas, organização vinculada à Igreja Católica, o documento diz ainda que a parcela de crianças que sofre de desnutrição grave ou moderada passou de 10% em fevereiro de 2017 para 17% em março de 2018.
Refugiados

O desabastecimento de alimentos e outros itens básicos, além da crise econômica, têm levado a muitos venezuelanos a deixar o país. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados citados pelo relatório apontam que até novembro do ano passado três milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde o início do êxodo, em 2014, quase 10% da população do país, estimada em 32 milhões de habitantes.

Desses, 57,6 mil solicitaram refúgio no Brasil entre janeiro de 2014 e julho de 2018. O relatório destaca que apesar das fronteiras brasileiras terem sido mantidas abertas, houve graves ataques xenófobos contra os venezuelanos no país.

Miguel Vivanco disse que a organização não faz um ranking dos países com maiores violações de direitos humanos, mas ressaltou que a situação na Venezuela é “de maior emergência” na região. Segundo ele, o país sofre com a onda de governos populistas que vêm surgindo em diversas partes do mundo. “O problema central hoje a nível global para o exercício e respeito dos direitos humanos é a proliferação de governos populistas”, disse.

Esses governos, de acordo com ele, fazem esforços para se manter no poder além do previsto pelas regras democráticas, atacam os meios de comunicação independentes e a sociedade civil, governam pelas redes sociais e buscam controlar o Poder Judiciário.
Colaboração regional

Miguel Vivianco disse que celebra o fato do governo brasileiro atual, de Jair Bolsonaro, e o anterior, de Michel Temer, demonstrarem preocupação com a situação dos direitos humanos na Venezuela. Ele disse que espera que o Brasil “continue atuando como parte do Grupo de Lima para coordenar politicas para a Venezuela”. Além do governo brasileiro integram o grupo Argentina, México, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia.

O diretor da ONG alertou que a preocupação não pode ser direcionada apenas a países não alinhados ideologicamente. “O lamentável é que há a impressão que toda a preocupação do governo do ponto de vista dos direitos humanos seja seletiva. Ou seja,Venezuela, Cuba, e provavelmente, na mesma linha, Nicarágua”, acrescentou.

Bolsonaro viaja neste domingo para retirar bolsa de colostomia

Presidente ficará internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro viajará para São Paulo às 8h deste domingo (27) para a cirurgia de retirada da bolsa de colostomia, que usa desde setembro do ano passado após ter sofrido uma facada. Surpreendido pela tragédia ocorrida em Brumadinho (MG), quando uma barragem de rejeitos da Vale se rompeu, ele visitou a área emergencialmente no sábado (26). Após sobrevoar a região atingida pelos rejeitos da barragem da mineradora Vale que se rompe, o presidente disse que vai trabalhar para atender às vítimas, cobrar pelos danos causados e evitar novas tragédias.

Bolsonaro será internado ainda na manhã de domingo, assim que chegar na capital paulista, por volta de 9h10.

Ele passará por procedimentos preparatórios para a cirurgia, que ocorrerá na segunda-feira (28). A partir do início da intervenção, o vice-presidente Hamilton Mourão assumirá a presidência. Ele ficará no cargo enquanto Bolsonaro se recupera da operação. A recuperação absoluta recomendada pelos médicos vai durar 48 horas.

Após o período, Bolsonaro poderá voltar a desempenhar as atividades como presidente da República. “Nas 48 horas de descanso após a cirurgia, o vice-presidente assume [o cargo]. A partir daí [das primeiras horas de recuperação], ele será levado para um local na área do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do hospital que tem condições mais humanizadas, e passará a estabelecer contatos com seus integrantes, particularmente com os ministros”, disse à imprensa o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, ontem (25).

O presidente permanecerá em São Paulo por um período estimado em 10 dias, acompanhado da primeira-dama Michelle Bolsonaro, de ministros. Ele promete despachar diariamente.

A evolução da recuperação do paciente é que vai determinar a alta. Segundo Rêgo Barros, a imprensa será informada diariamente sobre o quadro de saúde do presidente, bem como de suas atividades no Hospital Albert Einstein.

Bolsonaro usa uma bolsa de colostomia desde que foi esfaqueado em um ato de campanha, em Juiz de Fora, dia 6 de setembro. A facada atingiu o intestino e o então candidato foi submetido a duas cirurgias, uma na Santa Casa de Juiz de Fora e outra no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A bolsa de colostomia utilizada por ele por cerca de quatro meses funciona como um intestino externo e possibilita a recuperação do intestino grosso e delgado.

Mourão fala sobre Wyllys: 'Quando diz que está ameaçado tem que dizer por quem, como'

Vice-presidente vê possível crime à democracia

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, comentou nesta sexta-feira (25) a decisão do deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ) em abrir mão do mandato e sair do país. O parlamentar revelou que vem recebendo ameaças e temer pela sua vida, mas não deu detalhes.

O caso teve grande repercussão, inclusive fora do país. Para Mourão,”[Wyllys] é quem sabe qual é o grau confusão que ele está metido”. Contudo, o general vê um possível crime contra a democracia. “Eu acho que quem ameaça parlamentar está cometendo um crime contra a democracia, porque uma das coisas mais importantes é você ter sua opinião e ter liberdade para expressar sua opinião. Os parlamentares estão ali eleitos pelo voto, representam os cidadãos que votaram nele. Quer você goste, quer você não goste das ideias do cara, você ouve. Se gostou, bate palma. Se não gostou, paciência.”

Cauteloso, o vice diz que prefere esperar o desenvolvimento da situação. “Temos que aguardar quais são essas ameaças, porque ele falou de forma genérica. Quando a gente diz que está ameaçado tem que dizer por quem, como”, destacou.

Nas redes sociais multiplicam-se teorias sobre qual seria a motivação do psolista em sair do país. Muitos insitem em uma suposta ligação com o atentado contra Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral, cometido por um ex-filiado do PSOL.

Mourão, porém, frisou que “em nenhum momento apareceu alguma coisa que ligasse um com outro”. Usando uma expressão inglesa, encerrou: “Acho que isso aí é o wishful thinking, desejo que algo aconteça”.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

BOLSONARO EM DAVOS

por Percival Puggina. Artigo publicado em 23.01.2019

“Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco. Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.” (Presidente Bolsonaro, em Davos)

Quem esperava Bolsonaro lecionando Comércio Internacional e Ciência Política em Davos e manifesta frustração por ele não haver feito isso está em situação mais desfavorável do que a dele. Simplesmente desconhece a realidade. Dorme à margem dos fatos. Isso não chega a ser problema se for opinião de um cidadão comum à mesa do bar da esquina, ou de alguém convencido de que a carceragem da Polícia Federal de Curitiba hospeda um mártir da luta pela democracia e pela moralidade da gestão pública. No entanto, se a opinião negativa for emitida por quem se dedica a formar a opinião dos outros, bem, aí estamos perante um caso a cobrar adjetivos que não escrevo para que o leitor não imagine que estou invadindo a privacidade de seus pensamentos.

O Brasil inteiro sabe que Jair Bolsonaro é um homem simples, embora sua formação possa ser até mesmo considerada sofisticada em comparação com a de Lula, por exemplo. A diferença entre ambos é a honestidade. Enquanto Bolsonaro não finge ser o que não é, Lula tem um caráter poliédrico, com uma face para cada circunstância. É capaz de ir a Davos e prometer que vai acabar com a fome no Brasil e no mundo, jurar que extinguiu a miséria e descrever o paraíso nacional enquanto o tiroteio corre solto nas cidades do país. A diferença entre Bolsonaro e Dilma é que enquanto esta pensa que sabe muito, mas pensa pouco e errado, ele tem consciência do que não sabe e, por isso, se cerca de pessoas que sabem muito.

Foram essas virtudes, que se erguem acima do saber humano, que colocaram o novo presidente em sintonia com a maior parte do eleitorado brasileiro. Foram elas, também, que o fizeram compor o governo menos político-partidário da nossa democracia. A prudência é uma característica das almas simples. Foram essas virtudes que o levaram a exaltar em seu discurso a companhia dos ministros Paulo Guedes, Sérgio Moro e Ernesto Araújo.

Não, Bolsonaro não é o rei do camarote. Li, há pouco, que, durante o voo, a bordo do avião presidencial, não quis usar a suíte e a cama reservada ao presidente. Ficou em uma poltrona, como os demais viajantes, porque “um comandante não abandona sua tropa; tem que dar o exemplo”. Aquela suíte e aquela cama eram assiduamente ocupadas pelo comandante Lula, o santo da carceragem de Curitiba, para folguedos extraconjugais a grande altitude, enquanto sua tropa, de tantos escândalos, já não se surpreendia. Assistiam de camarote as traquinagens do rei.

Em seu discurso, Bolsonaro foi polido e afirmativo. Deu as grandes diretrizes do que fará, falou das reformas, expôs seus valores, afirmou que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente no mundo. E faz isso malgrado a carência de recursos e à custa de uma menor produção de riqueza (quem mais assume tais sacrifícios?). Enfatizou a gigantesca obra educacional exigida pela realidade brasileira, assaltada pelos encolhedores de cabeças. Falou em Deus e em família. E quem não gostou vá assistir a Globo.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.