segunda-feira, 29 de julho de 2019

‘Invasão de telefone é crime’ diz Bolsonaro sobre Glenn

O presidente acredita que tem dinheiro envolvido no vazamento das mensagens

Presidente Jair Bolsonaro acredita que Glenn cometeu crime Foto: PR/Marcos Corrêa

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (29), que, no seu entender, o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, cometeu um crime. Bolsonaro insinuou que a publicação de reportagens com base em diálogos vazados do ministro Sergio Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava Jato envolveu dinheiro.

– Eu estou achando que, no meu entender, ele cometeu um crime porque em outro país ele estaria já numa outra situação. Espero que a Polícia Federal chegue, ligue realmente todos os pontos. No meu entender isso teve transações pecuniárias. E pelo que tudo indica a intenção é sempre atingir a Lava Jato, atingir o [ministro] Sergio Moro, a minha pessoa, tentar e desqualificar e desgastar. Invasão de telefone é crime, ponto final – afirmou.

O site The Intercept Brasil tem publicado desde 9 de junho reportagens com base em diálogos vazados entre Moro e procuradores da Lava Jato.

– Não pode se escudar ‘sou jornalista’. Jornalista tem que fazer seu trabalho. Preservar o sigilo da fonte, tudo bem, agora uma origem criminosa o cara vai preservar o crime invadindo a República? Desgastando o nome do Brasil lá fora inclusive? Espero que a PF chegue… Não é fácil, mas chegue aos finalmente – afirmou ao deixar o Palácio da Alvorada.

No sábado, Bolsonaro disse que Greenwald e o deputado federal David Miranda são “malandros” por terem se casado e adotado dois filhos no país. O presidente fazia referência a uma portaria publicada por Moro na sexta-feira (26), que estabelece um rito sumário de deportação de estrangeiros considerados “perigosos” ou que tenham praticado ato “contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.

– Ele [Glenn] não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não – afirmou.

A portaria do Ministério da Justiça foi publicada em meio às divulgações do Intercept Brasil, que revelou, em supostas trocas de mensagens privadas entre o ex-juiz e procuradores da força-tarefa, ingerência do atual ministro sobre as investigações da operação.

O jornalista e o Intercept têm dito que não fazem comentários sobre suas fontes.

*Folhapress

Brasileira é processada no Canadá por se negar a depilar transgênero

Esteticista foi chamada de “nazista” no processo promovido por uma ativista trans não operada

Jessica Yaniv. (Foto: Reprodução / Youtube)

A brasileira Márcia da Silva precisou fechar sua clínica de depilação no Canadá após ser processada por um transgênero. A ativista trans Jessica Yaniv não é operada e desejava fazer uma depilação íntima, mas a esteticista brasileira se negou a fazer.

Yaniv, que recentemente foi acusada de exploração infantil, denunciou a brasileira ao Tribunal de Direitos Humanos da Colúmbia Britânica acusando-a de discriminação por identidade de gênero.

Um julgamento aconteceu na semana passada, segundo The Christian Post, e Márcia da Silva foi representada pela Justice Center for Constitutional Freedoms.

A brasileira não foi a única denunciada, Yaniv denunciou uma dúzia de profissionais que só fazem depilação íntima em mulheres na região de Vancouver, pedindo compensação monetária pelo “preconceito” contra ela ter uma genitália masculina.

Yaniv afirma que tal negação de serviço é uma violação da seção 8 do código de direitos humanos da Colúmbia Britânica. A lei diz que é ilegal para uma empresa negar serviços com base na identidade de gênero, orientação sexual ou outros qualificadores sociais.

Todavia, o serviço de depilação íntima com cera é oferecido para mulheres. A ativista trans procurou a brasileira após encontrar uma promoção de depilação pelo Facebook. Ela ligou e marcou o procedimento, mas por ela não ser operada, a brasileira cancelou o atendimento.

Márcia disse ao tribunal que ela “não tem problema com a comunidade LGBT”, mas não se sentiu confortável ou mesmo treinada para conduzir uma sessão de depilação com alguém com genitália masculina.

Com a repercussão negativa do caso, a brasileira resolveu fechar sua clínica de depilação, por temer represálias.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Moro comenta deportação de estrangeiros ‘perigosos’

"Não muda a generosidade da lei brasileira com imigrantes ou refugiados", explicou o ministro

Ministro da Justiça, Sergio Moro Foto: Agência Brasil/Fernando Pozzebom

Após a publicação de uma portaria, que estabelece a deportação de estrangeiros considerados perigosos para o Brasil, nesta sexta-feira (26), o ministro da Justiça Sergio Moro se pronunciou sobre o assunto. Por meio de várias publicações no Twitter, ele comentou a determinação emitida por sua Pasta.

– Isso não muda a generosidade da lei brasileira com imigrantes ou refugiados, apenas impede o ingresso de pessoas suspeitas de envolvimento em condutas criminais gravíssimas e específicas – declarou.

Moro explicou ainda a escolha do termo de sua nova norma.

– Não gosto do termo pessoa ‘perigosa’, mas é aquele utilizado pela lei ora regulada – disse.

A portaria prevê também a deportação de estrangeiros que tenham praticado ato “contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”. A norma também trata de casos de impedimento de ingresso ao Brasil e de repatriação.

Com a determinação, ficam sujeitos ao rito sumário estrangeiros suspeitos de terrorismo, de integrar grupo criminoso organizado ou organização criminosa armada, e suspeitos de terem traficado drogas, pessoas ou armas de fogo. A norma também se aplica a suspeitos de pornografia ou exploração sexual infantojuvenil e torcedores com histórico de violência em estádios.

Caberá à autoridade migratória avaliar quem se enquadra no rol de pessoas consideradas perigosas, segundo a portaria. A norma estabelece um rito sumário de deportação. O estrangeiro alvo da medida deverá apresentar defesa ou deixar o país voluntariamente no prazo de até 48 horas. Há a possibilidade de protocolar recurso, com efeito suspensivo, mas ele deve ser apresentado em até 24 horas.

A lei de migração atual estabelece que o deportando tem prazo não inferior a 60 dias para regularizar a sua situação migratória. A deportação pode ser executada se a regularização não ocorrer nesse período.

Existe um dispositivo na lei atual que prevê a redução desse prazo para as pessoas que tenham “praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”, mas não há especificação sobre como determinar quem se enquadra nesse item.

Ainda no Twitter, Moro disse que não faz sentido o Brasil esperar 60 dias para deportar um suspeito de terrorismo, por exemplo, mesmo que a pessoa nunca tenha sido condenada.

– Nenhum país do mundo, tendo conhecimento, permite que estrangeiro suspeito de crime de terrorismo ou membro de crime organizado armado entre em seu território. Ele é barrado na entrada e deportado. A regulação nova permite que isso seja feito de imediato – escreveu ele.

*Com informações da Folhapress

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Bolsonaro planeja ir a ‘posse’ de imperador do Japão

Convite ao presidente foi feito pelo governo japonês em janeiro

Presidente Jair Bolsonaro Foto: Alan Santos/PR

Mesmo com a perspectiva de uma agenda pesada de viagens à Ásia e a países árabes no segundo semestre, o presidente Jair Bolsonaro pretende incluir nesse roteiro internacional uma parada em Tóquio para participar da cerimônia de entronização do novo imperador do Japão, Naruhito.

O evento ocorrerá no final de outubro, mesmo período em que o presidente deve visitar China, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Caso consiga encaixar o Japão no roteiro, será a segunda visita de Bolsonaro ao país asiático neste ano.

Em junho, ele esteve na cidade de Osaka para a reunião anual do G20. A ideia é que Bolsonaro embarque ao Japão após participar de cerimônia, na Bahia, em comemoração à canonização de Irmã Dulce.

Segundo relatos feitos à Folha, o presidente está pessoalmente empenhado em participar do tradicional rito da família real japonesa. Se conseguir encaixar a agenda, será a segunda vez que um mandatário brasileiro comparecerá à entronização de um imperador do Japão.

A primeira foi em 1990, quando o pai de Naruhito, o agora imperador emérito Akihito, ascendeu ao trono. Naquela ocasião, o Brasil foi representado pelo então presidente Fernando Collor de Mello.

Naruhito se tornou imperador do Japão após a abdicação de Akihito, no final de abril deste ano. A entronização é um ritual da monarquia japonesa que marca a ascensão de um novo imperador ao trono do Crisântemo.

O ato está marcado para 22 de outubro, no Palácio Imperial em Tóquio. O convite a Bolsonaro foi feito pelo governo japonês em janeiro.

A expectativa é de que diversos líderes mundiais estejam na cerimônia, uma vez que foram convidados todos os países reconhecidos pelo Japão, com exceção da Síria.

Após a cerimônia de entronização no palácio em Tóquio, o cronograma das atividades previstas para 22 de outubro inclui ainda um desfile em carro pelas ruas da capital japonesa. No dia seguinte, um banquete será oferecido pelo primeiro-ministro do país, Shinzo Abe, aos líderes internacionais que comparecerem ao ritual.

*Folhapress

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Militantes do PT invadem igreja católica aos gritos de 'Lula livre'

Ato não teve apoio de líderes da Igreja Católica.

Petistas gritam "Lula livre" em igreja católica. (Foto: Reprodução / Twitter)

Durante um evento no último domingo (21) na Igreja Matriz de Santo Antônio, um grupo de militantes do PT invadiu o local aos gritos de “Lula livre”. O ato de desrespeito foi filmado por pessoas presentes no local, algumas teriam sido hostilizadas.

A presença dos militantes foi durante o Festival de Inverno de Garanhuns, que desde 1991 é celebrado na igreja. Apesar de ter sido compartilhada como sendo uma “manifestação espontânea”, o ato não teve apoio dos líderes católicos.

O senador Humberto Costa (PT-PE) comemorou a manifestação, afirmando que tratava-se de uma missa. Ele chegou a compartilhar no Twitter um trecho do vídeo onde os gritos pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ecoaram no templo católico.

“Pense numa missa linda”, comemorou Humberto, que é um dos ferrenhos defensores de Lula, que foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.

O senador constantemente aparece criticando as autoridades que condenaram o ex-presidente.
Em nota, o bispo Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa esclareceu que no momento em que ouve o ato, a igreja estava sob responsabilidade da Secretaria de Cultura de Pernambuco. O ato petista, portanto, não ocorreu durante uma cerimônia religiosa.

“Causam-me espanto e surpresa que alguns cristãos sejam capazes de distorcer os fatos e espalhar calúnias”, escreveu o bispo.

“Não temos condições de controlar as possíveis manifestações do público, sejam de aplauso, repúdio ou de outro tipo. O pároco da catedral não teve nenhuma participação nos fatos. Nesse momento, a igreja estava entregue à Secretaria de Cultura de Pernambuco”, acrescentou, segundo O Antagonista.

Senador americano pede investigação do FaceApp: quais são os riscos de usar o aplicativo de envelhecimento

Senador americano pede investigação do FaceApp: quais são os riscos de usar o aplicativo de envelhecimento

Quem conhece e usa o FaceApp há algum tempo sabe que o filtro "idade" existe desde que este aplicativo foi lançado para os sistemas iOS e Android.

Mas nos últimos dias, o aplicativo chegou ao topo da lista de downloads em lojas virtuais pelo mundo. Tudo porque uma atualização do seu filtro "idade" melhorado agora permite ao usuário "transformar" o rosto de uma pessoa e ver como ela ficaria na velhice.

Surgiram então milhares de imagens de usuários do filtro no Facebook, Instagram e Twitter, além de figuras famosas, como políticos e jogadores de futebol, com uma aparência de 70 ou 80 anos.

Afinal, é aconselhável ceder ao aplicativo informações pessoais, como foto, localização e páginas visitadas na internet, em troca de um pouco de diversão?

Em meio a questionamentos sobre privacidade e coleta de dados, o senador democrata americano Chuck Schumer pediu que o FBI e a Federal Trade Comission investiguem o FaceApp, sob responsabilidade de uma empresa russa.

No Twitter, Schumer chamou de "muito preocupante" o fato de dados pessoais de cidadãos americanos estarem talvez sendo enviados a uma "potência estrangeira hostil".

A Wireless Lab, uma empresa sediada em São Petersburgo, diz que não armazena imagens permanentemente e não envia informações para a Rússia.

Mas como o aplicativo funciona de fato e como ele trata os dados coletados?
O que faz o FaceApp?

O aplicativo se apresenta como um serviço para alcançar a "selfie perfeita", com "qualidade de capa de revista com um par de toques".

Um usuário pode tirar uma selfie ou fazer upload de uma foto de seu rosto, ou de outra pessoa, e em poucos segundos obter o retrato dela em idade avançada por meio de algoritmos com uso de inteligência artificial.

Lançado há alguns anos pela russa Wireless Lab, o FaceApp foi alvo de controvérsias no passado recente porque dois filtros destacavam estereótipos físicos raciais.

Um deles, chamado de "hot" (sexy, atraente), deixava a pele dos usuários mais clara. Outro permitia a mudança de raça, fazendo o usuário parecer negro, indiano, asiático ou caucasiano.

O presidente da empresa, Yaroslav Goncharov, pediu desculpas e retirou os filtros do ar à época.

Segundo ele, no caso do filtro "hot" houve um "efeito colateral infeliz da rede neural subjacente". A "rede neural" a que ele se referiu é o conjunto de algoritmos de inteligência artificial usado "para modificar um rosto em qualquer foto ao mesmo tempo em que mantém uma foto realista", explicou Goncharov na época.

O FaceApp oferece vários filtros para editar o rosto, entre eles o de envelhecimento facial (ao centro)

Quais dados o FaceApp coleta?

Os termos de serviço do FaceApp não são muito diferentes dos de outros aplicativos.

O aplicativo informa que pode coletar "conteúdo do usuário (por exemplo, fotos e outros materiais) que publica através do serviço".

O aplicativo também realiza um "monitoramento" da atividade do usuário, incluindo "as páginas da Web visitadas" e sua localização, e coleta "metadados" sobre como o usuário interage com o serviço.

"Não alugaremos nem venderemos suas informações para terceiros fora da FaceApp", diz o aviso de privacidade.

Mas um aspecto que os analistas destacaram é que o FaceApp indica que ele pode levar as informações para uma jurisdição diferente do país onde o usuário está.

"Por favor, perceba que podemos transferir informações, incluindo dados pessoais, para um país e jurisdição que não têm as mesmas leis de proteção de dados que a sua jurisdição", ele avisa.
O que o FaceApp diz?

Diante das perguntas que foram geradas entre os usuários, a FaceApp divulgou um comunicado que foi publicado pelo portal TechCrunch.

No documento, a empresa afirma que usa apenas as fotos que o usuário deseja editar. "Nós nunca transferimos qualquer outra imagem do telefone para a nuvem."

Ele diz que, embora as fotos possam ser armazenadas na nuvem, "a maioria é excluída de nossos servidores 48 horas depois de terem sido carregadas".

O FaceApp também afirma que aceita solicitações de usuários que desejam que seus dados sejam removidos de seus servidores, embora afirme que sua equipe de suporte técnico está atualmente "sobrecarregada".

A empresa explica que o aplicativo pode ser usado sem registro e que 99% dos usuários o utilizam dessa forma.

Portanto, ele afirma que eles não têm "acesso a qualquer informação com a qual uma pessoa possa ser identificada". A empresa também nega transferir os dados coletados para a Rússia.

Reconhecimento facial

A polícía de Londres experimentou um novo sistema de reconhecimento facial nas ruas mais movimentadas da cidade

Houve controvérsia semelhante com o Facebook no início deste ano com o chamado #10YearsChallenge. Era o desafio de fazer o upload de uma foto de 10 anos atrás, como uma corrente para contemplar a passagem do tempo.

Alguns especialistas dizem que isso pode ser útil para plataformas, como o Facebook, que "treinam" suas ferramentas de reconhecimento facial — usando isso tanto para fins comerciais (com a venda de publicidade) quanto para vigilância (privada ou governamental).

A forma como é tratada a privacidade de usuários de aplicativos móveis e redes sociais e mesmo cidadãos em espaços públicos tem sido o centro do debate depois de casos como o algoritmo de Cambridge Analytica ou dos sistemas de vigilância baseada no reconhecimento facial no Reino Unido ou na China.

Especialistas em segurança cibernética alertam que, para um usuário, é muito difícil saber se o reconhecimento facial está sendo usado em aplicativos e para quais fins.

E assim como na China, o governo russo estabeleceu, nos últimos anos, controles específicos da internet que podem ser encarados de modo diferente ao conceito de "rede sem fronteiras" que predomina no resto do mundo.

Do outro lado do mundo, o Facebook também esteve envolvido em problemas de gerenciamento de privacidade de seus usuários, como no caso da Cambridge Analytica.

A organização britânica em defesa da privacidade Big Brother Watch descreveu no passado o uso da tecnologia de reconhecimento facial como "perigosamente autoritária".

"Monitorar pessoas inocentes em público é uma violação dos direitos fundamentais à privacidade, à liberdade de expressão e ao direito de reunião", disse a organização depois de um teste de monitoramento facial feito por autoridades em Londres.

"Estamos lutando contra isso por todos aqueles que não querem se tornar cartões de identidade em uma nação sob vigilância", alertou.

domingo, 21 de julho de 2019

PUGGINA - BRASIL, ALEGRIA DE BANDIDO

Percival Puggina

Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

Quantos policiais deixariam de morrer todo ano se quem os matou estivesse onde deveria estar, atrás das grades de um presídio? Duvido que não tenham, todos, longo prontuário de ocorrências, intimações, prisões e condenações a certificar sua disposição de viver fora da lei. Ninguém inaugura sua vida criminosa matando policiais.

Só que nenhum daqueles eventos teve o tratamento necessário para assegurar a proteção da sociedade. Com raras, raríssimas exceções, todos foram conduzidos, pelas instituições, de modo a favorecer o transgressor. Presídios brasileiros têm porta de vai e vem.

Convivem, aqui, altos índices de criminalidade e tolerância institucional para com os criminosos. Temos, aqui, progressistas que atrasam tudo. Indivíduos perigosos passeiam impunes por nossas ruas e estradas, vivendo de violações e gerando insegurança.

Na longa lista de preceitos protetivos que o engenho humano possa conceber para livrar a pele de bandidos, nada há que nossa legislação, nossos ritos, usos e costumes não consagrem. Como escreveria Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, se vivos fossem, “Aqui, majestade, em se roubando ou matando, nada dá”.

E não dá nada mesmo. Às normas tolerantes, pusilânimes face ao crime, mas inclementes com a sociedade, muitos se juntam para tornar folgada a vida dos bandidos. Tudo fazem para que tais atividades não tragam sobressaltos, riscos e cárcere a quem escolher a vida criminosa. Entre outros, verdadeira multidão de legisladores, magistrados, professores de Direito, promotores, defensores, advogados, comunicadores, sociólogos, assistentes sociais, políticos e religiosos – corações moles como merengue da vovó – tagarelando sobre uma nova humanidade e uma nova sociedade, convergem esforços para obter esse efeito.

“Mas são pobres!”, dirá o leitor, penalizado, da dura situação de tais criminosos. Pobres? Pobre é aquele brasileiro, magro como a fome, pelo qual passei ainda há pouco na rua. Arquejava em seu labor de papeleiro, tracionando uma carroça pesada, com tanto papel e papelão que seu excesso lateral obstruía parte da outra pista. Aquele sim é pobre. Pobre e honesto ao ponto de trabalhar como “animal” de tração para não se corromper. Talvez seja também ignorante, mas é intelectualmente honesto como não são tantos que falam bonito em seu nome.

E o abandonam com sua indecente carroça. Não me venham – por favor! – falar em pobreza, infância sofrida, de quem importa toneladas de maconha, rouba carga de caminhões, assalta bancos, explode carros-fortes e estoca munição pesada para lutar contra a sociedade. E não se peja de pôr mulher e filhos no carro para iludir a polícia.

No topo da luta por um direito penal folgazão, que não dê nada e não atrapalhe os negócios, estão os poderosos da corrupção ativa e passiva, custodiados por caríssimos advogados que operam num clube muito restrito de intimidade com a Corte. No topo da luta por um direito penal folgazão, camarada, bonachão, estão muitos membros do Congresso Nacional, que têm frêmitos de ódio e temor da Lava Jato e que se juntam a qualquer bandido se for para tirar Sérgio Moro da cena. Um fio de esperança que rompe o fio da decência.

Esses não têm por hábito atirar na polícia, mas disparam as armas da injúria e da calúnia, assassinam reputações e têm responsabilidade direta sobre as leis penais e processuais que não mudam ou mudam para pior. No topo da luta estão os “garantistas” do STF, sustentando princípios que os bandidos invocam e a cuja sombra lavam seu dinheiro.

Venezuela. Pompeo diz que é 'inconcebível' haver eleições com Maduro no país

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, considerou “inconcebível” que haja eleições na Venezuela com a presença de Nicolás Maduro no país, enquanto o vice-ministro do Exterior russo, Serguei Riabkov, destacou a “legalidade” do governante venezuelano

Pompeo, que falava no sábado aos jornalistas na cidade equatoriana de Guayaquil, onde manteve uma reunião com o Presidente do Equador, Lenín Moreno, afirmou que "seria inconcebível poder ter eleições que realmente representam o povo venezuelano se Maduro continuar presente no país".

O secretário de Estado norte-americano respondia a uma questão dos media sobre a permanência de Nicolás Maduro na Venezuela durante uma eventual transição de poder na Venezuela.

Por sua vez, o vice-ministro da diplomacia russa, Serguéi Riabkov salientou, também no sábado à noite, que a "legalidade" de Nicolás Maduro "não pode ser discutida".

O vice-ministro da diplomacia russa, que participa em representação de Moscovo como país observador na reunião ministerial do Movimento de Países Não-Alinhados em Caracas, acrescentou que as sanções impostas por Washington à Venezuela são "um enorme problema" e uma "tentativa de golpe de Estado".

Aquele responsável russo salientou ainda que a "legalidade das autoridades [venezuelanas] não pode ser discutida".

Mais de 4300 cristãos foram mortos em 2018 devido às suas crenças

Até Outubro de 2018, pelo menos 4305 cristãos foram assassinados em todo o mundo devido às suas crenças, mais 40% que no mesmo período de 2017.

Uma organização não-governamental indicou hoje que mais de 4300 cristãos foram mortos no ano passado, a grande maioria na Nigéria, o que representa um aumento expressivo pelo sexto ano consecutivo.

Até Outubro de 2018, pelo menos 4305 cristãos tinham sido assassinados em todo o mundo devido às suas crenças, o que representa um aumento de 40% em comparação com os 3066 mortos registados nos primeiros 11 meses de 2017, indicou a Missão Portas Abertas francesa.

A ONG publicou o seu relatório "índex 2019", no qual lista os "50 países onde os cristãos são mais perseguidos".

Cerca de 90% das mortes ocorreram na Nigéria (3731 mortes em solo nigeriano, contra 2000 em 2017). Neste país, "os cristãos enfrentam uma dupla ameaça", observou a ONG, referindo-se ao grupo jihadista Boko Haram e aos pastores Fulani.

Um total de 245 milhões de cristãos - católicos, ortodoxos, protestantes, batistas, evangélicos, pentecostais, cristãos expatriados, convertidos - são perseguidos, ou "um em cada nove cristãos", contra 1 em 12 no ano passado, acrescentou a organização.

Por "perseguição", entende-se tanto a violência cometida como a opressão diária mais discreta.

"O índice revela uma perseguição contra as minorias cristãs que aumenta de ano para ano. Em 2018 isto continua", escreveu o diretor da Missão Portas Abertas, Michel Varton, no preâmbulo do texto.

Num ano, "o número de igrejas visadas (fechadas, atacadas, danificadas, incendiadas...) quase duplicou, passando de 793 para 1847". "O número de cristãos detidos aumentou de 1905 para 3150" no mesmo período, sublinhou a organização.

A Coreia do Norte está novamente no topo deste ranking anual, tal como nos anos anteriores, embora não seja possível saber o número de mortes neste país devido à falta de "dados fiáveis".

A ONG observa, no entanto, que "dezenas de milhares de cristãos (...) estão presos em campos de trabalhos forçados" naquele país.

Seguem-se o Afeganistão, a Somália, a Líbia, o Paquistão, o Sudão, a Eritreia, o Iémen, o Irão, a Índia e a Síria.

Lava Jato falhou ao não chegar ao Judiciário, diz juiz Marcelo Bretas

Juiz ficou conhecido por embate travado com o ministro Gilmar Mendes.

Marcelo da Costa Bretas (Foto: Fernando Frazão/Agênci Brasil)

O juiz Marcelo Bretas, ar da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e responsável pelos julgamentos da Lava Jato no estado, afirmou que existe uma falha relacionada à ausência de denúncias sobre juízes, promotores e procuradores.


“A operação [Lava Jato] deixou a desejar em relação ao Judiciário e ao MP . Há a sensação também de que não existe Lava Jato com a mesma intensidade em outros estados”, disse Bretas, em entrevista a Época.

Em relação as críticas de que as investigações foram parciais, o magistrado aponta que foram punidos os partidos ligados ao Poder Executivo, mas que no Rio de Janeiro o MDB foi o mais atingido, porque era quem governava o estado.

“Os partidos mais envolvidos foram os ligados ao Poder Executivo, simples assim. E aqui no Rio, no caso, o MDB foi mais atingido que o PT porque era quem governava”, afirmou.

Bretas ganhou destaque por travar um embate jurídico com o ministro Gilmar Mendes, do STF. Na ocasião, o juiz de primeira instancia recebeu uma indireta do ministro após mandar prender um réu, mas rebateu a altura.

O juiz afirma que a Lava Jato continuará avançando.

“Não para de chegar material, só não andamos mais rápido na operação por falta de pessoal. A verdade é que a Lava Jato não terá fim, ela é o novo normal”.

'Nossos direitos vêm de Deus, não do governo', diz Trump para cristãos perseguidos

Presidente americano recebeu 27 pessoas vítimas de perseguição religiosa em várias partes do mundo

Donald Trump entre vítimas de perseguição religiosa. (Foto: White House)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu na Casa Branca 27 pessoas vítimas de perseguição religiosa em várias partes do mundo e pode ouvir a história de algumas delas.

“Na América, sempre entendemos que nossos direitos vêm de Deus, não do governo”, disse Trump segundo a agência Reuters.

O presidente estava diante de representantes de países como China, Cuba, Tibete, Paquistão, Irã, Birmânia, Coréia do Norte, Sri Lanka, Eritreia, Nova Zelândia e outras nações.

Entre os que participaram da visita estavam o pastor americano Andrew Brunson, que foi libertado da prisão na Turquia no ano passado; Nadia Murad, uma advogada yazidi e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz; e Mariam Ibrahim, uma mãe cristã que foi libertada do corredor da morte no Sudão em 2014.

“Hoje somos homens e mulheres de muitas tradições religiosas diferentes de muitos países diferentes. Mas o que você tem em comum é que cada um de vocês sofreu tremendamente por sua fé: você suportou assédio, ameaças, ataques, julgamentos, prisões e torturas”, disse Trump no início da reunião.

“Cada um de vocês se tornou uma testemunha da importância de promover a liberdade religiosa em todo o mundo”, completou.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Bolsonaro sanciona lei sobre autismo no Censo 2020

Assinatura aconteceu ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e do apresentador Marcos Mion

Presidente Jair Bolsonaro sanciona lei sobre autismo no censo / Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro sancionou um projeto de lei que inclui informações sobre pessoas que estão no espectro do autismo nos censos demográficos realizados pelo IBGE. O PL 13.861/2019 havia sido aprovado pelo Senado no começo do mês.

A assinatura do texto contou com a participação da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e do apresentador Marcos Mion. Ele tem um filho com autismo e divulgou, na última semana, um vídeo em que o garoto, Romeo, pede a Bolsonaro a sanção da lei. A medida já irá valer para o Censo 2020.

Após a assinatura, Mion agradeceu a Bolsonaro.

– O senhor está representando milhares de famílias que estavam se sentindo completamento no escuro e invisíveis. Isto é um grande passo para toda a comunidade autista. É um passo gigante para todas as famílias que batalham há anos. Tenho a honra de estar aqui representando o trabalho de todas esses instituições que há décadas lutam por um reconhecimento como este – apontou.

Bolsonaro parabenizou o apresentador e disse que o governo ainda pretende fazer mais.

– Parabéns pela sua luta. Algumas divergências nós sempre vamos ter, mas como o Norte é um primeiro passo. Com toda certeza teremos outras pesquisas e outras formas de reconhecer, por parte do poder público, essas pessoas – destacou.

Em suas redes sociais, a primeira-dama também se manifestou sobre a assinatura.

– Hoje participei de reuniões sobre as demandas da comunidade autista e presenciei a assinatura da lei que inclui dados específicos sobre autismo no Censo 2020. Espero que isso traga ganhos concretos para as pessoas com autismo e suas famílias. Continuaremos trabalhando para dar mais visibilidade às causas das pessoas com deficiência no Brasil. Que Deus abençoe a todos – afirmou.


Terrorista revela plano para matar Bolsonaro

Representante do SSS ameaça presidente, seus familiares e dois ministros

SSS - Grupo Terrorista. (Foto: Reprodução / Veja)

A Polícia Federal investiga integrantes de um grupo terrorista que já praticou três atentados a bomba em Brasília, ameaçando o presidente Jair Bolsonaro e alguns ministros como Damares Alves, da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos.

A revista Veja entrevistou um dos líderes da Sociedade Secreta Silvestre (SSS), Anhangá, que afirmou que as ameaças contra o presidente são reais. O contato com o terrorista foi feito através da “deep web”.

Anhangá declarou que a ideia do grupo era matar Bolsonaro no dia da posse, mas o plano precisou ser adiado por conta do forte esquema de segurança montado pela polícia e pelo Exército.

“Vistoriamos a área antes. Mas ainda estava imprevisível. Não tínhamos certeza de como funcionaria”, afirma o terrorista. Seu grupo colocou uma bomba em uma igreja católica dias antes da posse, a 50 km do Palácio do Planalto. O artefato falhou.

O SSS também assume os ataques a dois carros do Ibama que foram incendiados no mês de abril. Eles ameaçavam diretamente o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.

“Salles é um cínico, e não descansará em paz, quando menos esperar, mesmo que saia do ministério que ocupa, a vez dele chegará. (…) É um lobo cuidando de um galinheiro”, ameaçou.

Damares também é alvo do grupo, por isso a ministra precisou mudar de sua casa e intensificar a segurança pessoal. “(Ela) se tornou a cristã branca evangelizadora que prega o progresso e condena toda a ancestralidade. O eco-extremismo é extremamente incompatível com o que prega o seu ministério”, declara o terrorista ouvido pela Veja.

O grupo SSS diz ser um braço brasileiro do grupo Individualistas que Tendem ao Selvagem (ITS), entidade internacional “ecoextremista” investigada por ataques a políticos e empresários de vários países.

Bolsonaro não quer dinheiro público em filmes 'como da Bruna Surfistinha'

Presidente criticou o ativismo por meio das produções audiovisuais e promete respeito às famílias

O presidente Jair Bolsonaro defendeu a transferência da Agência Nacional do Cinema (Ancine) do Rio de Janeiro para Brasília e declarou que o dinheiro público não deve ser usado para financiar produções audiovisuais que fazem ativismo.

Ele também criticou a produção de filmes como o da “Bruna Surfistinha”, ex-garota de programa que ficou famosa ao criar um blog contando as experiências com seus clientes até se apaixonar e se casar com um deles.

“Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá”, disse o presidente que comemorava os 200 dias de seu governo.

Segundo Bolsonaro, ele o ministro Osmar Terra, da Cidadania, já teriam conversado sobre a mudança da Ancine para Brasília.

“Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir em respeito às famílias. É uma coisa que mudou com a chegada do governo”, declarou.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Moro rebate ataques da Folha de São Paulo: 'sensacionalismo'

Ministro usou o Twitter para rebater mais uma reportagem dos vazamentos ilegais contra a Lava Jato.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, respondeu a Folha de São Paulo sobre uma matéria na qual é acusado de interferir nas negociações de delação premiada na época em que era juiz na 13ª Vara Federal de Curitiba.

Alvo de uma campanha para destruir a sua reputação, o ex-juiz afirma que um magistrado “tem não só o poder, mas o dever legal de não homologar ou de exigir mudanças em acordos de colaboração excessivamente generosos”.

Moro lembrou as críticas feitas a acordos homologados, como o dos sócios da JBS.

Ainda assim, o ministro deixa claro que não reconhece a autenticidade das supostas mensagens, pois se foram enviadas por ele, foi há muito tempo, mas volta a afirmar que “se tiverem algo sério e autêntico, publiquem”.

E diz que não pode concordar com “o sensacionalismo e violação criminosa de privacidade”.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Índices de desmatamento na Amazônia são manipulados, diz ministro Augusto Heleno

Em entrevista à BBC News Brasil, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), afirmou que Amazônia "é brasileira e quem tem que cuidar dela somos nós"
Marcia Carmo
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno, afirmou que os índices de desmatamento na Amazônia são "manipulados", ao ser questionado sobre a crescente preocupação internacional sobre a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro, "A Amazônia é brasileira e quem tem que cuidar dela somos nós. Esses índices de desmatamento são manipulados.

Se você somar os porcentuais que já anunciaram até hoje de desmatamento na Amazônia, a Amazônia já seria um deserto. No entanto, nós temos muito mais da metade da Amazônia intocada. E os países que nos querem cobrar o comportamento que eles acham correto nunca seguiram esse comportamento. O maior preservador de ambiente do mundo é o Brasil", disse Heleno à BBC News Brasil em entrevista por telefone.
O general da reserva não comentou especificamente a divulgação dos novos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que observa e monitora por meio de imagens a derrubada da floresta. Segundo balanço parcial do órgão divulgado nesta semana, o desmatamento na Amazônia cresceu, em junho deste ano, quase 60% em relação ao mesmo mês de 2018 - de 488,4 km² para 762,3 km² de mata nativa, o equivalente a duas vezes a área de Belo Horizonte.

Esses números foram divulgados logo após a conclusão da entrevista. Nesta quarta-feira (3/7), o órgão afirmou que o desmatamento total no mês de junho foi ainda maior, de 920,4 km², aumento de 88% em relação ao mesmo mês no ano passado.
No acumulado de 2019, foram derrubados 2.273,6 km² de floresta, o pior registro desde 2016.
Também na quarta-feira, a reportagem voltou a questionar o general Heleno sobre suas críticas aos índices de desmatamento e perguntou se ele também se referia aos resultados do Inpe. "Esses dados sobre desmatamento merecem certa reserva. Essa pergunta deve ser feita ao Ministério do Meio Ambiente."
Em nota, o INPE afirmou que a transparência e a consistência da metodologia do órgão são reconhecidas internacionalmente e que o sistema permite avaliações independentes de qualquer pessoa ou instituição. "O Prodes, nosso sistema pioneiro, possui mais de mil citações na literatura científica pela excelência de seus dados. O INPE monitora constantemente a qualidade dos dados sobre desmatamento, que atualmente apresentam índice superior a 95% de precisão."
Na semana passada, durante sessão no Parlamento alemão, a chanceler do país, Angela Merkel, disse que via "com grande preocupação a questão da atuação do novo presidente brasileiro (em relação ao meio ambiente)".
Bolsonaro rebateu Merkel e afirmou, dias depois, durante a reunião do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, que o Brasil não "aceitará" tratamento que, segundo ele, presidentes anteriores receberam de líderes de países desenvolvidos.
Durante a entrevista à BBC News Brasil, Heleno também falou sobre a relação com o presidente, a participação dos militares na política atual e a recente prisão do sargento da Aeronáutica por transportar 39 kg de cocaína no avião da comitiva presidencial. Mas se esquivou de comentar o atrito com um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), que disse que os homens da GSI "estão subordinados a algo em que não acredito".
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC News Brasil: Há preocupação e críticas internacionais sobre a proposta de explorar a Amazônia brasileira de forma econômica. Estudos mostram que a Amazônia já tem um desmatamento altíssimo. Não é arriscado explorá-la?
General Augusto Heleno: A Amazônia é brasileira e quem tem que cuidar da Amazônia somos nós. Esses índices de desmatamento da Amazônia são manipulados. Se você for somar os percentuais que já anunciaram até hoje de desmatamento da Amazônia, a Amazônia já seria um deserto. No entanto, nós temos muito mais da metade da Amazônia intocada. E os países que nos querem cobrar o comportamento que eles acham correto nunca seguiram esse comportamento. O maior preservador de ambiente do mundo é o Brasil.
BBC News Brasil: Recentemente, generais deixaram o governo, como no caso de Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo). O sr. não acha que as Forças Armadas podem ficar desprestigiadas com demissão de generais, por exemplo?
Heleno: Primeiro, todo mundo pensa que existe no Palácio, e volta e meia falam sobre isso...
BBC News Brasil: Uma ala militar e outra ala civil, palaciana, no governo.
Heleno: Isso não existe. Jamais houve uma reunião desta ala militar para decidir qualquer coisa. Nós todos somos amigos, amigos de 40 anos, mas nunca houve uma reunião para decidir alguma coisa em nome ou para fazer a vontade desta área militar, de uma posição desta ala militar. Jamais aconteceu isso. Nós vivemos cada um no seu canto, não vou dizer que é isoladamente porque nós conversamos com todos os ministros.
Não existe esse preconceito, área militar e área civil. Não tem nada disso. As reuniões ministeriais são absolutamente homogêneas. Não há nenhum privilégio para os militares e em nenhum momento as Forças Armadas encararam os generais que estão no primeiro ou até no segundo escalão da Presidência da República como sendo representantes das Forças Armadas. Não. Nós somos militares, essa foi nossa profissão a vida inteira. Mas nós não representamos as Forças Armadas.
Também não houve nenhum desgaste com estas demissões que você comentou porque, por exemplo, o general Santos Cruz, o próprio presidente e ele disseram 'olha, o casamento se desfez' e são amigos, muito amigos. Eles sempre foram muito chegados porque tiveram contato a vida inteira, contato muito próximo. Foram da equipe militar (...) de Exército juntos e depois fizeram escola de aperfeiçoamento militar juntos. A esposa do Santos Cruz dava carona para os filhos da dona Rogéria, que na época era esposa do Bolsonaro. Então, eles eram muito próximos.
BBC News Brasil: Mas quando saiu, o general Santos Cruz fez críticas, dizendo que tem muita fumaça, trapalhada...
Heleno: Mas não são críticas pessoais. São críticas funcionais. Ele se referiu funcionalmente ao que acontecia na Presidência da República, que ele dizia: "olha, acho que isso deve melhorar e tal". Mas não era nada ofensivo. Foi perguntado e colocou o que ele pensa. Mas nada que cause problema em lugar nenhum.
BBC News Brasil: O sr. não teme que as Forças Armadas se politizem? Porque muito se fala de 'bolsonorização' das baixas patentes.
Heleno: Depois que terminou o que chamam de regime militar, as Forças Armadas que foram educadas por aqueles que viveram intensamente o regime militar, elas foram despolitizadas e se convenceram que não tem que se meter em política.
BBC News Brasil: E agora não estaria de alguma maneira se metendo?
Heleno: Não, continua do mesmo jeito. As Forças Armadas votaram todo o tempo. Então, obviamente, tinham seus preferidos eleitorais. O Bolsonaro, obviamente, tinha, tem como um dos seus redutos de voto as Forças Armadas, as forças policiais, as forças de segurança. Até pela identidade de ele ter sido militar, de ele defender em toda a sua carreira politica, ele sempre defendeu os policiais civis, militares, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal sempre estiveram próximos a ele. Então, ele tem uma proximidade com essa faixa de profissional, com os profissionais dessa área de segurança, seja pública, nacional. Mas isso não significa uma politização das Forças Armadas como instituição.
BBC News Brasil: Como o sr. avalia esse caso do segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues flagrado com 39 kg de cocaína no avião da Força Aérea Brasileira na Espanha. O sr. disse que foi mal interpretado quando disse que foi "falta de sorte".
Heleno: Eu não falei isso. Em nenhum momento eu coloquei para o sargento sorte ou azar. Eu coloquei o seguinte. Por falta de sorte, esta história da cocaína transportada no avião da Força Aérea Brasileira aconteceu no mesmo dia. O fato, por falta de sorte não dele, aconteceu quando estava começando o G20. Então, uma boa parte das manchetes que poderiam ter sido ocupadas pelas preocupações com o G20, pelas perspectivas que o Brasil tinha em relação ao G20, pelas ligações, pelas audiências bilaterais que teríamos, uma boa parte do espaço disponível na imprensa foi usado para falar daquilo ali. Mas não tem nada a ver com azar ou sorte. Eu jamais comentei: 'ah, o sargento deu azar'. O sargento não deu azar, o sargento é um marginal, um sujeito que cometeu um crime de lesa pátria.
BBC News Brasil: O sr. acha que ele pode ter agido sozinho? Ou contou com apoio? Por que e como ele conseguiu entrar com 39 kg de cocaína em um avião oficial?
Heleno: Até nós nos perguntamos isso. Isso aí é claro que ele se valeu talvez do tempo que ele estava nesta atividade, era um sujeito conhecido por todo mundo e que era um militar de conduta ilibada. É óbvio que vão afrouxando um pouco as medidas de segurança. Neste caso, não era o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que tinha responsabilidade sobre a entrada de malas, de bagagens neste avião.
Mas eu entendo que essa continuidade neste tipo de função, sem nunca ter acontecido nada, vai dando uma maior circulação para o individuo. E ele estava numa equipe que chega muito antes que o restante, que recebe as refeições, água, gelo, e então ele entra e sai do avião (da viagem precursora presidencial) com muita frequência. Mas tudo isso vai ser esclarecido num inquérito policial militar que vai analisar. Não adianta a gente ficar fazendo suposições. Não estou escrevendo um livro de mistério. Tem que esperar a investigação.
BBC News Brasil: Um filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), fez criticas à atuação do Gabinete de Segurança Institucional ao comentar este caso (Carlos Bolsonaro respondeu a uma postagem na internet sobre a prisão dizendo que os homens da GSI "estão subordinados a algo em que não acredito"). Como o sr. viu esse tuíte do vereador?
Heleno: Não vi.
BBC News Brasil: Foi noticiado na imprensa brasileira. Se quiser, posso ler para o sr. O sr. quer?
Heleno: Não, não. Estou dizendo que não vi porque não vi.
BBC News Brasil: O sr. quer dizer que não quer comentar.
Heleno: É, não vou comentar.
BBC News Brasil: Mas a sua pasta não está ligada a esta área da segurança?
Heleno: Claro que a segurança do avião do presidente e do vice-presidente é do GSI, mas eu prefiro não ver estes comentários.
BBC News Brasil: O sr. acha que este foi um caso isolado?
Heleno: Totalmente.
BBC News Brasil: Mas isso não mancha a imagem das Forças Armadas?
Heleno: Você não pode incluir Forças Armadas nisso aí. É a mesma coisa que você pegar um advogado desonesto e, de repente, dizer que a advocacia é uma profissão desonesta. Não é isso. Os casos são tão isolados, tão raros que nós até achamos que a nossa seleção e os valores que colocamos nos caras são muito bons. Os casos são muito raros e dificilmente com esse volume. Porque realmente 39 kg de cocaína é um volume considerável. Então, não nos preocupa que isso tenha se multiplicado ou algo assim. Agora, é óbvio vai ter que ser apurado, como ele conseguiu colocar lá dentro. Se ele tem mais alguém que trabalhe junto com ele. Quem ia receber isso lá. São perguntas óbvias num contexto desse inquérito policial militar.
BBC News Brasil: O sr. e o presidente Jair Bolsonaro são amigos há mais de 30 anos. Como o sr. definiria o seu papel como conselheiro do presidente?
Heleno: Eu não me atribuo essa missão. Eu acho que essa missão surgiu porque eu comecei a conversar com ele desde o início da campanha, quando ele decidiu ser candidato. Eu morava perto dele na Barra e volta e meia nós íamos almoçar juntos. Trabalhei na campanha dele e ele sabia da minha torcida para que desse certo. Então, a minha aproximação dele foi crescendo e até pela minha idade, pelos meus cabelos brancos eu passei a ser aquele em quem ele tinha maior confiança para discutir determinados assuntos. Mas não quer dizer que eu seja conselheiro. Muita coisa que eu digo ele não faz. Até pela personalidade dele, ele tem uma personalidade muito forte.
BBC News Brasil: Por exemplo?
Heleno: Ah, várias coisas. A gente tem uma reunião matinal, com cerca de oito assessores, e ali se conversa muita coisa. E eu muita coisa digo: 'Presidente, acho que não deveria ser assim". E às vezes ele brinca: 'ah, o senhor entende de estratégia, mas de política o senhor não entende'. Ele falou isso para o Paulo Guedes: 'Olha, você entende de economia, de política entendo eu". E a gente tem que reconhecer que ele é um fenômeno politico. Tudo o que ele enfrentou para ser vitorioso, ele é um fenômeno político. Como foi um fenômeno politico, o senhor Luiz Inácio (Lula), que se apagou tristemente.
BBC News Brasil: O sr. participou das manifestação a favor do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, no último domingo (30/6). O sr. não acredita que as recentes revelações veiculadas pelo site The Intercept Brasil possam enfraquecê-lo?
Heleno: Não acho não. Acho que ele saiu mais fortalecido porque as conversas que ele teve com o Dallagnol (Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba) foram totalmente voltadas para a profissão dele e não teve nenhum partidarismo ali. Foram conversas perfeitamente viáveis entre um procurador e o juiz. Tanto que vários membros do Judiciário já os defenderam. E várias vezes já apareceram contatos de membros da mais alta corte do país com advogados de partes. Isso aí é porque é o Moro e o Bolsonaro.
BBC News Brasil: O que o sr. quer dizer? Uma oposição definida seja o que eles fizerem?
Heleno: Explico que há por parte de muitos políticos, que estão envolvidos até o pescoço, a disposição de defender ardentemente a volta da situação anterior, porque é a única chance de eles se salvarem. Se o país resolver consertar, eles sabem que vão parar aí numa das alas aí da Papuda, de Gericinó (Complexos Penitenciários). Então, é óbvio que eles vão tentar de todas as maneiras, com todos os cinismos, com todas as falsidades, tentar voltar ao que era, dizendo que era o grande projeto de governo, que o Brasil ia ser a grande potência do mundo.
Isso está claramente demonstrado que era um projeto de poder, que era desprezível, que o Brasil entrava em último lugar nessa história. Era um projeto pessoal, ideológico, e esse retorno, se Deus quiser, isso não pode voltar a acontecer.

terça-feira, 9 de julho de 2019

'Ou é legal ou é ilegal. Se é ilegal, é lixo', diz Marcelo Bretas sobre mensagens vazadas pelo The Intercept

Juiz do Rio de Janeiro também falou sobre STF e religiosidade.

Responsável por casos da Lava Jato no Rio de Janeiro e o nome mais forte para ocupar a vaga de “ministro evangélico” no Supremo Tribunal Federal (STF), o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, comentou os vazamentos ilegais das conversas envolvendo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Bretas afirmou em entrevista a BBC News Brasil que se as conversas foram obtidas de modo ilegal, então não devem ser consideradas, “é lixo”.

As questões “da ilegalidade e da veracidade” dos diálogos “ainda não estão superadas”. “Ou é legal ou é ilegal. Se é ilegal, é lixo”, afirma.

As mensagens foram obtidas através de um ataque hacker contra os celulares de pessoas envolvidas na força-tarefa da Lava Jato, incluindo o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, responsável pela operação.

Além disso, acredita-se que as mensagens podem ter sido adulteradas.

Marcelo Bretas não quis comentar o teor das mensagens vazadas atribuídas a Moro, mas afirmou que recebe frequentemente advogados ou procuradores para conversas individuais em sua sala e que “ninguém dá dicas”, afirma, sobre a conduta dos juízes.

O juiz ficou conhecido como o “Sergio Moro” do Rio, pois mandou prender figuras como o ex-governador Sérgio Cabral, o empresário Eike Batista e, em medida preventiva em março, o ex-presidente Michel Temer. Bretas considera a comparação um elogio.

Na entrevista, o magistrado também falou sobre a possibilidade de vir a ser indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para uma vaga no STF.

Ele diz que “ser lembrado numa hora dessa é honroso”. “O simples fato de ter sido lembrado já me deixa feliz, mas nada além disso”, comentou.

Quando questionado se é algo que gostaria, o juiz respondeu que ele e “todos os juízes do Brasil”, lembrando uma comparação feita pelo ministros do STF Luiz Fux, quando foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT), de que “todo soldado sonha em ser general”.

“É o topo da carreira, um sonho que todo mundo acalenta. Mas não tem nada que você possa fazer para acontecer, a não ser sonhar. Não existe campanha. Se quiser agradar um, vai desagradar outro”, comentou.

Marcelo Bretas também respondeu sobre suas manifestações de fé nas redes sociais, afirmando ser uma pessoa livre para expressar sua religiosidade.

“Aquilo ali é um ambiente pessoal, não tenho que dar satisfação. As pessoas pouco instruídas falam, “ah, o Estado é laico”. Mas estou no meu Twitter pessoal”, respondeu.

Sobre o fato de já ter mencionado a Bíblia em suas decisões, o juiz lembra que o livro é composto de uma parte histórica e outra religiosa.

“Mencionar um princípio, um texto inteligente dito por Salomão, ou por Davi, eu não acho ofensivo. Nunca disse que a vontade de Deus é esta ou aquela.”

'Funai tem nove aviões abandonados e dívida de R$ 3 milhões

"As aeronaves seriam responsáveis pelo atendimento `população indígena ao redor do país.| Foto: Reprodução/TV Globo

Em relatório interno realizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) foram identificadas nove aeronaves sucateadas. Estas aeronaves seriam responsáveis pelo atendimento médico dos índios ao redor do país. Destas, três estão em condição irrecuperável, uma acidentada e o restante sem condições de operar. Segundo o presidente da Funai, Fernando Melo, o aluguel atrasado dos estacionamentos das aeronaves em Brasília já acumula o montante de R$3 milhões – o triplo do valor estimado com o leilão das aeronaves. A ministra da mulher, da família e dos direitos humanos, Damares Alves, se manifestou em suas redes sociais. “Não ficará impune”, disse a ministra."