segunda-feira, 27 de abril de 2020

Ofício aponta que gestão de Moro no MJSP prejudicou a PF

Associação dos delegados federais questionou medidas que entregaram atribuições da PF para a PRF

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro 


Um ofício da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF) enviado ao ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, apontou que a gestão do ex-ministro Sergio Moro à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) não foi um “mar de rosas” com os delegados federais.

O documento, assinado pelo presidente da ADPF, Edivandir Felix de Paiva, com a data de 25 de outubro de 2019, traz diversas críticas à atuação do MJSP, inclusive com denúncias de que a pasta federal cometera irregularidades que chegaram a “contrariar a Constituição”.

No geral, o objetivo do comunicado era questionar a concessão de alguns benefícios, como o aumento do valor das diárias que os delegados acreditavam estar abaixo do valor ideal.

Porém, ao longo da mensagem, a organização também protesta que o MJSP cometeu atos que prejudicaram a PF, feitos “ao arrepio da lei”, como dar à Polícia Rodoviária Federal algumas atribuições que eram da Polícia Federal.

– Utilizando um texto normativo repleto de lacunas interpretativas, o MJ contraria frontalmente a Constituição Federal, conferindo atribuições exclusivas da Polícia Federal àquele órgão [a PRF] – diz o documeto.

ADPF critica medida que conferiu atribuições da PF para a PRF Foto: Reprodução

A associação destaca que tal medida poderia, inclusive, causar prejuízo aos cofres públicos já que, por serem inconstitucionais, os procedimentos poderiam ser anulados pelas esferas superiores da política e da Justiça.

– A quem interessa que órgãos realizem atividades que não lhe foram atribuídas, colocando sob o risco de nulidade todos os trabalhos desenvolvidos sem a observância do processo legal – questiona a ADPF.

Trecho do documento fala de portaria que permitiu que PRF assinasse TCOs Foto: Reprodução

Outro alvo de críticas quanto à legalidade, foi a portaria 671/2019, utilizada pelo ministro Moro no despacho 498/2019 para autorizar que a PRF lavrasse o chamado Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), fato que foi classificado pelos delegados da PF como uma “usurpação de funções”.

– A valer as argumentações do Ministério, não demorará muito, alguma autoridade autorizará delegados a denunciarem por falta de unidades do Ministério Público ou procuradores a julgarem por falta de juízes – declarou a associação.

domingo, 26 de abril de 2020

Relembre episódio de 2017 em que Moro esnoba Bolsonaro

Vídeo mostra momento citado pelo presidente durante pronunciamento

Jair Bolsonaro e Sergio Moro Foto: Reprodução

Em seu pronunciamento, na última sexta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro falou sobre a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Na ocasião, ele também para rebateu as acusações feitas pelo ex-ministro e pontuou uma série de temas levantados pelo ex-juiz.

O chefe do Executivo também relembrou o momento em que foi esnobado por Moro, em 2017. Os dois estavam em um aeroporto e Bolsonaro, que ainda estava longe de ser confirmado como candidato do PSL à presidência, fez questão de registrar o encontro. Entretanto, ele acabou conseguindo apenas um breve cumprimento.

As imagens foram destaque na internet. Na época, uma nota da assessoria de Moro procurou apaziguar a situação. Segundo a Folha de S. Paulo, Moro ligou para pedir desculpas a Bolsonaro.

Em uma entrevista concedida a Luciana Gimenez, da RedeTV!, Bolsonaro admitiu que ficou decepcionado porque esperava pelo menos 30 segundos de conversa.


Damares celebra decisão do STF sobre aborto

Corte formou maioria para não liberar o aborto de grávidas com zika vírus

Ministra Damares Alves Foto: Reprodução

Na noite deste sábado, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, utilizou suas redes sociais para celebrar uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito do aborto. Em votação remota, os ministros formarem maioria para recusar a possibilidade de permitir o aborto a grávidas com zika vírus.

Em sua conta do Instagram, a ministra afirmou que a “vida que dorme tranquila dentro do útero é vida” e agradeceu “a todos os pró-vidas que se mobilizaram para defender a vida durante o processo no STF”.

O placar até o momento está em 6 a 0. A votação termina na próxima quinta-feira (30).

A ação foi apresentada pela Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep), que defendeu o direito da mulher em interromper a gravidez em casos de infecção por zika vírus. Para a associação, a mulher teria direito à “possibilidade de escolher não continuar com gravidez que lhe causa intenso sofrimento”.

A relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5581) é a ministra Cármen Lúcia, que se manifestou contra o pedido. Ela foi acompanhada pelos ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes nesta sexta-feira (24). Na noite deste sábado (25), a ministra Rosa Weber também votou contra a medida.

Leia o que escreveu a ministra:

Há anos venho avisando que a infância tem sido atacada como nunca na história. SIM!! A vida que dorme tranquila dentro do útero é vida!

A justiça brasileira declarou inconstitucional o pedido de uma entidade de defensores públicos estaduais para que bebês fossem mortos enquanto dormem no útero de suas mamães.

Quero agradecer a todos os pró-vidas que se mobilizaram para defender a vida durante o processo no STF.

Faço menção aos juristas Dr. Marco Carvalho, Dr. Paulo Fernando, Dra Lilian Nunes, Dr. José Paulo (Procurador do Estado de Sergipe), ao médico Dr. Rafael Câmara (médico no Rio de Janeiro), a Dra. Lenise Garcia (Presidente do Movimento Nacional Brasil Sem Aborto), a Rosinha da Adefal que representado as pessoas com deficiência atuou junto aos ministros do Supremo Tribunal , ao deputado federal Diego Garcia, ao Senador Eduardo Girão ambos da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e a todos que de maneira brilhante defenderam a vida com base na nossa Carta Magna, na Constituição Federal. #DireitosHumanosParaTodos inclusive para os em formação!



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Há anos venho avisando que a infância tem sido atacada como nunca na história. SIM!! A vida que dorme tranquila dentro do útero É VIDA! A justiça brasileira DECLAROU INCONSTITUCIONAL o pedido de uma entidade de defensores públicos estaduais para que bebês fossem mortos enquanto dormem no útero de suas mamães. Quero agradecer a todos os pró-vidas que se mobilizaram para defender a vida durante o processo no STF. Faço menção aos juristas Dra. Angela Grandra Martins, Dr. @marcocarvalho_apb, Dr. @paulofernandodf, Dra Lilian Nunes, Dr. Rodrigo Pedroso, Dr. José Paulo (Procurador do Estado de Sergipe), ao médico Dr. Rafael Câmara (médico no Rio de Janeiro), a Dra. Lenise Garcia (Presidente do Movimento Nacional Brasil Sem Aborto), a Rosinha da Adefal que representado as pessoas com deficiência atuou junto aos ministros do Supremo Tribunal , ao deputado federal Diego Garcia, ao Senador Eduardo Girão ambos da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e a todos que de maneira brilhante defenderam a vida com base na nossa Carta Magna, na Constituição Federal. #DireitosHumanosParaTodos inclusive para os HUMANOS EM FORMAÇÃO! @jairmessiasbolsonaro #vidasimabortonao #vida #bebes #br #brazil #brasil #jairbolsonaro #presidentebolsonaro #damaresalves #ministradamares
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sábado, 25 de abril de 2020

Moro negou interferência de Bolsonaro na PF ao Roda Viva

Durante participação no programa em janeiro, ele disse que o presidente sempre apoiou as investigações

Sergio Moro no programa Roda Viva, da TV Cultura 

Nesta sexta-feira (24), ao pedir demissão do Ministério da Justiça, Sergio Moro deu como uma das justificativas para sua decisão o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter tentado interferir na Polícia Federal (PF). No entanto, a declaração foi diferente do que ele havia afirmado no dia 20 de janeiro durante sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Na ocasião, o então ministro da Justiça foi questionado sobre alguma intervenção feita por Bolsonaro em investigações. Ele negou qualquer atuação do presidente nesse sentido.

– O presidente sempre apoiou, sempre entendeu que tinha que ser investigado. Que isso tinha que ser elucidado. Houve investigação da PF. Nunca houve qualquer interferência indevida do presidente. Nunca houve qualquer afirmação de “não faça isso, não faça aquilo”. Sempre se trabalhou para que os fatos fossem da melhor maneira elucidados – declarou.

Nesta sexta, porém, seu posicionamento foi diferente ao falar sobre a demissão de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal.

– Não haveria uma causa para essa substituição. E estaria claro que estaria havendo ali uma interferência política na Polícia Federal, o que gera um abalo na credibilidade, não minha, mas minha também, mas também do governo – explicou.

Ele também disse que considerou a atitude uma interferência na carta branca que foi prometida quando entrou para o governo.

– É, não é uma questão do nome [de Valeixo]. Tem outros bons nomes para assumir o cargo de diretor da Polícia Federal, outros delegados igualmente competentes. O grande problema de realizar essa troca [na PF] é que primeiro haveria uma violação de uma promessa que foi feita inicialmente, que eu teria carta branca – disse.

Witzel vai criar ‘Secretaria de Justiça’ para ter Sergio Moro

Governador do Rio de Janeiro disse que só falta formalizar o convite ao ex-ministro da Justiça

Sergio Moro e governador do Rio e Janeiro, Wilson Witzel Foto: Reprodução

Neste sábado, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, afirmou que irá criar uma Secretaria de Justiça e convidar o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, para ocupar o cargo. A declaração foi dada durante uma entrevista ao portal Uol.

Moro pediu demissão do governo nesta sexta-feira (24) após o presidente Jair Bolsonaro decidir trocar o comando da Polícia Federal (PF). Ao comentar sobre o ex-ministro, Witzel afirmou que ele poderia ter um papel de destaque no governo do Rio.

– Eu ainda não fiz o contato, acabei perdendo o telefone do ministro, mas já solicitei e pretendo falar com ele e formalizar o convite que, aliás, já está feito. A minha intenção é criar a Secretaria de Estado de Justiça. Nessa estrutura, ele poderia fazer a integração entre os órgãos: o MP [Ministério Público], as polícias Civil e Militar, e o Judiciário. Eles precisam estar integrados, alinhados com instituições federais, no combate ao crime organizado, no aprimoramento da Justiça do estado. Quem faz essa integração hoje sou eu. Intensificaríamos o trabalho de combate à lavagem de dinheiro e daríamos o espaço político para ele trabalhar – afirmou.

O governador já havia convidado Moro para um cargo nesta sexta após o ministro anunciar, em pronunciamento, sua demissão.

– Assisto com tristeza ao pedido de demissão do meu ex-colega, o Juiz Federal Sergio Moro, cujos princípios adotamos em nossa vida profissional com uma missão: o combate ao crime. Ficaria honrado com sua presença em meu governo porque aqui, vossa excelência, tem carta branca sempre – destacou.

Lava Jato: Bolsonaro lembra apoio a Moro em vazamento

Presidente se manifestou por meio de redes sociais

Presidente Jair Bolsonaro Foto: PR/Alan Santos

Neste sábado (25), o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para rebater declarações de Sergio Moro. Ele relembrou apoio ao ex-ministro no vazamento da operação Lava Jato.

– A VazaJato como de 2019. Foram vazamentos sistemáticos de conversas de Sergio Moro com membros do MPF. Buscavam anular processos e acabar com a reputação do ex-juiz. Em julho, PT e PDT pediram prisão dele. Em setembro, cobravam o STF. Bolsonaro no desfile do dia 7 fez isso – defendeu a publicação compartilhada pelo chefe do Executivo.

Na foto, Bolsonaro aparece com a mão no ombro de Moro.

Weintraub: 'Jamais trairia alguém que confiou em mim'

Ministro se manifestou por meio de uma rede social

Abraham Weintraub, ministro da Educação Foto: Reprodução

Neste sábado (25), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, criticou o ex-ministro Sergio Moro. Ele se manifestou por meio de uma rede social.

Weintraub condenou a atitude de Moro, que expôs no Jornal Nacional trechos de conversas que teve com o presidente Jair Bolsonaro e com a deputada Carla Zambelli.

– Carla Zambelli errou na escolha de seus padrinhos? Não de todos! Também sou padrinho da Carla Zambelli e eu jamais faria isso com uma afilhada! Jamais trairia alguém que confiou em mim. Que estava tentando ajudar a todos – declarou.

Em sua publicação, ministro usou ainda a #FechadoComBolsonaro, reforçando seu apoio ao governo.

Em 14 de fevereiro, Moro foi um dos padrinhos de casamento da parlamentar com o diretor da Força Nacional, coronel Antônio Aginaldo de Oliveira.

Em outro tweet, Weintraub seguiu defendendo Zambelli, afirmando que ela apenas tentou evitar a saída de Moro.

– Estava tentando ajudar o padrinho dela, em quem confiava, a melhorar o diálogo com o Presidente. Fez isso ingenuamente e sem autorização, por gostar e confiar em Sérgio Moro – escreveu.

Abraham Weintraub criticou Sergio Moro Foto: Reprodução

Feliciano afirma que 'Sergio Moro, no mínimo, prevaricou'

Deputado afirmou que o pronunciamento do ex-ministro foi a "fala de um homem que estava magoado"

Presidente Jair Bolsonaro e deputado Marco Feliciano Foto: Marcos Corrêa/PR

Nesta sexta-feira (24), o deputado federal Marco Feliciano (Sem partido-SP) comentou a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça e disse que as acusações feitas pelo ex-ministro mostram que “no mínimo ele prevaricou”. A declaração foi dada durante uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena, da TV Band.

O parlamentar disse que o momento atual do Brasil é “muito triste” e que Moro precisa provar as acusações que contra o presidente.

– É um momento muito triste, um momento que o Brasil vive. O momento da pandemia (…) No meu pensamento, isso era totalmente desnecessário. As falas de Moro às 11 da manhã me deixaram muito preocupado. Até porque ele fez seríssimas acusações. Só que cada acusação que ele fez, Datena, ele assinou o atestado dele em baixo. Porque, se tudo isso que ele falou procede, no mínimo o ministro prevaricou. E claro que ele tem que provar tudo o que disse – explicou.

Feliciano também elogiou o pronunciamento de Bolsonaro.

– Eu ouvi ali a fala de um homem que estava magoado, que não foi correspondido a um pedido que havia feito. Infelizmente não entendeu que o governo é um time. O presidente é o chefe do estado e ele deu aos ministros autonomia para que ele pudesse trabalhar. Mas era uma autonomia em consonância com o presidente. Com relação à fala do presidente Jair Bolsonaro, eu fiquei muito feliz, porque ele se mostrou muito equilibrado e fez revelações contundentes – destacou.


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Aras pede inquérito para investigar acusações de Moro

Pedido aponta eventual ocorrência de crimes como falsidade ideológica e coação no curso do processo

Procurador-geral da República, Augusto Aras Fotos: Isac Nobrega/PR

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja aberto um inquérito para apurar as acusações feitas por Sergio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro no pedido de demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O pedido de Aras aponta a eventual ocorrência dos crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra.

– A dimensão dos episódios narrados revela a declaração de Ministro de Estado de atos que revelariam a prática de ilícitos, imputando a sua prática ao Presidente da República, o que, de outra sorte, poderia caracterizar igualmente o crime de denunciação caluniosa – apontou o procurador-geral.

*Folhapress

Ditador comunista Kim Jong-un está em estado vegetativo

Imprensa japonesa fala sobre saúde do ditador norte-coreano

Kim Jong-un e Kim Yo-Jong (KCNA via Reuters)

Uma revista japonesa divulgou nesta sexta-feira (24) que o ditador norte-coreano Kim Jong-un está em estado vegetativo após uma cirurgia cardíaca malsucedida.

A revista Shūkan Gendai relata que Kim sentiu dores no peito durante um passeio no campo.

Os médicos que o acompanhavam correram para um hospital de emergência e massagearam o coração. Nesse meio tempo, também foi pedido ajuda de médicos da China.

Como a chegada dos chineses demoraria, a equipe médica norte-coreana decidiu fazer a cirurgia de implante de stent cardíaco.

A cirurgia, que é relativamente normal e simples, insere uma pequena prótese no interior de uma artéria para evitar a obstrução dos vasos sanguíneos.

Segundo relata a revista, o “cirurgião estava muito nervoso e suas mãos tremiam”, e o processo que “levaria cerca de 1 minuto, demorou 8”.

Quando os médicos chineses chegaram, já não havia nada a ser feito. Segundo a CNN, Kim Jong-un estava em estado crítico desde o início do mês.

A última aparição pública de Kim aconteceu no dia 11 de abril, depois de sentidas ausências em diferentes eventos importantes para o regime de Pyongyang, entre eles, a visita ao mausoléu de Kim Il-sung, avô do líder.

Sucessão

A mídia japonesa revelou que desde o final do ano passado, Pyongyang tem preparado Kim Yo-Jong, a irmã caçula do líder norte-coreano, para sucedê-lo em caso de morte.

Em situações semelhantes no passado, as autoridades comunistas respondiam as especulações com mensagens de propagandas. Mas a ausência de uma resposta pode indicar que há algo acontecendo.

Mídia age como um 'gabinete do ódio', diz Carlos Bolsonaro

Vereador apontou uma insistência da imprensa em relacionar seu nome a "tudo que pega mal à primeira vista do público"
Vereador Carlos Bolsonaro Foto: Câmara Municipal do Rio de Janeiro/Renan Olaz

Nesta sexta-feira (24), o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, utilizou suas redes sociais para apontar uma insistência da imprensa em relacionar seu nome a “tudo que pega mal à primeira vista do público”. Para ele, a mídia age como um “gabinete do ódio”. O comentário foi feito ao falar sobre a notícia da demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

Na imagem compartilhada pelo filho do presidente Jair Bolsonaro, há uma notícia afirmando que a saída de Moro do governo e de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal (PF) teria “digitais” de Carlos Bolsonaro.

– Notaram que tudo que pega mal à primeira vista do público a imprensa diz que estou envolvido, e tudo que pega bem vai pra conta de determinada “ala”? Alguém acha mesmo que apoiar Bolsonaro e não receber críticas diárias da imprensa não é, no mínimo, incoerente? – questionou.
Ele ainda completou seu raciocínio.

– Será que acham que ninguém notou que a imprensa faz pra esse grupo exatamente o que ela diz que um “gabinete de ódio” faz pro Presidente, só que neste caso com uma estrutura gigantesca e legítima, verdadeiramente capaz de assassinar reputações pois fala sob mantra de instituição? – ressaltou.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Bolsonaro escolhe chefe da Abin para diretor-geral da PF

Alexandre Ramagem foi chefe de segurança da campanha presidencial

Alexandre Ramagem será o novo diretor-geral da Polícia Federal 

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para assumir o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A escolha acontece após a exoneração Maurício Valeixo, que deixou o cargo nesta quinta-feira (23). A informação foi obtida pelo colunista Lauro Jardim.

Ramagem tem 15 anos na Polícia Federal, e é considerado um delegado jovem para o cargo. Ele conheceu o Jair Bolsonaro ainda durante a campanha eleitoral de 2018, quando se tornou chefe de segurança após a facada no então candidato.

Ramagem assumiu a direção da Abin em meados de 2019. Ele conta também com o apoio dos três filhos políticos de Bolsonaro, Flávio, Carlos e Eduardo.

Em pronunciamento, Moro pede demissão do governo

Decisão foi comunicada pelo ministro na manhã desta sexta em Brasília

Ministro da Justiça, Sergio Moro Foto: Câmara dos Deputados/Cleia Viana

Em um pronunciamento realizado na manhã desta sexta-feira (24), no auditório do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em Brasília, o ministro Sergio Moro decidiu que vai deixar o governo federal.

A decisão tomada pelo ministro ainda deve ser oficializada no Diário Oficial da União. Durante a fala, ele destacou alguns pontos que marcaram sua gestão na pasta, como o pacote anticrime e estratégias que reduziram os números da criminalidade pelo país.

– Não houve um combate tão efetivo contra a criminalidade como houve nessa gestão do MJSP. Tivemos números expressivos de apreensão de produto do crime. Buscamos fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal neste período – disse.

Durante o pronunciamento, Moro falou sobre a mudança no cargo de diretor-geral da Polícia Federal, com a saída de Maurício Valeixo. Ele afirmou que não permitiria a troca se ela fosse motivada pelo que ele chamou de “interferência política”.

– O grande problema é por que trocar e permitir que seja feita interferência política no âmbito da PF. O presidente me disse que queria colocar uma pessoa dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência. Realmente, não é papel da PF prestar esse tipo de informação – disse.

O agora ex-ministro também afirmou não ter assinado o decreto de saída do gestor da corporação.

– Eu não assinei esse decreto e em nenhum momento o diretor da PF apresentou um pedido oficial de exoneração – declarou.

Moro também declarou que recebeu carta branca para atuar no comando do Ministério da Justiça e que a única condição que colocou quando foi convidado para o cargo foi de que sua família fosse protegida.

– Tem uma única condição que coloquei. Eu não ia revelar, mas agora isso não faz sentido. Eu disse que, como estava saindo da magistratura, contribuí durante 22 anos, pedi que, se algo me acontecesse, que minha família não ficasse desamparada – apontou.

Moro assumiu o cargo no início do governo do presidente Jair Bolsonaro, após atuar como juiz na 13ª Vara Criminal Federal em Curitiba, no Paraná, responsável pelo julgamento dos réus da Operação Lava Jato.

O agora ex-ministro falou que, após a saída, pretende descansar dos 22 anos de trabalho como magistrado, que pretende procurar um novo emprego em breve e que está à disposição do país.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Conselho de Medicina autoriza hidroxicloroquina para Covid

Decisão foi tomada após encontro com presidente Jair Bolsonaro

Após encontro com Bolsonaro, CFM autoriza hidroxicloroquina no início de sintomas da Covid-19 Foto: Reprodução

Mesmo ressaltando que não existe comprovação científica de que a hidroxicloroquina seja eficaz para o tratamento do novo coronavírus, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou o uso do medicamento em três situações, incluindo no início de sintomas sugestivos de Covid-19 e em ambiente domiciliar.

O anúncio foi feito por Mauro Luiz Britto Ribeiro, presidente do CFM, após reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e com o ministro da Saúde, Nelson Teich. Na ocasião, Ribeiro entregou às autoridades um parecer do conselho sobre a administração da substância em pessoas que estejam com a Covid-19.

Bolsonaro é um defensor da hidroxicloroquina e da cloroquina para o tratamento da doença. Ele já defendeu que elas sejam utilizadas inclusive no estágio inicial da enfermidade e sua defesa das medicações foi um dos pontos centrais do conflito com o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que era contrário à ampla recomendação do remédio para o coronavírus.

Ribeiro disse que, no parecer, o conselho decidiu liberar que médicos usem a substância. Ele ressaltou que não se trata de uma recomendação da entidade, mas de uma autorização. Ribeiro também destacou que o CFM não autoriza o uso preventivo da hidroxicloroquina.

O primeiro caso em que o uso da droga está liberado para a Covid-19 é para pacientes críticos, em terapia intensiva, nos chamados casos compassivos.

– Ou seja, o paciente está praticamente fora da possibilidade terapêutica e o médico, com autorização dos familiares, pode usar essa droga – afirmou o chefe da entidade.

O CFM também autorizou a substância para casos menos graves e até para estágios iniciais dos sintomas. Ribeiro disse que a hidroxicloroquina também está liberada para pacientes que chegam com sintomas no hospital, quando existe “um momento de replicação viral”. E, ainda, no início dos sintomas, desde que estejam descartadas as possibilidades de que a pessoa tenha na verdade uma gripe normal, dengue ou H1N1.

– É também uma decisão compartilhada com o paciente, em que o médico explica que não existe nenhum benefício provado da droga no uso da Covid; e explicando também em relação aos riscos que a droga apresenta.

Ele ressaltou que em todos os casos a administração deve ser feita no âmbito da relação entre o médico e o paciente. Dentro dessa relação, a hidroxicloroquina também pode ser receitada em ambiente domiciliar, destacou Ribeiro.

*Folhapress

Ministério da Justiça nega que Moro tenha pedido demissão

Informação também foi confirmada pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto

Ministro da Justiça, Sergio Moro Foto: Câmara dos Deputados/Cleia Viana

Nesta quinta-feira (23), boatos sobre uma possível demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, se espalharam pela imprensa e pelas redes sociais. A informação, no entanto, se mostrou falsa e Moro continuará no governo do presidente Jair Bolsonaro, de acordo com a assessoria do próprio Ministério da Justiça.

Em entrevista coletiva, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, também confirmou que Moro segue no cargo.

O motivo apontado pelas notícias para o suposto pedido de demissão do ministro foi uma possível troca no comando da Polícia Federal (PF). As notícias afirmavam que Bolsonaro queria trocar o atual diretor-geral, Maurício Valeixo, por um outro nome, o que teria desagradado Sergio Moro.

De acordo com o jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo, a saída de Valeixo do cargo seria a pedido do próprio diretor-geral da PF, que disse a Moro estar cansado. Ele também teria negado que a decisão de deixar o posto tivesse relação com um inquérito envolvendo o presidente Jair Bolsonaro.

Ainda segundo o veículo, o nome do substituto, caso Valeixo deixe o cargo, será escolhido em conjunto por Moro e Bolsonaro.

Globo narra morte da mesma pessoa por razões diferentes

Motivo para óbito de homem foi justificado como AVC no Jornal Hoje e Covid-19 no Jornal da Globo

Repórter Sabina Simonato noticia caso de idoso no Jornal Hoje Foto: Reprodução/TV Globo

A morte de um homem de 60 anos causou confusão nos noticiários da Globo na terça-feira (21). O motivo é que o óbito foi atribuído a dois motivos diferentes em dois telejornais nacionais distintos.

A primeira versão foi exibida no Jornal Hoje, quando a repórter Sabina Simonato narrou a história de Severino, que “teve um AVC e estava há dias no Hospital Municipal de Campo Limpo esperando por um leito de UTI”, mas acabou morrendo antes de ser transferido.

Já no fim do dia, no Jornal da Globo, a repórter Patrícia Falkowski falou sobre o caso do mesmo homem, mas dessa vez o relato deu conta de que ele morreu de Covid-19 sem conseguir o leito de UTI.

Para esclarecer a confusão, a Globo emitiu uma nota dizendo que “Alexandre, filho do senhor Severino, informou que o exame para Covid-19 foi feito logo que o pai foi internado por causa do AVC. Essa declaração inclusive foi ao ar nos jornais locais”.

Por fim, a emissora esclareceu que o Jornal da Globo cometeu “uma imprecisão” ao dizer que o homem estava com a Covid, quando na verdade o caso se tratava apenas de uma suspeita.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Bolsonaro quer general como nº 2 do Ministério da Saúde

No entanto, cargo é provisório

Presidente Jair Bolsonaro indica general como número 2 no Ministério da Saúde Foto: PR/Júlio Nascimento

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quer indicar o general Eduardo Pazuello para assumir temporariamente como número 2 do Ministério da Saúde e montar uma equipe-tampão na pasta durante a pandemia do novo coronavírus, enquanto o ministro Nelson Teich seleciona seu time definitivo.

Pazuello, escolhido para ser o secretário-executivo da pasta no lugar de João Gabbardo, está escolhendo nomes militares e civis. Toda essa equipe deverá ser nomeada em conjunto na próxima semana. Bolsonaro e Pazuello se reuniram por cerca de uma hora e meia no fim da manhã desta terça-feira (21) no Hotel de Trânsito de Oficiais, no Setor Militar Urbano de Brasília.

De acordo com pessoas envolvidas nas conversas, a permanência do general no ministério é temporária e, terminada a missão, como os militares se referem ao caso, Pazuello volta a comandar a 12ª Região Militar.

A ideia de Bolsonaro ao fazer o convite ao general é dar tempo para Teich escolher com calma sua equipe. Enquanto isso, o general monta e ajuda a coordenar uma equipe de prontidão, que poderá ou não ficar no ministério, à escolha do chefe da pasta, substituto de Luiz Henrique Mandetta.

Teich tomou posse na semana passada, logo após a demissão de Mandetta.

Após a reunião com Bolsonaro para discutir a estratégia de atuação das pessoas que Pazuello está selecionando, o general foi ao Ministério da Saúde para conversar com Teich.

O nome do general é bem aceito pelos ministros palacianos, que ressaltam sua experiência em logística em ações de emergência, comprovada, segundo eles, em papéis que desempenhou nas Forças Armadas, como na Operação Acolhida –administrada pelo Exército para a recepção de imigrantes venezuelanos–, que comandou entre março de 2018 e janeiro deste ano.

Em 2016, ele foi coordenador logístico das tropas do Exército que atuaram nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro.

A habilidade na área é apontada como essencial neste momento de pandemia em que é preciso habilidade na logística de distribuição de equipamentos e construção de hospitais de campanha, por exemplo.

A indicação de Pazuello foi feita por ministros militares do governo, entre eles o general Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Com isso, o Palácio do Planalto espera que a gestão da crise seja compartilhada entre a Saúde e outras pastas, com nomes de confiança de Bolsonaro.

*Folhapress

Deputados do PSL vão pedir impeachment do socialista João Doria

Governador é acusado de crime de responsabilidade

Governador de São Paulo, João Doria

Deputados paulistas do PSL vão protocolar nesta quarta-feira (22), na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), um pedido de impeachment contra o governador do estado, João Doria (PSDB).

O documento elenca 19 pontos em que os parlamentares alegam ter havido “ilegalidades, imoralidades e condutas pouco republicanas”, acusando o tucano da prática de “crimes de responsabilidade”.

A ação foi elaborada pelos deputados Gil Diniz, Douglas Garcia, Major Mecca, Frederico D’Ávila e Valéria Bolsonaro.

Entre os motivos apontados pelo texto estão “a utilização indevida e ilegal de bem público em desfavor da população”, referindo-se ao episódio no qual Doria pediu a transferência de um helicóptero da Polícia Militar para uso do Palácio dos Bandeirantes, mas desistiu após questionamento.

O pedido de impedimento também cita o monitoramento da população do estado de São Paulo por meio de parceria com empresas de telefonia –o governo está usando esses dados para acompanhar a adesão ao isolamento social pedido pelo Executivo municipal.

O texto ainda aponta a “montagem de hospital temporário de campanha com valor abusivo e desarrazoado”, referindo-se aos leitos de campanha erguidos no complexo esportivo Constâncio Vaz Guimarães por R$ 42 milhões.

No começo deste mês, o senador Major Olímpio (PSL-SP) também protocolou um pedido de impeachment contra Doria.

*Mônica Bergamo/Folhapress

Silvio dá recado ao jornalismo do SBT: Bolsonaro é 'o patrão'

Apresentador enviou raro comunicado à equipe da emissora

Presidente Jair Bolsonaro no programa de Silvio Santos Foto: PR/Alan Santos

O apresentador Silvio Santos enviou aos seus colaboradores da área de jornalismo uma nota considerada rara. Silvio, que já demonstrou diversas vezes apoio ao presidente Jair Bolsonaro, desta vez foi mais incisivo e avisou aos funcionários que o presidente é o “patrão” da emissora.

O Dono do Baú não chegou a justificar o comunicado, mas toda a equipe percebeu que precisa praticar um jornalismo mais coerente com o posicionamento do dono da emissora. Este, por sua vez, demonstra apoio à gestão de Bolsonaro.

– A minha concessão de televisão pertence ao governo federal e eu jamais me colocaria contra qualquer decisão do meu “patrão” que é o dono da minha concessão. Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono, ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego – disse no comunicado.

terça-feira, 21 de abril de 2020

O socialista Doria cede e vai anunciar plano de saída do isolamento

Governador está sob pressão para retomar atividades

Governador de SP João Doria apresentará plano para reabrir comércio 

Quase um mês após decretar a início da quarentena, o governador de São Paulo, João Doria, irá apresentar um plano de saída gradual do isolamento. O projeto deve ser divulgado nesta quarta-feira (22).

O programa terá início a partir do dia 11 de maio, um dia após o término oficial da quarentena no estado. Isto significa que não haverá antecipação do fim do isolamento, conforme Bolsonaro havia sugerido.

O plano para a retoma gradual da economia foi criado pelos secretários Henrique Meirelles (Fazenda) e Patrícia Ellen (Desenvolvimento Econômico), e por economistas como Ana Carla Abrão e Pérsio Arida. Representantes da indústria, do comércio, do setor de serviços, da tecnologia e da ciência foram ouvidos para o planejamento.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

'Queremos voltar ao trabalho, o povo quer', diz Bolsonaro

Presidente rebateu críticas contra participação dele nos atos de domingo

Bolsonaro conversa com jornalistas Foto: Pleno.News

Na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta segunda-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro falou sobre os atos realizados no domingo e ressaltou que é contra o fim da democracia.

– No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo – afirmou a jornalistas.

O presidente também ressaltou que as críticas contra a participação dele no ato não tem justificativa, já que ele não fez qualquer ataque contra outros poderes. O chefe do Executivo destacou que a ação foi uma saudação ao Exército.

– Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação que ainda está dentro da normalidade – disse.

Segundo o presidente, a pauta do ato que teve sua participação era apenas “povo na rua, dia do Exército e volta ao trabalho”.

– Todo e qualquer movimento tem infiltrados, tem gente que tem a sua liberdade de expressão. Respeitem a liberdade de expressão – afirmou.

*Folhapress

Roberto Jefferson denuncia golpe de Maia e Alcolumbre

Presidente do PTB afirmou que dupla pretende articular reeleição no Legislativo, que é proibida atualmente

Roberto Jefferson denunciou tentativa de golpe de Maia e Alcolumbre Foto: Agência Brasil/Valter Campanato

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, denunciou, em suas redes sociais, uma tentativa dos presidentes da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) de se reelegerem aos cargos que ocupam atualmente nas duas Casas.

Pela legislação atual, as reeleições de presidentes do Legislativo em um mesmo mandato é proibida. Jefferson afirmou, porém, que tanto Maia quanto Alcolumbre pretendem se valer da PEC 101/2003, do hoje ex-deputado Benedito de Lira, que liberaria a nova eleição aos dois.

– O golpe da reeleição de Maia e Alcolumbre já está armado. Vão se valer da PEC 101/2003, do Benedito de Lira, que já foi aprovada na CCJ e em uma comissão especial da Câmara, e que já está pronta para votação em Plenario – escreveu Jefferson em seu Twitter.

Roberto Jefferson disse que a articulação para a votação ainda está em andamento e que só não foi concretizada pois ainda não há definição se ela será feita através de votações online ou presenciais.

– Como essa PEC do Benedito de Lira já tem tramitação adiantada, é mais fácil vota-la do que iniciar PEC nova. Os articuladores do golpe só não sabem ainda se o farão agora, nas votações online, ou se esperarão a volta aos trabalhos, até porque há o risco de não ser aprovada – declarou.

LIVE COM DENÚNCIAS
Roberto Jefferson reiterou as denúncias que fez pelas redes sociais durante uma live realizada na noite de domingo (19), com o jornalista Oswaldo Eustáquio, onde ele chamou a atitude dos presidentes do Senado e da Câmara de “golpe parlamentarista”.

Durante a transmissão, Jefferson também afirmou que o objetivo dos dois presidentes do Legislativo federal, após a reeleição, seria o de derrubar Bolsonaro através de um pedido de impeachment.

– Eu tenho total convicção do que estou falando – disse.

Teich defende cuidado com social e econômico ao G20

Ministro da Saúde participou de reunião e falou sobre integralidade da saúde

Nelson Teich participou de reunião do G20 Foto: MS/Erasmo Salomão

O ministro da Saúde, Nelson Teich, participou de uma videoconferência com integrantes do G20 para tratar sobre a pandemia do novo coronavírus neste domingo (19).

Na reunião, o substituto de Mandetta afirmou que “não há caminho fácil”, mas se mostrou focado no auxílio ao sistema de saúde.

– Não tem caminho fácil para sair da crise e acredito que os sistemas de saúde nunca mais serão os mesmos depois dessa experiência – declarou.

Teich também aproveitou para elogiar os representantes dos países do G20 e falou sobre cuidados com o bem-estar social e econômico.

– A urgência da Covid-19 está nos confrontando a todos, e isso é crítico. E parabenizamos essa reunião dos ministros da Saúde do G20, considerando os profundos desafios que essa pandemia traz para o bem-estar social e econômico da nossa população neste momento – explicou.

domingo, 19 de abril de 2020

'Vírus Chinês': o que está por trás da decisão de Donald Trump de suspender financiamento à OMS

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender temporariamente a contribuição financeira de seu país à Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto investiga o papel do organismo internacional na atual pandemia de coronavírus, se materializou na terça-feira (14/04).

Mas não foi uma decisão que causou tanta surpresa. Há muito já se especulava que os ataques de Trump à OMS não se restringiriam apenas à retórica.

Os EUA são o país que mais contribui para o orçamento do organismo multilateral baseado em Genebra, na Suíça. O Brasil também é um importante financiador da OMS, embora não tenha pagado sua contribuição em 2019 e 2020, conforme revelou o blog do jornalista Jamil Chade no Uol.

A dívida brasileira com a organização era de R$ 169 milhões até 31 de março, uma das maiores, segundo apontam documentos internos da OMS.
Mas o que motivou Trump?

Há dois motivos principais, mas ambos envolvem a China, diz Barbara Plett-Usher, correspondente da BBC no Departamento de Estado dos EUA.

Por um lado, o anúncio tem a ver, evidentemente, com o coronavírus.

Integrantes do governo Trump acusaram a OMS de ter cometido erros no tratamento da pandemia, dizendo que a organização foi influenciada pela China.

Eles alegam que a OMS apoiou o plano de ação do governo chinês, que subestimou o vírus, e que não o pressionou o suficiente em busca de informações.

Em particular, o presidente Trump demonstrou descontentamento com as críticas da OMS à sua decisão de impedir a chegada de voos da China aos EUA.

Por outro lado, acrescenta Plett-Usher, é parte de um esforço maior do governo Trump para reduzir a crescente influência global da China , especialmente em organismos internacionais.

Conforme noticiado pelo jornal americano The Wall Street Journal, a decisão procura pressionar a agência a contratar mais funcionários americanos.

"Instruo meu governo a interromper o financiamento enquanto uma investigação está sendo conduzida sobre o papel da OMS na má administração e encobrindo a disseminação do coronavírus", disse Trump.

"A OMS falhou em seu dever principal e deve ser responsabilizada", acrescentou.

"Muitos países disseram que escutariam a OMS e agora têm problemas", disse Trump, que criticou a organização por não restringir os voos da China, onde o surto teve origem.

O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, reagiu à decisão de Trump e disse que "agora não é a hora" de cortar recursos para a OMS.

'Informação falsa'

A decisão de suspender o financiamento da OMS ocorre num momento em que Trump está sendo alvo de críticas pela maneira com que lida com a crise nos Estados Unidos, o país com o maior número de mortos por covid-19.

Em janeiro, pouco depois de assinar um acordo comercial com Pequim, o presidente dos Estados Unidos elogiou a China por conter o vírus.

Mas agora Trump questiona se o gigante asiático teria dito a verdade.

"O mundo recebeu todo tipo de informação falsa. Se a OMS tivesse ido à China para monitorar o surto, mais vidas seriam salvas", afirmou o presidente.

"Sua confiança nos dados da China talvez tenha causado um aumento de 20 vezes no número de casos no mundo", criticou, sem apresentar provas do que disse.

"Seus erros causaram muitas mortes", acusou, e disse que a organização das Nações Unidas "encobriu" a gravidade do surto devido à sua suposta proximidade com a China.

"Se a OMS tivesse feito o seu trabalho de enviar especialistas médicos à China para avaliar objetivamente a situação in loco e criticar a falta de transparência da China, o surto poderia ter sido contido no foco com pouquíssimas mortes", especulou Trump.

Trump já havia acusado a OMS de colocar o politicamente correto acima de sua tarefa de salvar vidas e estar do lado da China, um país cuja transparência na pandemia foi amplamente criticada pelos Estados Unidos.

US$ 400 milhões

Estima-se que os Estados Unidos sejam responsáveis por 15% de todo o financiamento da OMS. É o país que mais contribui, na ordem de US$ 400 milhões por ano.

Mas Trump também disse ter "sérias dúvidas de que a generosidade dos Estados Unidos tenha sido usada da melhor maneira possível".

A contribuição da China em 2018-19 foi de quase US$ 76 milhões em contribuições obrigatórias e US$ 10 milhões em contribuições voluntárias, segundo o site da OMS.

A organização pediu em março US$ 675 milhões para ajudar a combater a pandemia e deve pedir pelo menos US$ 1 bilhão agora.

Todos os países-membros da ONU são obrigados a contribuir com o orçamento da OMS. Essa contribuição é proporcional à sua riqueza e à sua população.