quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Novo ‘escândalo dos imóveis’ pode retirar Graça Foster da Petrobras

Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, discursando em sessão solene do Congresso Nacional lembra os 60 anos da empresa (Wilson Dias/ABr)

O grupo do ex-presidente Lula já definiu que é insustentável a manutenção de Graça Foster na Presidência da Petrobras. As revelações sobre transferência de imóveis, sob o risco de ter os bens bloqueados por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), só piorou a situação da amiga de Dilma Rousseff. O maior problema, agora, é que o governo não sabe quem escalar para substituir Graça.

Ontem, o TCU adiou para semana que vem o julgamento sobre o bloqueio dos bens de Graça. O ministro José Jorge, relator do caso Pasadena, já antecipou que pedirá para bloquear o patrimônio da presidente da Petrobras em desgraça. Jorge já avaliou ontem que a situação dela é gravíssima, ainda mais se for confirmada que Graça tentou cometer uma burla contra o processo de apuração de irregularidades na empresa.

Graça já é alvo de um inquérito na Polícia Federal que investiga se ela prestou informações falsas no depoimento ao Senado sobre o escândalo Pasadena. Graça também pode ser atingida por outra investigação para apurar a tentativa de fraude e manipulação da CPI. Para completar, tem outra apuração em andamento sobre os negócios da empresa de seu marido Colin Foster com a Petrobras.

Sem Graça

O Globo revelou que, em 20 de março de 2014, Graça doou “com reserva de usufruto” um apartamento em Rio Comprido a Flavia Silva Jacua de Araújo, tendo Colin Silva Foster como interveniente.

No mesmo dia, a presidente da Petrobras fez uma doação semelhante a Flavia e a Colin de um imóvel na Ilha do Governador.

No dia 19 de março, um dia antes das transações feitas por Graça, veio a público um posicionamento da presidente Dilma Rousseff de que apoiou a compra da refinaria de Pasadena por conta de um “parecer falho” elaborado por Nestor Cerveró – que também doou três apartamentos a parentes em 10 de junho, 45 dias antes de o TCU determinar o bloqueio de seus bens e de mais nove gestores da Petrobras.

As doações

Cerveró doou um apartamento na Rua Prudente de Moraes a Raquel Cerveró. Transferiu outro apartamento no mesmo prédio a Bernardo Cerveró. E um apartamento na Rua Visconde de Pirajá, também a Bernardo Cerveró.

Sem defesa

O Advogado Geral da União, Luis Inácio Adams, sai em defesa de Graça: “Não há nenhuma fuga patrimonial. Não há como você achar que, eventualmente, se houve uma transferência pontual, isso representa fuga patrimonial. Fuga patrimonial é desfazimento integral do seu patrimônio em favor de laranjas, em favor de pessoas não identificadas, de forma que você não possa recuperar esse patrimônio. Não é o caso – afirmou, acrescentando que se fuga houver, ela seria reversível. Esse tema ganhou um tipo de emocionalidade e polemização exagerada”.

Assim que for definido o nome de um substituto para Graça, ela sai do cargo, para não contaminar a reeleição da amiga Dilma.

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