Preso desde novembro, o pecuarista José Carlos Bumlai negocia um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, segundo a edição desta segunda-feira (7) do jornal Valor Econômico. Há duas semanas, o amigo do ex-presidente Lula se reuniu com procuradores para discutir sua disposição em colaborar com as investigações, que apuram o esquema de corrupção na Petrobras.
Segundo jornal, empresário amigo do ex-presidente Lula se reuniu há duas semanas com investigadores da Lava Jato para discutir sua disposição em colaborar com as investigações
Os advogados do empresário, porém, negam categoricamente essa possibilidade.
De acordo com o jornal, na primeira reunião, Bumlai foi informado sobre o funcionamento de uma delação premiada e os detalhes do procedimento – como se deslocar para prestar esclarecimentos sempre que considerado necessário pelos procuradores.
Se concordar em colaborar com a força-tarefa, o empresário pode esclarecer se o ex-presidente Lula tinha conhecimento e deu aprovação à contratação, sem licitação, do Grupo Schahin para operação de navio-sonda da Petrobras. Em troca, Bumlai fez um empréstimo de 12 milhões de reais no banco Schahin e que, conforme ele já confessou, foi destinado ao financiamento de caixa dois do PT.
Segundo interlocutores, o pecuarista também pode explicar sua suposta intermediação junto a Lula para a contratação da OSX pela Sete Brasil – criada para a construção de 28 sondas fora do balanço da Petrobras. Embora a negociação não tenha dado certo, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, “adiantou, a título de comissão, cerca de 2 milhões de reais a José Carlos Bumlai”, segundo o Ministério Público Federal (MPF), cujo destino não está claro.
Além disso, Bumlai pode dar respostas aos investigadores sobre o sítio em Atibaia (SP), que segundo a Lava Jato pertence ao ex-presidente Lula – ele afirma que não é dono do imóvel. O pecuarista é suspeito de ter bancado reformas na propriedade rural com dinheiro oriundo do petrolão.
Família unida
O filho de Bumlai, Maurício Bumlai – que responde a processos penais na Lava Jato por corrupção e por suposto envolvimento em esquema fraudulento com a Schahin – reapareceu na quinta-feira passada, quando a delação do Delcídio do Amaral veio a público. Segundo o senador, foi o filho de Bumlai quem intermediou o pagamento de 250.000 reais à família do ex-diretor Nestor Cerveró, para que ele não aceitasse fechar acordo de delação premiada. A menção ao filho deixou Bumlai mais preocupado com o avanço da Lava Jato sobre seus familiares.
Fonte: Veja