segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Delações da Odebrecht serão gravadas e põe Brasília em suspense

O acordo de delação entre a Odebrecht e o Ministério Público Federal, marcada inicialmente para o dia 8, foi adiada. Mas deve ocorrer ainda no mês de novembro. De acordo com a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), os depoimentos devem ser gravados em vídeo.

Vazamentos de denúncias de executivos da empreiteira dão prévia do que está por vir, já começam a arranhar figuras do governo e levam nervosismo ao meio político

Segundo a coluna de Mônica Bérgamo da ‘Folha de S. Paulo’, o material será enviado ao ministro Teori Zavascki. Depois de examiná-las, ele decide se homologa ou não cada uma das delações.

O medo ronda Brasília

Segundo matéria da ‘Deutsche Welle’ (DW), após a prisão do empresário Marcelo Odebrecht, em junho de 2015, o noticiário brasileiro foi dominado por manchetes sobre o que o episódio representava para o governo da então presidente Dilma Rousseff. Presidente da maior empreiteira do país, ele viu seus negócios florescerem nos anos petistas no Planalto e foi um doador generoso de campanhas do partido. Falava-se então em “delação do fim do mundo”, capaz de implodir o sistema.

Mais de um ano depois, o mesmo tom agora está sendo usado em relação ao governo de Michel Temer (PMDB), que sucedeu Dilma após o processo de impeachment, conforme surgem notícias de que o acordo de delação de Odebrecht e de mais de 50 executivos da empresaestão próximas da assinatura final.

Como ocorreu em outras etapas da Lava Jato, a negociação da delação está sendo marcada por diversos vazamentos de informações preliminares entregues pelos investigados. Até agora, esses vazamentos só deram uma prévia do que está por vir, mas já foram suficientes para trazer nervosismo ao meio político e aos novos ocupantes do Planalto.

Dezenas de políticos na mira

Entre as figuras que já registram arranhões na imagem por causa dessas revelações estão homens-fortes do governo Temer, como Moreira Franco e os ministros Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima, além do próprio presidente.

O vazamento mais recente, divulgado na semana passada, implicou o ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB). Segundo um executivo, a empreiteira entregou 23 milhões de reais para sua campanha em 2010 por meio de uma conta na Suíça.

Mas o alcance não está restrito à cúpula do governo e partidos. Segundo o jornal ‘O Globo’, os executivos podem fornecer informações capazes de implicar 130 deputados, mais de 30 senadores, além de 20 governadores e ex-governadores de diversos partidos.

“Boa parte do que é falado nessas colaborações, e não estou falando só da Odebrecht, se refere a personagens políticos que foram ou são do governo”, afirmou nesta semana Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Nesta semana, em Brasília, surgiram conversas se o governo Temer vai ter chances de sobreviver a uma nova série de revelações. Segundo o jornal ‘Folha de S.Paulo’, lideranças do PT e do PSDB discutem eventuais nomes que poderiam ser lançados em uma eleição indireta à Presidência.

Reportagem da revista ‘Veja’ diz que um executivo afirmou que entregou 10 milhões de reais em dinheiro vivo para a campanha de Temer em 2014. Ainda não se sabe se o valor envolve caixa 2, mas investigadores da Lava Jato normalmente encaram essas transações como pagamento de propina.

Superplanilha e eleições

A delação também pode esclarecer qual é o significado da superplanilha com o nome de 240 políticos de 22 partidos ao lado de valores que foi apreendida na casa de um dos diretores da empreiteira.

Ainda que a assinatura possa estar próxima, seus efeitos legais devem demorar. Após a formalização, deve começar um longo processo de depoimentos dos executivos, em que se espera que eles entreguem detalhes e provas das informações prestadas preliminarmente que levaram ao acordo. É algo que pode se arrastar por meses.

Como as delações envolvem políticos com foro privilegiado, tudo ainda deve ser remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), que já está sobrecarregado com casos da Lava Jato. Caberá à corte homologar esses acordos.

Os efeitos políticos, no entanto, devem ser mais imediatos se a delação seguir o mesmo caminho de acordo anteriores, que provocaram turbulência assim que foram divulgados, muitos antes de qualquer julgamento ou até mesmo da formalização de um acordo – como ocorreu com a delação de operadores do Petrolão ao longo de 2015.

O xadrez político das eleições presidenciais de 2018 já sente os efeitos. Réu em três ações e alvo de diversos inquéritos, Lula cultivava uma relação de proximidade com a Odebrecht e pode ver sua situação legal ficar ainda mais complicada. Já o tucano José Serra pode perder espaço na disputa por mais uma indicação como candidato do PSDB.

Fonte: DW e Folha de S. Paulo

Crise fez PT perder nas urnas muito mais do que a Lava Jato; entenda

Lideranças do PT têm atribuído o péssimo desempenho do partido nas eleições municipais deste ano aos estragos causados pela Lava Jato, mas não é bem assim. Ou pelo menos não é só isso. Como mostrou um artigo dos procuradores Deltan Dallagnol e Orlando Martello, o partido não é nem sequer o que tem mais políticos enrolados na operação: no STF, dos 17 políticos acusados, 9 são do PP, 4 do PMDB, 3 do PT e 1 do PTC. a informação é do site da ‘Veja’.

O PMDB e o PP, tão enrolados quanto os petistas na Lava Jato, não sofreram nas urnas. A explicação está na crise econômica. O procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba (PR), Deltan Dallangol: o PT está em terceiro em número de políticos denunciados na Lava Jato

Acontece que os dois primeiros do ranking, o PP e o PMDB, não sofreram nas urnas. O PP, no primeiro turno, aumentou seu número de prefeitos, de 473 para 496. O PMDB, de 1 017 para 1 029. Neste segundo turno agora, os peemedebistas também conseguiram vitórias, como a de Gean Loureiro (PMDB) em Florianópolis.

Segundo a reportagem, o que ajudou a derrubar o PT nesta eleição, além da Lava Jato, foi a crise econômica, a pior que o país atravessa em três décadas. Em três anos, o PIB terá recuado cerca de 8% — e em outubro, quando os eleitores foram às urnas, a economia continuava a encolher, e o desemprego, que já ultrapassou os 11 milhões de pessoas, a aumentar.

Embora o PT tente colar no governo de Michel Temer a culpa pela atual ruína econômica, o eleitor parece saber que a maior parte da conta pela crise, ao menos por enquanto, cabe ao governo de Dilma Rousseff.

2º turno confirma derrocada do PT

O resultado do segundo turno das eleições municipais confirmou o pior desempenho do PT desde 1985. Das sete grandes cidades em que o partido concorria (Anápolis, Recife, Santa Maria, Santo André, Juiz de Fora, Mauá e Vitória da Conquista), não levou nenhuma, segundo indicam os resultados da apuração.

Sete derrotas em 7 cidades: a partir de 2017, maior cidade do país comandada pelo partido será a capital do Acre, Rio Branco

A legenda conquistou apenas uma capital, Rio Branco (Acre), ainda no primeiro turno, e ainda perdeu o controle do chamado “cinturão vermelho” — as cidades no entorno de São Paulo onde o partido era forte desde os anos 1980.

Na única capital onde o partido ainda tinha chance no segundo turno, Recife, o petista João Paulo foi derrotado por Geraldo Júlio (PSB), que conseguiu a reeleição.

No chamado “cinturão vermelho”, o partido também perdeu nas duas cidades em que disputava o segundo turno: Mauá e Santo André. Com isso, não vai comandar nenhuma das cidades — até este ano, tinha seis prefeitos na região, entre eles o de São Bernardo, Luiz Marinho; Lula, que vive lá, não foi nem sequer votar no segundo turno.

Com isso, a maior cidade sob controle do PT no país a partir de 2017 passará a ser Rio Branco, com pouco mais de 300.000 habitantes.

Em São Paulo, a maior cidade comandada pelo petista será Araraquara, com cerca de 150.000 habitantes, onde o ex-ministro de Dilma Edinho Silva foi eleito no primeiro turno.

Fonte: Veja

Palocci era a ponte entre governo e empreiteiros, diz Delcídio

O ex-líder do PT no Senado afirmou que que “Palocci tinha um apartamento em Brasília onde ele frequentemente recebia pessoas para contato”

O ex-líder do governo da presidente cassada Dilma Rousseff (PT) no Senado, Delcídio Amaral, afirmou em novo depoimento prestado à força-tarefa da Operação Lava Jato que o ex-ministro Antonio Palocci era a “ponte” com os empresários e tinha como prioridade “alimentar” as campanhas.

“Antonio Palocci tinha uma tarefa bem determinada: fazer a ponte entre o governo e os empresários, alimentar as estruturas de poder (as campanhas). Era a prioridade de Antonio Palocci”, afirmou Delcídio, em depoimento prestado no último dia 11.

O ex-ministro tinha “interlocutores qualificados e ‘certeiros’, sabendo ao certo quem eram as pessoas com quem deveria discutir cada assunto, sem ampliar demasiadamente as conversas” dentro do governo, afirmou Delcídio.

O termo complementar integra a denúncia apresentada na sexta-feira, 28, pelo Ministério Público Federal contra Palocci. O ex-ministro da Fazenda (governo Luiz Inácio Lula da Silva) e Casa Civil (Dilma) foi preso pela Lava Jato no dia 26, alvo da 35ª fase batizada de Operação Omertà. Ele é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Homem forte do PT no governo e nas campanhas de Lula e Dilma, Palocci é acusado na ação de ser o principal contato da Odebrecht – que negocia delação premiada com a Lava Jato – com negócios da União. Além de defender interesses da empreiteira em contratos na Petrobras, ele teria defendido ilegalmente a aprovação de medidas no Congresso quando foi deputado federal.

QG

No novo depoimento prestado para instruir a acusação formal da Procuradoria contra o ex-ministro, Delcídio disse que “Palocci tinha um apartamento em Brasília, um duplex na Asa Norte, onde ele frequentemente recebia pessoas para contato”. “Palocci era muito discreto e fechado.”

Delcídio foi preso pela Lava Jato em novembro de 2015, quando era senador e líder do governo, tentando comprar o silêncio do ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Cassado, ele virou delator e confessou os esquemas de corrupção no governo e apontou, entre outros, o envolvimento de Palocci.

Eleito senador pelo PT – atualmente sem partido -, Delcídio afirmou que conheceu Palocci em 2001, quando ele assumiu a coordenação da campanha presidencial de Lula. Que naquela ocasião, o petista teria ganho “projeção” não só no partido, mas também com outras legendas aliadas e com o empresariado.

O delator disse que foi na campanha que o petista passou a ter maior contato com o empresariado nacional. “Com a eleição de Lula, no ano de 2002, quando Palocci assumiu o Ministério da Fazenda, consolidou sua posição forte, não apenas do Partido, mas também com os empresários. A partir daí, Antonio Palocci passou a ser o principal interlocutor do presidente Lula.”

Depois de se envolver no escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que denunciou ter visto o então ministro em reuniões em uma casa em Brasília usada por empresários para fazer lobby no governo, Palocci foi demitido em 2006 – em meio ao escândalo do mensalão e a CPI dos Bingos.

Mesmo assim, Delcídio diz que Palocci “continuou a ser uma pessoa muito influente no governo”. O delator afirmou que em 2010, com a eleição de Dilma Rousseff, teria sido Lula que indicou o ex-ministro da Fazenda para ocupar a Casa Civil.

Demitido após a descoberta de um novo escândalo – da compra de uma apartamento de R$ 6 milhões, em São Paulo, com dinheiro de consultorias milionárias para empresas, Palocci teria mantido sua influência no governo Dilma e os contatos com Lula.

“Mesmo após sair do cargo de ministro da Casa Civil, Antonio Palocci continuava a discutir projetos de governo”, declarou Delcídio – que era na ocasião, líder de Dilma no Senado. “Em reuniões no Instituto Lula, Antonio Palocci era atualizado e consultado frequentemente pelo ex-presidente Lula sobre os projetos de governo.”

‘Acusação monstruosa’
O advogado José Roberto Batochio, que defende Antonio Palocci, reagiu com indignação à denúncia do Ministério Público Federal. “É uma acusação monstruosa, absolutamente divorciada de qualquer elemento indiciário arrecadado nos autos.”

Segundo Batochio, “o único elemento considerado pela denúncia é um papelucho tratado como ‘planilha’ sob a rubrica de ‘Italiano’ “Os acusadores já apontaram esse ‘Italiano’ como sendo Fernando Migliáccio, depois Guido Mantega, depois um engenheiro italiano e, agora, na quarta tentativa, querem atribuir este apelido a Palocci.”

Para o advogado, há “puro artificialismo”. “O que temos é um apelido em busca de um personagem. Demonstrado que ‘Italiano’ não é Palocci, quem será a quinta vítima?”

Batochio disse que nem tomou conhecimento da denúncia, mas que esperava que, diante da “anemia do inquérito (da Polícia Federal), o Ministério Público Federal o arquivasse”. “Aliás, a Polícia Federal não encontrou sequer suspeita de lavagem de dinheiro, conforme o seu relatório, mas o Ministério Público Federal, mais realista que o rei, resolveu criar mais esta acusação”, afirmou.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

STJ nega recurso da defesa de Lula sobre o tríplex do Guarujá

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marcelo Navarro Ribeiro Dantas negou nesta quinta-feira (27) pedido para suspender as investigações sobre o apartamento tríplex, no Guarujá (litoral de São Paulo), que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na ação, a defesa de Lula alegou que houve irregularidades na decisão do juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, ao devolver o processo para a Justiça de São Paulo, onde as investigações começaram.

Ao julgar o caso, o ministro entendeu que não houve ilegalidades na decisão e que o procedimento adotado obedeceu o princípio da economia processual. “Tendo havido anuência, e não choque de entendimentos entre os julgadores em questão sobre o que caberia a cada um deles julgar, não há como falar em conflito de competência”, decidiu Dantas.

Em agosto último, Lula e sua esposa Marisa Letícia foram indiciados pela Polícia Federal por terem sido “beneficiários de vantagens ilícitas” na reforma do triplex e na guarda de bens do ex-presidente em um guarda-volumes.

Fonte: Agência Brasil

Venezuelanos pedem esmola em semáforos da fronteira com Brasil

Seja para vender bugigangas, limpar para-brisas dos automóveis ou mesmo pedir esmolas, venezuelanos tomaram conta dos semáforos de Boa Vista, em Roraima, e fazem diversos trabalhos para ganhar algum dinheiro. Curiosamente, um dos locais onde mais venezuelanos se concentram é a esquina da rua Mario Homem de Melo com a avenida Venezuela, ponto nevrálgico da capital estadual, que nos últimos meses recebeu cerca de 2.500 pessoas.

Nessa esquina, sob o calor impiedoso do meio-dia ou no meio do caos do trânsito ao cair da tarde, pelo menos dez jovens venezuelanos se lançam sobre os para-brisas dos automóveis e dos enormes caminhões que param nos sinais, munidos de garrafas de água e instrumentos de limpeza. São rapazes e moças de 18 a 28 anos, todos de uma mesma família que chegou a Boa Vista vindos da cidade de Maturín e que, como a maioria dos venezuelanos que imigrou para o norte do Brasil, o fizeram fugindo da escassez e da fome.

“Lá não conseguíamos trabalho, nem comida, nem nada. Aqui temos um pouco de tudo isso”, disse um dos mais velhos do grupo, que pediu anonimato, mas explicou que os oito ou dez membros da família que trabalham nesse semáforo conseguem por dia cerca de 30 reais. Essa soma é equivalente hoje a cerca de 9 dólares, mas ele afirma que é mais do que ganhariam na Venezuela e, sobretudo, explicou que com esse dinheiro podem comprar no Brasil os alimentos necessários para sustentar toda a família.

Vida precária

No total, são 18 adultos e seis crianças, alguns deles bebês, que vivem em uma casa que estava abandonada. Por isso, não pagam aluguel e podem juntar algum dinheiro, embora sua situação, segundo comprovou a reportagem em uma visita à casa, é mais do que precária. Em seu trabalho diário no semáforo, a família soma centavo a centavo a cada para-brisas que lava, e muitas vezes não recebe nem uma moeda e até ouve insultos de teor xenofóbico.

“Isso é muito feio. Porque estamos trabalhando, não roubando. Mas por sorte a maioria dos brasileiros nos entende e ajuda”, declarou o mais velho do grupo. Assim como esta família de Maturín se dedica a limpar vidros dos automóveis, nos semáforos de Boa Vista também há muitos venezuelanos que oferecem todo tipo de bugigangas ou há quem, como o malabarista José Antonio Garrido, consegue algumas moedas graças à habilidade de suas mãos.

Índios venezuelanos

Compartilhando ou muitas vezes disputando espaços nos semáforos é possível ver em muitas esquinas de Boa Vista mulheres com vistosas saias floreadas, que também chegaram da Venezuela, mas quase não falam espanhol e não pronunciam uma palavra sequer em português. São índias da etnia warao, que têm sua própria língua e vivem na região do rio Orinoco, no coração da Amazônia venezuelana, mas que agora começaram a se deslocar para o Brasil.

São mulheres, muitas vezes acompanhadas pelos filhos, que passam horas nos semáforos, e em suas mãos carregam copos enfeitados com motivos indígenas que elas vão enchendo com moedas durante o dia. Ao contrário do resto dos venezuelanos que emigraram para o norte do Brasil, as warao não trabalham e se dedicam exclusivamente à mendicância, disse a freira Telma Lage, coordenadora da Comissão de Migração e Direitos Humanos do estado de Roraima. “Não trabalham porque é muito difícil a comunicação, não falam português nem espanhol”, disse a freira, calculando que as mulheres warao representam em torno de 25% da emigração venezuelana no norte do Brasil.

Fonte: Veja

Renan articula indicação de aliados para órgão que fiscaliza juízes no país

Em confronto com o Judiciário e alvo da Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tenta emplacar dois nomes no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável por fiscalizar a atuação de juízes de todo o país.

O Congresso tem direito a indicar dois integrantes do conselho, um representando a Câmara e outro o Senado. Renan tem influência em nomes que disputam as duas vagas.

Na Câmara, o nome preferido do peemedebista é a advogada Ana Luísa Marcondes, que trabalhou como sua assessora na presidência do Senado e na liderança do PMDB. Atualmente ela atua na Corregedoria Nacional do Ministério Público (CNMP), órgão comandado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Nesta semana, Renan chegou a atuar para adiar a votação no plenário ao saber que nomes indicados pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato, ganharam força. Além de Ana Luísa, concorrem à vaga Felipe Cascaes, que já advogou para Cunha em alguns casos e hoje é subchefe adjunto para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, e o assessor técnico da Câmara Lucas de Castro Rivas, que auxiliou a atuação da tropa de choque que defendeu Cunha durante o processo de cassação.

Cascaes é hoje o favorito, por contar com o apoio do Planalto. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, está conversando com deputados para tentar emplacar o nome do aliado.

No Senado, os nomes indicados podem ser levados à votação no plenário a qualquer momento. O preferido de Renan na disputa é Henrique de Almeida Ávila, que tem o apoio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Ávila é sócio de um escritório de advocacia onde atua a mulher do ministro, Guiomar.

O outro candidato à vaga do CNJ pelo Senado é Octavio Augusto da Silva Orzari, que é advogado concursado pela Casa e trabalhou com o ex-presidente do STF Ricardo Lewandowski no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Auxiliares de Renan negam que ele tenha preferência ou esteja fazendo lobby para emplacar nomes de sua confiança no CNJ. Até maio, a vaga do Senado no conselho pertencia a um apadrinhado do peemedebista, o ex-ministro da Transparência Fabiano Silveira. Ele teve de deixar o cargo após ser flagrado em uma gravação feita pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, na qual aparecia conversando com Renan e fazendo críticas à condução da Lava Jato.

Ana Luísa negou que Renan esteja fazendo campanha pelo seu nome, mas admitiu que tem o “apoio pontual” do presidente do Senado. Os demais candidatos às vagas do CNJ não se pronunciaram.

Fonte: Veja

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Estão tentando ressuscitar mecanismos para parar Lava Jato, diz procurador do MPF

Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato

O procurador do MPF (Ministério Público Federal) Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, advertiu, na manhã desta quarta-feira (26) que o país vive uma situação na qual "estão tentando ressuscitar diversos mecanismos a fim de parar as investigações no âmbito da Lava Jato". O procurador conversou com o Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) momentos antes do início do IX Congresso Anual da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE), que está sendo realizado até essa sexta-feira, na capital paulista.

A declaração de Santos Lima de que estão tentando "parar" o desenrolar das investigações do maior escândalo que atingiu a Petrobras é uma referência à proposta do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), de tentar aprovar a Lei de Abuso de Autoridade. A lei data de 1965, mas o projeto para sua reforma, de autoria de Renan, é de 2009 e estava engavetado até agora.

Contrário à aprovação do PL da forma como ele está, Santos Lima diz que a Lava Jato é um ponto fora da curva da normalidade que é a impunidade no Brasil. "Então, investigações como ela, como a Acrônimo e Zelotes estão ficando cada vez mais comuns. E uma das tentativas de resistência que o poder político tem é nos impor Projetos de Lei como o do abuso de autoridade", disse o procurador.

"A lei é antiga e precisava realmente de uma atualização. Mas o PL discute, por exemplo, a carteirada que muitas autoridades dão efetivamente. Entretanto, isso não está previsto na Lei. Ela tem tipos penais que punem, por exemplo, um juiz que decidir receber uma ação e essa ação for considerada por um tribunal como sem justa causa", ponderou Santos Lima.


Ele questiona sobre qual é o procurador que vai oferecer uma acusação sujeitando-se, eventualmente, a ser processado por estar fazendo o seu papel. "É mais ou menos como a imprensa. Você tem o dever de comunicar, mas não quer ser punido porque isso implica na perda da Liberdade de Imprensa. Nós também temos a obrigação de fazer a acusação se entendermos que é o caso de uma acusação e não podemos ser punidos por conta de uma acusação feita", comparou o procurador.

Mas esse tipo de atitude não é o único, ressaltou o procurador do MPF. "O presidente da Câmara (Rodrigo Maia) está falando em colocar em votação a nova Lei de Leniência. "E não houve discussão a respeito dela. Será que não querem brecar grandes leniências que estão prestes a acontecer no Brasil e que vão entregar, possivelmente, muitos fatos envolvendo o status quo político?", questionou o procurador.

Para ele, não é o momento de se aprovar leis sem uma ampla discussão para que o povo entenda os objetivos disso. "O que está acontecendo hoje é uma tentativa do status quo se manter no poder", criticou.

"Eu espero que projetos como esse não passem pela aprovação do Congresso. A imprensa e nós temos que falar e mostrar para a população o que o poder político está fazendo. A única forma de impedir o poder político de fazer isso é fazer ele ter receio de ser responsabilizado politicamente pela população", disse Santos Sousa, acrescentando que se não fosse a (pressão da) população, teria sido aprovada a MP 703, que mudava a Lei de Leniência, aprovando a anistia ao caixa 2 e uma série de coisas.

"O político trabalha sempre mantendo os olhos nas próximas eleições. É preciso compreender isso. É justo que eles pensem em termos eleitorais. Agora, é preciso que a população exerça o papel de também impedi-los de fazer esses atos que na verdade só beneficiam hoje uma forma criminosa de se exercitar a política, que é o uso e abuso da corrupção e do caixa 2", disse o procurador Santos Lima.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

‘Juizeco’ e ‘chefete': Renan esculhamba ministro por ação da Polícia Federal

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou a Polícia Federal de ter se valido de “métodos fascistas” nunca adotados sequer na “ditadura” na Operação Métis, que levou à prisão, na sexta-feira (21), quatro policiais legislativos da Casa.

Peemedebista também chamou de “juizeco” o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela operação que prendeu quatro policiais do Senado

O peemedebista anunciou que a Advocacia do Senado vai entrar até esta terça-feira (25) no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação para defender as prerrogativas de atuação da Polícia Legislativa, chamou o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, de “chefete de polícia” e ainda classificou o juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela operação, de “juizeco” por decretar uma ordem contra o Senado.

“Tenho ódio e nojo a métodos fascistas. Como presidente do Senado, cabe a mim repeli-los”, disse Renan, numa rara entrevista coletiva em seu gabinete, que foi acompanhada por policiais legislativos. Renan voltou a criticar Moraes, assim como fez no dia da operação, quando disse que ele havia extrapolado das suas funções quando falou sobre a ação que deteve os policiais legislativos. “É lamentável que isso aconteça, um espetáculo inusitado, que nem a ditadura fez, com a participação do ministro do governo, que não tem se portado como um ministro de Estado, no máximo como um ministro circunstancial de governo, chefete de polícia”, reclamou.

O presidente do Senado, contudo, disse que não sugeriu a demissão de Alexandre Moraes ao presidente Michel Temer. Os dois conversaram após a operação ter sido deflagrada. “Não cabe ao presidente do Congresso tratar de substituição ou destituição de ministro, mas lamento que ele tenha se comportado dessa forma, falando mais do que devia, dando bom dia a cavalo”, disse Renan.

O peemedebista esquivou-se de responder se vai manter no cargo o diretor de Polícia Legislativa da Casa, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, preso na Operação Métis sob a acusação de liderar o suposto esquema de tentativa de embaraçar a Operação Lava Jato. O diretor estava no cargo havia 11 anos e teve contra si decretado o afastamento das funções públicas por ordem da 10ª Vara Federal de Brasília, onde despacha Vallisney. “A decisão não é minha, é de quem o prendeu”, disse Renan, sobre se Pedro Carvalho vai permanecer no cargo.

Fonte: Veja

PROFESSORES QUE APOIAREM OCUPAÇÕES NO PARANÁ PODEM SER DEMITIDOS

Eles foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, e pelos secretários Ana Seres (Educação), Wagner Mesquita (Segurança Pública) e Márcio Villela (Comunicação), além do procurador-geral do Estado, Paulo Rosso.

Foto: Orlando Kissner / ANPr

Um grupo de cerca de 300 pais, diretores, pedagogos, professores e integrantes de movimento sociais estiveram reunidos neste domingo (23), no Palácio Iguaçu, com representantes do Governo do Estado para reivindicar medidas para por fim às invasões das escolas públicas. Eles foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, e pelos secretários Ana Seres (Educação), Wagner Mesquita (Segurança Pública) e Márcio Villela (Comunicação), além do procurador-geral do Estado, Paulo Rosso.

No encontro, o governo anunciou que os diretores e professores que estiverem dando amparo às ocupações e não cumprirem as determinações legais, responderão processos administrativos ou sindicâncias e poderão ser punidos com afastamentos e até demissões. “Vamos trabalhar com muito critério para não cometermos injustiças, mas seremos rigorosos com quem não está cumprindo com as suas obrigações”, afirmou Rossoni.

De outra parte, a Secretaria de Estado da Educação vai disponibilizar um documento na internet para que os educadores que querem trabalhar, mesmo com a greve promovida pela APP-Sindicato ou que atuem em escolas ocupadas, possam registrar oficialmente sua opção por não aderir aos movimentos que impedem o retorno das aulas na rede estadual. “Quem aderiu à greve terá a falta lançada”, explicou a secretária Ana Seres.

ILEGAL – O procurador-geral destacou as medidas adotadas pelo governo para a reintegração de posse das escolas ocupadas. Segundo ele, a ação fere o direito básico à educação. “A invasão é ilegal, abusiva. O direito de quem quer estudar precisa ser respeitado”, declarou.

Ele ressaltou que várias ações foram ajuizadas pela PGE pedindo a reintegração de posse dos imóveis ocupados e todos os Conselhos Tutelares estão oficiados para verificar denuncias de que menores de idade estão dentro das escolas. Rosso disse que é obrigação dos conselheiros verificar esta situação e que eles podem ser punidos por omissão. O procurador também orientou diretores e pais a procurarem apoio jurídico na Defensoria Pública.

Rosso também informou que a Advocacia Geral da União (AGU) está atuando em parceria com o Paraná para mover ações para a desocupação das escolas. O Ministério da Educação já declarou preocupação com a realização das provas do Enem. “Além disso, muitos alunos estão perdendo conteúdo para o vestibular e o ano letivo está completamente comprometido”, completou a secretária Ana Seres. Ele afirma que é fundamental reunir o Conselho Escolar de todos os colégios para tentar negociar de forma pacífica a saída dos estudantes.


GABINETE – O Governo do Estado também informou a formação de um gabinete formado por profissionais da Segurança Pública, da Educação, Casa Civil e PGE para atender pais, diretores e cidadãos que quiserem orientação sobre como agir de modo legal contra as invasões e também fazer denúncias. “Daremos ampla divulgação sobre as formas de contato com este gabinete”, afirmou o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni.

“Já liberamos o telefone 181 que está atuando exclusivamente para denúncias relativas a escolas invadidas”, completou o secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita. Ele disse que as pessoas que se sentirem prejudicadas em seus direitos precisam formalizar Boletim de Ocorrência para que a polícia abra uma investigação sobre a situação. “Documentar todas as ações é fundamental para que as pessoas sejam responsabilizadas por atitudes fora da lei”, destacou.

DEPOIMENTOS – Muitos diretores e pais aproveitaram a oportunidade para relatar atitudes agressivas dos estudantes que estão ocupando escolas. A diretora Edinamar Silva, do colégio Xavier da Silva, localizado na região central de Curitiba, afirmou que 95% dos professores da unidade não querem greve nem ocupação. “Eu vim pedir socorro. O que eu falo para minha comunidade?”, questionou.

Já a diretora Edilaine Triani, do colégio Pedro Macedo, no bairro Portão, relatou que a escola tem 3,3 mil alunos e apenas cerca de trinta estão na ocupação. “Os demais não têm o direito de estudar”, disse. Ela disse que na última semana precisou fazer a prestação de contas das escola na calçada, porque os invasores não permitiram a entrada no colégio.

O diretor do colégio Homero Baptista de Barros, Celso Ribas, relatou que precisou reunir uma comissão de pais para negociar com os invasores a desocupação da unidade. “A população não está apoiando estas invasões”, sustenta ele, criticando a atitude de estudantes. “Há uma inversão de valores. Uma coisa vergonhosa”.

EMOCIONADO – Emocionado, o estudante Patrick Ignaszevski, que lidera o movimento Invasão não é Solução – Desocupa Paraná relatou que sofre ameaças e humilhações pela rede social em razão da discordância com as invasões. “Queremos o direito de ir e vir, de educar. Continuaremos lutando pela retomada das aulas”, disse.

A professora aposentada Marli Resende, também integrante de um movimento social em Curitiba, afirmou que é a justa a reinvindicação do magistério por melhores salários, mas no Paraná a questão da remuneração é muito melhor que nos demais estados. “Dei aula no Rio de Janeiro por 35 anos e recebo pouco mais de R$ 1,3 mil por mês, quando recebo”.

CUNHA JUNTOU-SE AOS SEUS

por Percival Puggina

Afeito ao debate político, sei que sempre há quem busque convencer e vencer sem ter razão. Os meios para alcançar esse resultado foram estudados por Arthur Schopenhauer, que listou 38 estratagemas úteis a tão torpe objetivo. O último na lista do autor e o mais vil de todos na minha opinião, é aquele em que o debatedor, sentindo-se perdido, deixa de lado o tema e passa a atacar a pessoa de seu adversário. Schopenhauer dá a isso o nome de argumentum ad personam. Recentemente, os adjetivos fascista, coxinha, golpista, direita raivosa, cumpriram esse objetivo. Idêntica intenção motivou a associação, tão insistentemente apontada quanto falsa, de que o impeachment era uma iniciativa de Eduardo Cunha apoiada por gente como ele. O inverso também não é verdadeiro.

O tema era outro e os fatos não foram esses. Em março de 2015, a nação saiu às ruas clamando contra a corrupção e pelo impeachment de Dilma, dando origem às dezenas de requerimentos nesse sentido que se acumularam sobre a mesa de Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados. Durante o ano inteiro, Cunha os reteve, a oposição se conservou irresoluta, e o PT não se defendeu das denúncias, delações e investigações da Lava Jato. Em vez disso, preferiu atacar os manifestantes, acusando-os de terem, pelo velhaco Eduardo Cunha, os mesmos sentimentos de amor sem medida nem juízo que os petistas mantinham e mantêm por Lula e seus comparsas.

Cunha não era líder nem modelo de coisa alguma para os milhões de famílias brasileiras que clamavam às instituições em inolvidáveis e pacíficas concentrações cívicas. Ele era apenas o sujeito que tinha na mão a caneta que podia fazer andar o processo. E note-se: fez o possível e o impossível para esfriar as manifestações. Ao insistir na tese de que o impeachment não era uma iniciativa do povo nas ruas, mas um plano de Eduardo Cunha, o PT cuidava de transferir ao procedimento a improbidade do infame presidente da Casa.

A história haverá de registrar que há apenas sete meses, no domingo 13 de março deste ano, deputados, senadores, ministros do STF, dirigentes de partidos políticos e demais membros da cúpula do Estado brasileiro, acomodaram-se em seus sofás para assistir as manifestações pelo impeachment. Se fossem pouco expressivas, ele estaria cancelado. O que testemunharam, porém, foi o rugido das avenidas e praças do Brasil, a assombrosa mobilização de 6 milhões de cidadãos cobrando deles, em seus sofás, o cumprimento dos respectivos deveres. Ali Dilma perdeu o mandato. Além da motivação por crime de responsabilidade, sobrava motivação política. Eduardo Cunha? Ora, o Cunha! Juntou-se aos seus. Ele foi o estafeta do requerimento e o 38º artifício petista contra a vontade soberana da comunidade nacional.

Nesta semana, foi fornecida e autenticada a prova de que o povo brasileiro vale muito mais do que imagina quem jogou o país na sinistra situação em que se encontra. Só entre os membros da organização criminosa, em qualquer lado do balcão, a prisão de Cunha causou taquicardia e hipertensão arterial. A população? Ah! A população festejou o evento. Vibrou com a iniciativa de Sérgio Moro, naquelas horas em que o solitário ex-presidente da Câmara seguia para Curitiba. E uma lufada de ar mais puro varria os céus da República.

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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

EI obriga famílias a ir para Mossul para usá-las como escudos humanos

O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) obriga moradores da periferia de Mossul a se transferir para a cidade para utilizá-los como escudos humanos, frente ao avanço das forças iraquianas que tentam recuperar o controle da cidade, denunciou nesta sexta-feira (21) a ONU.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU disse que verificou informações relacionadas à mudança de mais de 500 famílias de duas áreas periféricas, forçadas pelos jihadistas.

Uma vez em Mossul, os civis são colocados “perto dos escritórios do EI e dos locais onde operam para que lhes sirvam como escudos humanos”, disse a porta-voz Ravina Shamdasani.

Ofensiva

Até 2014, antes de cair no domínio do grupo autodenominado Estado Islâmico, Mossul era a próspera capital petroleira da província de Nínive, no Iraque. Também era o centro político, econômico e cultural do noroeste do Iraque.

Agora, depois de três meses de planejamento, forças de segurança iraquianas lançaram nesta semana uma enorme ofensiva na cidade, com reforço de combatentes peshmerga (Exército curdo no Iraque), grupos tribais sunitas e milícias xiitas, todos apoiados pela coalizão internacional lideradas pelos Estados Unidos.

Mossul, com 1,5 milhão de habitantes, era uma das cidades mais diversas do Iraque, com uma população de árabes, curdos, sírios, turcos e muitas minorias religiosas.

“Mossul foi onde o EI ganhou reputação global, já que antes de tomar a cidade era apenas um grupo local”, diz Caroline Hawley, correspondente de assuntos diplomáticos da BBC.

“Então, quando tomaram Mossul com um ataque impressionante que o Exército iraquiano não foi capaz de reagir, todos começaram a ouvir falar do EI e o grupo virou uma grave ameaça que deveria ser levada a sério.”

Fonte: G1

Moro e força tarefa da Lava Jato defendem as ’10 medidas contra a corrupção’

Audiência pública ocorre nesta segunda-feira (24), em Curitiba, com participação do juiz federal Sergio Moro e equipe da Operação Lava Jato. Encontro discute medidas contra corrupção

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados realiza, desde a manhã desta segunda-feira (24), uma audiência pública para debater o projeto “10 medidas contra a corrupção”, no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba.

A audiência pública é a primeira realizada fora de Brasília e teve a participação do juiz federal Sérgio Moro e do procurador da República Deltan Dallagnol, protagonistas da operação Lava Jato.

O projeto “10 medidas contra a corrupção”, de iniciativa popular, foi lançado pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2015. Em março deste ano, foi apresentado na Câmara dos Deputados com mais de 2 milhões de assinaturas.

O projeto original tem 60 artigos que pretendem: criminalizar o caixa 2 de campanhas políticas; reduzir o número de recursos nos processos; transformar a corrupção em crime hediondo; facilitar a recuperação de dinheiro obtido com corrupção.

“Apenas três de cada 100 casos de corrupção geram alguma punição e o montante da punição é uma piada. E é uma piada de mau gosto”, afirma o procurador Deltan Dallagnol.

Em junho, a Câmara formou a Comissão Especial encarregada de receber sugestões e emendas. A previsão é a de que o relator Onix Lorenzoni, do DEM do Rio Grande do Sul, apresente uma nova proposta para o projeto de lei nos próximos dias.

O relatório deve primeiro ser votado na Comissão Especial, o que pode acontecer ainda em novembro. Depois, o projeto segue para o Plenário da Câmara, onde deve passar por duas votações. Se aprovado, é encaminhado para o Senado Federal.

Durante a audiência, Moro reafirmou que apoia as medidas e disse que o Congresso precisa escolher entre combater a corrupção ou deixar o sistema do jeito que está. “É o Congresso demonstrar de que lado ele está nessa equação”, disse.

“As pessoas precisam ter fé nas suas instituições democráticas”, acrescentou.

Fonte: G1

domingo, 23 de outubro de 2016

Estudantes se mobilizam e impedem que marginais de esquerda ocupem colégio no sul do Paraná

Alunos decidiram, por maioria, que não seguiriam movimento esquerdopata no estado.
Mesmo assim, 15 pessoas vagabundos tentaram invadir o prédio e foram contidos.

Alunos barraram a ocupação no colégio São Mateus (Foto: Alana Feijó/Arquivo pessoal)

Alunos de São Mateus do Sul, no sul do Paraná, contrários ao movimento Ocupa Paraná, impediram a ocupação do Colégio Estadual São Mateus, na quinta-feira (20). Eles decidiram, por maioria, que não acompanhariam o protesto de outros estudantes pelo estado.

De acordo com a direção da escola, alguns alunos ficaram sabendo da possível ocupação e se mobilizaram nas redes sociais para evitar que ocorresse. Eles também procuraram professores.

Diante disso, uma professora convocou o grêmio estudantil e dois líderes do movimento favorável à ocupação. Todos se reuniram e, em consenso, decidiram que consultoria todos os outros estudantes, em assembleia na quinta-feira.

A maioria foi contrária à ocupação e, com isso, foi assinada uma ata, com todos os participantes da reunião, que garantia que a escola não seria ocupada. Mesmo assim, 15 pessoas marginais tentaram invadir o local à noite.

Cerca de 800 alunos do período noturno, diz a direção, barraram o começo de manifestação com uma barreira no portão. A polícia foi chamada, para evitar confronto. Depois de 40 minutos, ainda segundo o colégio, o grupo que queria ocupar o prédio desistiu.

Na manhã desta sexta-feira (21), um promotor da cidade participou de um reunião com a comunidade escolar e fecharam acordo em ata de que não haverá ocupação.

Ocupações

Segundo o movimento Ocupa Paraná, 850 escolas estão ocupadas no estado. Há ainda 14 universidades e 3 núcleos de Educação ocupados, conforme o movimento.

Nos colégios ocupados as aulas estão suspensas. Por trás da ocupação, de acordo com o estudantes, está a insatisfação com a proposição da medida provisória 746 que determina uma reforma no ensino médio no país.

O movimento de ocupação começou em 3 de outubro e foi ganhando adesão desde então. Na quarta-feira (19), o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que espera que as escolas sejam desocupadas até 30 de novembro para que a aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não seja comprometida.

Com medo do xadrez lula vulgo barba, desafia a ‘força tarefa’ e pede respeito

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue firme preparando o caminho para um provável exílio.

Em um vídeo postado nesta sexta-feira (21) ele se dirige a força tarefa da Operação Lava Jato em tom desafiador: ‘Vocês têm estabilidade no emprego e não é para ser refém da imprensa. Eu quero saber se investigou e se tem prova. Me respeitem para que eu possa respeitar vocês’.

Lula ignora, por mera esperteza, que já é réu em três processos-crimes, com três juízes distintos, por inúmeras práticas criminosas.

Além disso, dentro em breve, Lula provavelmente será réu em pelo menos mais sete processos, todos baseados em provas, evidências e delações.
Ademais, a retórica lulista não convence mais ninguém, a não ser o que ainda resta de militância petista.

Veja o vídeo:

Policial legislativo preso, era topetudo e já havia se envolvido em outros embates com a PF (veja vídeo)

Renan Calheiros tem o ‘poder’ de transferir ‘poder’ a seus apaniguados, ou pelo menos a sensação de ‘poder’.

No Senado dizem que Pedro Ricardo de Carvalho, o diretor da polícia legislativa, se sentia mais importante que senador.

Um sujeito imponente e topetudo.

Há alguns meses, quando a Polícia Federal cumpria mandado de busca e apreensão na residência do senador Fernando Collor, Pedrão bateu lá e ousou tirar satisfações.

Na ocasião, a delegada encarregada do caso, Andréa Pinho Albuquerque, foi extremamente cordial, mas não atendeu ao seu pedido, que era ter acesso ao mandado de busca.

Quando a PF foi deixar o local, Pedrão e seus comandados tentaram impedir. ‘No momento em que a equipe abriu a porta para sair da residência, fomos surpreendidos pela presença de aproximadamente sete policiais legislativos, que impediram nossa saída’, relatou a delegada, acrescentando que o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo de Araújo Carvalho, ‘esbravejava de forma bastante ríspida que a diligência estava eivada de nulidade’.

Preso, certamente terá que mudar sua postura.

da Redação
Veja o vídeo abaixo: Credito para ‘O Globo’.

Condicionamento psicológico: a arma secreta do marxismo cultural

Por William S. Lind

Quando a Escola de Frankfurt criou o Marxismo cultural, isto é, o "politicamente correcto", ela fê-lo associando Marx com Freud. Da psicologia ela tomou a ferramenta que precisava para promover a sua ideologia: condicionamento psicológico.


Ao repetir as mesmas coisas vez após vez, o condicionamento opera junto das mentes públicas ao evitar o escrutínio da razão. Até mesmo quando as pessoas discordam intelectualmente com a Esquerda, elas sentem-se na obrigação de repetir as suas palavras, ou sentir um desconforto relativo. Isto significa que elas foram condicionadas.

O Establishment politico, tanto a sua ala Democrata como a Republicana, está agora a usar o condicionamento psicológico para tentar derrotar Donald Trump. De certa forma, eles fazem isto jogando o jogo favorito do Marxistas culturais, o de gritar "O horror! O horror!" sempre que Trump diz algo politicamente incorrecto.

Muitas pessoas já foram condicionadas para olharem para si mesmas como "mais um Hitler" se por acaso se atreverem a desafiar as regras que o Marxismo cultural estabeleceu. Hoje, os mecanismos de condicionamento dizem-lhes que se eles votarem em Trump, no dia seguinte acordarão, olharão pela janela e verão o Fuhrer a olhar para eles.

Durante algumas semanas depois das convenções, os média Republicanos tentaram jogar o jogo do condicionamento psicológico com Trump, com o propósito de o levar a desistir da nomeação, e abandonar a corrida. Embora ele tenha ficado visivelmente impactado na sua moral, Trump não desistiu.

Agora, o jogo mudou outra vez e o condicionamento tem como objectivo convencer os votantes de que Trump caminha para uma derrota esmagadora. Este condicionamento é feito através de inúmeras notícias, resultados de sondagens, artigos de opinião por parte de "peritos" eleitorais, etc, todos eles a repetirem o mesmo tema: um voto para Trump é perda de tempo porque não há forma dele vencer. Os votantes que favorecem Trump estão a ser condicionadas a desistir, a não fazer donativos à sua campanha, a não fazer voluntariado por ele, e a ficar em casa no dia das eleições.

Seria pouco inteligente a equipa de Trump subestimar o poder dos mecanismos de condicionamento da da Esquerda (e do Establishment), que incluem todos os média mainstream. A melhor forma de combater o condicionamento é fomentando a raiva dos votantes, raiva essa que foi criada pelas políticas falhadas doEstablishment. A raiva é uma emoção poderosa, poderosa o suficiente para superar o condicionamento psicológico.

De forma concreta, isto significa que Trump precisa de ter um plano composto por cinco tópicos, todos eles capazes de lembrar aos votantes o porquê de estarem zangados:


Fim ao "free trade" que permitiu que os países mercantilistas pilhassem a nossa industria, destruindo os empregos da classe-média.

Fim à imigração ilegal, redução significativa da migração legal, e exigir que os imigrantes adoptem a nossa cultura.

Colocar um ponto final no "Politicamente Correcto" revelando aquilo que ele é, uma variante do Marxismo.

Prometer não mais lutar em guerras evitáveis

Dar aos interesses dos Brancos o mesmo tipo de apoio por parte do governo federal que os interesses dos negros, dos Mestiços, e de outros imigrantes do Terceiro Mundo recebem.

Em relação a este último ponto, eu aconselharia que ele dissesse "Vou representar todos os Americanos,incluindo os Americanos Brancos". Ele não precisa de acrescentar que Hillary é a candidata dos negros porque toda a gente sabe disso. Se não fosse o gigantesco apoio que Hillary recebeu por parte dos negros durante as primárias, Bernie Sanders teria sido o nomeado Democrata.

O Establishment irá protestar se por acaso Trump usar estes cinco pontos (como forma de fomentar raiva junto dos votantes), mas eles irão agir assim porque sabem que a raiva pode superar a sua arma secreta, o condicionamento psicológico. Acho que a maior parte dos Americanos têm mais respeito por um soco no nariz do que por uma facada nas costas.

Patriarca da Odebrecht afirma que Itaquerão foi presente para Lula

A declaração de Emílio Odebrecht foi feita aos investigadores da Lava jato. No governo do petista, o lucro da empreiteira foi de R$ 132 bilhões

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou alvo de um novo escândalo. Em delação premiada, Emílio Odebrecht, presidente do conselho de administração da empresa que leva seu sobrenome, afirmou que a Arena do Corinthians, conhecida como Itaquerão, foi um presente ao Lula, que é torcedor do time. As informações são da Folha de S. Paulo.

De acordo com Odebrecht, o presente serviu de agradecimento ao ex-presidente pelo apoio do político à empresa durante os oito anos de governo do petista, de 2003 a 2010. Nesse período, o faturamento da empresa subiu de R$ 17,3 bilhões para R$ 132 bilhões.
O Itaquerão, estádio de futebol que recebeu a abertura da Copa do Mundo de 2014, foi construído pela empreiteira entre 2011 e 2014. A estimativa do projeto previa um custo de R$ 820 milhões na construção da arena, mas o valor subiu quase em 40%, chegando a custar R$ 1,2 bilhão.

A delação premiada de Emílio faz parte de uma série de acordos com a Polícia Federal para tentar salvar a empreiteira. Marcelo Odebrecht, seu filho, foi preso em junho de 2015 e condenado a 19 anos de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro, um dos responsáveis pela Operação Lava Jato. As dívidas da empresa chegam, atualmente, a R$ 110 bilhões. Lula não quis comentar as declarações.

Ex-deputado e ex-presidiário fala sobre ação do PSOL e proteção a criminosos de alta periculosidade

Ex-deputado e ex-presidiário fala sobre ação do PSOL e proteção a criminosos de alta periculosidade.

Deputado que cumpriu pena diz que esquerda dá aos criminosos uma espécie de auto-justificação, um status de revolucionário. Para Roberto Jefferson quem hoje faz “revolução de esquerda” são pessoas sem compromisso ético com a vida, com a segurança.

“hoje o operário não faz mas revolução, hoje o operário está em casa, vendo sua televisão”

“te matam no trânsito porque você tem uma motocicleta… ladrão, burguês… matando em nome da justiça social”

“presidiário que bota celular pra dentro, peita a administração, foge da cadeia… tem a proteção do PSOL”

Durante as últimas semanas da campanha política no RIO de janeiro percebe-se algo interessante, que espelha o que tem ocorrido em todo o país, uma luta do conservadorismo /liberalismo contra o chamado socialismo.
Conservadorismo

Obviamente que entendemos o conservadorismo não como o pensamento esquerdista tenta defini-lo, um desejo de ser antiquado, retrógrado ou preconceituoso, mas como uma visão que pode variar de pessoa para pessoa.

Em geral os conservadores/liberais pensam que o dia a dia deve ser guiado pelo senso de certo e errado, que para ele são conceitos absolutos. Não há espaço para o relativismo: para os conservadores, o fim jamais justifica os meios.

O conservador acredita que a mudança pode ser benéfica, mas nunca a aceita simplesmente porque é uma mudança, esta será aceita, e aplicada, se realmente trouxer benefícios para a sociedade. Costumes e “veredas antigas” já passaram pelo teste do tempo, sempre são o resultado de experiências longas e devem ser mantidos até que seja provado que já foram ultrapassados, nunca devem ser substituídos por imposição de novos costumes simplesmente porque o “novo” é melhor na visão de pequenos grupos.

Obviamente os conservadores/liberais têm um grande número de características que não caberia citar aqui, mencionamos acima somente algumas.

É fato que a sociedade carioca é muito mais conservadora do que alegam as redes de TV e partidos de esquerda. A expressiva votação recebida por políticos como Jair Bolsonaro e seus filhos é prova disso. Jair BOLSONARO recebeu nas últimas eleições para o legislativo federal mais de 450 mil votos. Flávio Bolsonaro, com verba pequena para campanha, recebeu nas eleições passadas, para vereador e prefeito, 424 mil votos, 14% do total.

Os partidos autodenominados de esquerda, juntos, na capital do Rio de Janeiro somaram apenas cerca de 24% do total de votos válidos. Desses votos, o PSOL mesmo com sua máquina de propaganda capaz de recolher mais de 100 mil em apenas um dia e com ajuda de Dilma e Lula, recebeu míseros 18% dos votos.

A sociedade carioca é CONSERVADORA, sem sobra de dúvida.

O Senador Crivella, que há dois anos concorreu para governador ao lado de um GENERAL, que era seu vice, recebeu sozinho 27.7% dos votos válidos no RIO de JANEIRO e ficou em segundo lugar. Jornais brasileiros e estrangeiros costumam definir Marcelo Crivella como “extremamente conservador” (El país de 29/09/2016)


Cabe aos teóricos da direita, assim como a esquerda recriou-se, pensar em cunhar novo termo para substituir a palavra “conservador” que hoje pesa muito, pois foi estrategicamente carregada pela esquerda de termos como atraso, preconceito, medo, “fobias”, ditadura, ódio etc.

O PSOL, partido do Senhor Jean Wyllys – que se auto-denomina progressista – ao longo dos últimos anos tem abraçado todas as causas chamadas “progressistas” e politicamente corretas, tentando assim impor à sociedade novos costumes, novas forma de família e sempre se apressado em criticar as forças de segurança em qualquer ação contra a criminalidade carioca.

Para agremiações partidárias desse tipo, se em um confronto com marginais um inocente sai ferido o tiro sempre partiu da arma de um policial. Não possuem a dignidade de admitir que invariavelmente os causadores de qualquer incursão ou operação policial são os criminosos.


Por último o partido fincou os pés em se manter como advogado do PT na luta para manter o governo DILMA no controle da máquina administrativa nacional, que sabidamente era usada em proveito de alguns poucos, como provam as condenações nos processos mensalão e petrolão.

O Rio de Janeiro hoje não se envergonha de ser “de direita”, conservador, neo-conservador, conservo-liberal ou qualquer termo que em resumo signifique que se opõe aos ideais da chamada “esquerda revolucionária”, ou “progressista”, que deseja impor a qualquer custo seu suposto novo (que nada tem de novo) modo de encarar a realidade baseado em usos e costumes desenvolvidos em DCES de universidades ou reuniões sindicais.

O PT nunca foi tão marxista

Se você traz no bolso do paletó a chave de leitura dos acontecimentos, essa chave se torna mais importante do que eles mesmos e sua atividade para conhecer a real natureza de quaisquer evento se resume a compatibilizá-los com sua chavezinha.

A invenção da imprensa trouxe facilidades e dificuldades ao conhecimento objetivo dos fatos históricos. Com ela, multiplicou-se tanto o acesso à informação quanto à desinformação. Desde então, a mentira, como corrupção da verdade, segundo diferentes níveis de perversão e sofisticação, parasita os meios de comunicação, em maior ou menor grau.

Acabo de ler pequeno ensaio sobre "O 18 de Brumário de Luís Bonaparte", livro escrito por Karl Marx em 1851/52, considerado por muitos como obra prima da moderna historiografia. Para analisar o golpe perpetrado naqueles dias por Luís Napoleão coroando-se rei da França (1851), Marx introduziu o conceito que vinha desenvolvendo sobre a luta de classes como motor da história. O jovem cujo ensaio li, não poupou elogios à precisão do critério concebido por Marx, convicto de que graças a ele, e a partir dele, se tornara possível fazer uma ciência da História. Vejam a encrenca em que se meteu o conhecimento a respeito do que já aconteceu. E do que está acontecendo. Sempre haverá um relato que serve e outro que não serve.

À luz dessa convicção, fica fácil entender como a natural curiosidade dos seres humanos é substituída, em tantos intelectuais, por uma arrogância rebelde. Eles não apenas sabem o passado. Eles conhecem o futuro e - até mesmo! - o futuro do pretérito, ou seja, sabem como o futuro deveria ter sido caso os fatos se desenrolassem do modo cientificamente adequado. Se você traz no bolso do paletó a chave de leitura dos acontecimentos, essa chave se torna mais importante do que eles mesmos e sua atividade para conhecer a real natureza de quaisquer evento se resume a compatibilizá-los com sua chavezinha.

Na prática da sala de aula, se a luta de classes é o melhor e mais turbinado motor da história, o relato histórico, independentemente dos fatos em si, é uma forma de intervir na história que se conta. Daí a disputa pela narrativa e o assédio aos que a produzem.

Para exemplificar. Quando um professor de História diz que Michel Temer é um presidente sem voto, ilegítimo, ele está ocultando o fato de que Dilma jamais seria eleita sem os votos e sem o trabalho político do PMDB dados à chapa em virtude da presença de Michel Temer. E está ocultando, também, que a República já foi presidida por vários vices, a saber: Floriano Peixoto (vice de Deodoro da Fonseca), Nilo Peçanha (vice de Afonso Pena), Delfim Moreira (vice de Rodrigues Alves), Café Filho (vice de Getúlio Vargas), João Goulart (vice de Jânio Quadros), José Sarney (vice de Tancredo Neves) e Itamar Franco (vice de Fernando Collor). Curiosamente, o único golpe envolvendo um vice-presidente ocorreu para impedir sua posse. Foi o que aconteceu quando, em virtude da enfermidade que acometera o general Costa e Silva, foi negado a Pedro Aleixo, por ser civil, o direito legítimo de assumir a presidência.

A Executiva Nacional do PT, poucos dias após as eleições do dia 2 de outubro passado, emitiu nota oficial contendo elementos para extravagantes relatos históricos. Ali se leem, por exemplo, coisas assim: "... a ofensiva desferida contra o PT pela mídia monopolizada e os aparatos da classe dominante, desde a Ação Penal 470..."; "...a criminalização do PT e a ação corrosiva da mídia monopolizada..."; "... a escalada antipetista da Operação Lava Jato, que nos trinta dias anteriores às eleições desencadeou ofensivas fraudulentas...", "...as medidas então adotadas serviram de pretexto para que a classe dominante e os partidos conservadores impusessem...". E por aí vai.

Não estranhe. Na concepção que inspira o mencionado documento, isso é fazer História. O PT nunca foi tão marxista.


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Moro diz que Lei do Abuso de Autoridade é ‘atentado à magistratura’

O juiz federal Sérgio Moro criticou hoje (20) o projeto que altera o texto da Lei de Abuso de Autoridade (Lei 4.898/1965). Durante uma palestra no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), Moro considerou que a proposta é um “atentado à independência da magistratura”.

Segundo Moro, é preciso criar salvaguardas para deixar claro que a norma não pode punir juízes pela forma como interpretam as leis em suas decisões. “Do contrário, vai ser um atentado à independência da magistratura”, disse o juiz.

O PLS 280/2016, que define os crimes de abuso de autoridade, é de autoria do presidente do Senado, Renan Calheiros. O texto prevê que servidores públicos e membros do Judiciário e do Ministério Público possam ser punidos, por exemplo, caso sejam determinadas prisões “fora das hipóteses legais”, como ao submeter presos ao uso de algemas quando não há resistência à prisão e fazer escutas sem autorização judicial, atingindo “terceiros não incluídos no processo judicial ou inquérito”.

Durante a palestra, Sérgio Moro também disse que os processos não podem ser “de faz de conta” e que a lei deve ser aplicada de forma vigorosa para conter o “quadro de corrupção sistêmica” no Brasil.

Fonte: Agência Brasil

Polícia Federal realiza ação no Congresso e prende policiais

POLÍCIA FEDERAL PRENDE AGENTES DA POLÍCIA LEGISLATIVA DO SENADO ACUSADOS DE ATRAPALHAR INVESTIGAÇÕES DA OPERAÇÃO LAVA JATO (FOTO: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL)

A Polícia Federal foi ao Congresso logo no início da manhã desta sexta-feira (21) para realizar uma ação contra policiais legislativos suspeitos de prestarem serviço de contrainteligência para ajudar parlamentares investigados na Lava jato. A suspeita é de que policiais legislativos faziam varreduras nas casas dos políticos para, por exemplo, identificar e eliminar escutas instaladas com autorização judicial.

Quatro policias legislativos foram presos. A prisão deles é a temporária, que não tem prazo definido para terminar. Foram expedidos ainda cinco mandados de busca e apreensão e quatro de afastamento de função pública.

Os policias legislativos são servidores do quadro do Congresso que atuam na segurança tanto da Câmara quanto do Senado.

A operação desta sexta tem como base a delação premiada de um policial legislativo. Segundo ele, um diretor da polícia legislativo determinava que os subordinados prestassem o serviço de contrainteligência para senadores.

De acordo com o Ministério Público Federal, não há mandados nesta operação contra políticos nem foram realizadas buscas em gabinetes de parlamentares no Congresso.

Fonte: G1

Teori nega pedido de Dilma para anular impeachment

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki negou nesta quinta-feira (20) um pedido apresentado pela ex-presidente Dilma Rousseff para suspender a condenação do Senado que determinou a perda de seu mandato presidencial no processo de impeachment.

A sessão que resultou no impeachment da ex-presidente ocorreu em 31 de agosto e, por 61 votos a 20, os senadores aprovaram a cassação do mandato.

No despacho desta quinta, Teori Zavascki negou um pedido de decisão liminar (provisória), deixando para posterior decisão do plenário da Corte a decisão definitiva, de mérito, sobre o pedido da defesa da petista.

Teori Zavascki afirma na decisão não ver “risco às instituições republicanas, ao estado democrático de direito ou à ordem constitucional” para suspender a decisão do Senado.

O ministro considerou ainda que uma intervenção desse tipo pelo STF traria instabilidade ao país.

“Dúvidas não há sobre as avassaladoras consequências que uma intervenção judicial volúvel poderia gerar no ambiente institucional do País, que atravessa momentos já tão dramáticos do seu destino coletivo. Seriam também enormes as implicações para a credibilidade das instituições brasileiras no cenário mundial promover, mais uma vez – e agora por via judicial – alteração substantiva e brusca no comando da Nação”, escreveu o ministro na decisão.

Na ação, a defesa de Dilma pedia a imediata reintegração dela ao mandato presidencial, alegando que as acusações contra ela não configuram crime de responsabilidade.

A ex-presidente foi condenada à perda do mandato porque os senadores avaliaram que ela cometeu crime ao editar decretos de créditos suplementares sem aprovação do Congresso Nacional e ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais”.

Ao pedir a anulação da sessão do Senado, a defesa da ex-presidente afirmou que o atual presidente da República, Michel Temer, comandou negociações que levaram Dilma à condenação, e que as articulações foram “despudoradas”. Antes mesmo de ser afastada, a petista já o acusava de ser “golpista”.

Segundo a defesa, em razão dessas articulações de Temer, os derrotados na eleição de 2014 assumiram cargos e passaram a ditar um programa de governo sem ter votos que os legitimassem.

Em 1º de setembro, um dia após o Congresso ter aprovado o impeachment, a defesa de Dilma já tinha acionado o STF contestando a decisão. O pedido, à época, era para anular a condenação no impeachment e determinar que o Senado realizasse uma nova votação no processo.

Aquele mandado de segurança foi distribuído por sorteio para o ministro Teori Zavascki, que se tornou o relator do caso. Ele negou o pedido da defesa de Dilma uma semana depois.

A defesa queria uma liminar (provisória) para suspender os efeitos do impeachment, de modo que o presidente Michel Temer voltasse a ser interino até uma decisão final do plenário do STF sobre a ação.

Fonte: G1