sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Seis razões pelas quais na Venezuela ainda há socialismo

Os chavistas não conseguiriam ser mais socialistas, mesmo se tentassem

Publicidade em outdoor na Venezuela promove slogan "Feito pelo Socialismo". O logotipo também aparece em produtos confiscados de empresas privadas (Creative Commons)
Por Fergus Hodgson, Antigua Report

A inegável crise da Venezuela e o maior êxodo em massa da história da América Latina levaram os socialistas a argumentar que os chavistas não implementaram o verdadeiro socialismo. Todos os problemas que ocorrem naquele que é supostamente um paraíso socialista revolucionário, existem por causa de uma “guerra econômica” com o malvado império norte-americano.

Dada a lealdade sectária ao socialismo existente no mundo todo, essa enganação ganhou muitos defensores. Infelizmente, isso inclui membros proeminentes da oposição venezuelana, que parecem incapazes de ver o que está acontecendo bem debaixo de seus narizes. Por exemplo, o partido político Vontade Popular, de Leopoldo Lópezprisioneiro político e talvez o mais reconhecido líder da oposição — é membro de pleno direito da Internacional Socialista.

O bode expiatório e a pressão constante do socialismo, no entanto, não significam o fim da loucura. Também condena mais nações a seguir o exemplo da Venezuela em um pesadelo econômico e político autoimposto.

A palavra “socialismo” não é necessariamente o elemento crucial; o que o socialismo representa é a centralização dos meios de produção. Muitas vezes explicado com palavras que soam bonito, tais como liberdade e justiça, o socialismo significa uma economia de comando e controle que nega os direitos de propriedade e a autonomia individual, em contraste com o capitalismo.

Nas palavras do jornal Socialist Worker, socialismo significa “uma sociedade baseada em trabalhadores que coletivamente possuem e controlam a riqueza criada pelo seu trabalho […] na tradição marxista”. A questão dominante nas publicações socialistas é a busca de resultados igualitários, obtidos através da redistribuição de recursos e uma forte intervenção na economia, especialmente com a explícita posse e controle das indústrias pelo Estado.


Onde se encaixa a Venezuela da era chavista (1999 até o presente)? Hugo Chávez e seus aliados estavam tão determinados em introduzir uma “revolução” socialista que a gente se sente como um mosquito em uma colônia nudista; há tantas políticas para destacar. Chávez expandiu enormemente os programas socialistas existentes, e o ditador Nicolás Maduro — sucessor escolhido por Chávez — continuou e acentuou o intervencionismo. Quando Chávez morreu em 2013, havia 32 ministérios do governo. Agora há 40, incluindo o Ministério das Comunidades, da Soberania Alimentar, da Água e Ecossocialismo, e da Suprema Felicidade Social.

Aqui estão algumas políticas socialistas ideologicamente simbólicas da era chavista, agrupadas em seis categorias:

1) Confisco e nacionalização das indústrias

O confisco de empresas privadas tornou-se um procedimento padrão na Venezuela, e uma recente decisão de um tribunal internacional concedeu um acordo de 2 bilhões de dólares para a ConocoPhillips por uma expropriação feita em 2007. Nesse mesmo ano, empresas de comunicação também foram expropriadas. Em 2008, foi a vez do cimento, aço, mineração e produtos lácteos. Da mesma forma, em 2009, foi a vez do arroz, de uma companhia de aviação local e de algumas terras agrícolas.

Inevitavelmente, em 2010, à medida que a escassez se tornava evidente, o regime assumiu o controle das redes de supermercados, dos processadores de alimentos e dos fabricantes de embalagens, sem que isso aliviasse o problema. Em 2008, havia 800 mil empresas privadas registradas na Venezuela. Em 2017, esse número havia se reduzido para 270 mil.

2) Controle de preços

Preços fixos são o bastião dos analfabetos econômicos, uma vez que geram escassez ou excedentes e alimentam o mercado negro. No entanto, o braço propagandístico chavista, a Telesur, comemorou 33 aumentos do salário mínimo entre 1999 e 2016, impulsionados por uma política monetária irresponsável e uma inflação astronômica.

O salário mínimo foi apenas o começo. Para alcançar “preços justos”, desde 2014 todas as empresas estavam limitadas a uma margem de lucro máxima de 30% sobre os custos. Enquanto isso, quase todos os itens de consumo tinham preços estabelecidos pela Superintendência para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos (SUNDDE), gerando prateleiras vazias para todos os tipos de produtos, desde papel higiênico e desodorante até a cerveja. O centro de estudos de livre mercado da Venezuela, Cedice Libertad, estima que o controle de preços forçou 28 mil empresas a fechar em 2015 e 20 mil em 2016.

Talvez o pior controle de preços de todos — que é um ímã para o enriquecimento ilícito — foram os controles escalonados do tipo de taxa de câmbio. Esses controles são anteriores ao regime de Chávez e datam de 1940, mas cresceram a magnitudes incompreensíveis, desviando-se do tipo de taxa de câmbio do mercado negro por amplas margens de magnitude. Isso acontece quando se tem hiperinflação e remove-se três zeros da moeda (2008), e em seguida outros cinco (2018).


Um primeiro passo efetivo para qualquer governo orientado a uma reforma seria desmantelar completamente o Centro Nacional de Comércio Exterior (CENCOEX), que administra (leia-se: corrompe e realoca) o intercâmbio de divisas na Venezuela.

3) Projetos utópicos

Chavez começou mais projetos pessoais do que se pode registrar, mas talvez o maior deles tenha sido o das casas novas e as reformas de moradias. Para uma população de 32 milhões de habitantes, o programa que começou em 2009 reformou quase 600 mil casas. Com uma extensão do programa em 2011, foram construídas 1,9 milhão de novas casas para aqueles que eram considerados pobres.

Por aí se vê como o regime conseguiu gastar dinheiro suficiente para gerar inflação e, em seguida, a hiperinflação. Tal era a mentalidade de dependência e privilégio das pessoas que, quando os preços do petróleo caíram, o regime se recusou a fazer cortes e apenas se limitou a imprimir mais dinheiro para manter os níveis de despesa.

Para mostrar como era fiel aos ideais socialistas, Chávez também começou a construir 50 cidades, novos subúrbios, ou aldeias de propriedade “social”. O tamanho inicial era de cerca de 250 famílias, e a esperança era conseguir 350 cidades em funcionamento. No entanto, dada a crise econômica, moradores e candidatos abandonaram esse sonho irrealizável.

4) Demonização dos empresários

Que utilidade teria um movimento socialista sem capitalistas gananciosos para demonizar? Os beneficiários tradicionais dos ataques são os empresários, e na Venezuela não foi exceção.


Chávez colocou empregados contra empregadores e fez com que demitir alguém se tornasse algo impossível. Além de aumentar os benefícios necessários para incluir um mínimo de 15% de participação nos lucros, Chávez baniu os períodos de experiência. O tremendo risco associado à contratação de mão de obra significou que mais da metade das pessoas trabalham sem registro no setor informal da economia.

Podemos culpar os empregadores por sua resistência? A revolucionária burocracia significa que o início de um novo negócio na Venezuela leva pelo menos 230 dias.

5) Alianças anticapitalistas e marxistas

As alianças socialistas de Hugo Chávez começaram muito antes de seu mandato como presidente. Depois de liderar dois sangrentos golpes de Estado em 1992, Chávez ganhou indulto e foi libertado em 1994 (que grande erro foi esse). Ao sair da prisão ele aceitou um convite de Fidel Castro para se reunir com ele em Havana, e Chávez não escondeu sua admiração pelo ditador totalitário e seu subsequente mentor.

As alianças internacionais dos chavistas tinham dois objetivos principais: unificar os regimes socialistas e trabalhar com qualquer um que se opusesse aos Estados Unidos. Como os Estados Unidos são o símbolo do Capitalismo, a lógica era que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Entre os aliados menos ideológicos estão a Bielorrússia, o Irã, a Líbia e a Síria.

O principal bloco ideológico formado foi a Aliança Bolivariana, que Chávez fundou com Cuba em 2004. Entre seus membros estão os regimes mais socialistas e autoritários de linha dura da América Latina, como a Bolívia e a Nicarágua. Os membros são tão fanáticos e antiamericanos que até mesmo o Equador se retirou recentemente.

A relação amigável entre o regime de Chávez e os terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) é tão ruim quanto. Em 1995, Chávez recebeu treinamento de guerrilha desses marxistas violentos, e ele e Maduro apoiaram o acordo de paz das FARC que os eleitores colombianos rejeitaram em 2016. Os comandantes das FARC perambulam livremente pela Venezuela e saqueiam os recursos naturais do país.

6) Racionamento

“Gratuito” representa controle máximo de preços, já que define o zero como máximo. Quando as pessoas não têm que arcar com qualquer custo, elas consomem tudo o que podem, até chegar ao lucro zero.

Os regimes socialistas e as economias mistas encontraram muitas maneiras de evitar o consumo desenfreado, desde forçar a população a ficar em filas durante horas até estabelecer quantidades máximas por pessoa ou família, como em Cuba.

Os chavistas possuem um esquema particularmente elaborado chamado Carnet de La Patria. Trata-se de um cartão de identificação pessoal que permite aos venezuelanos acessar programas sociais, assistência médica, alimentos racionados e subsídios. Também permite ao regime saber quem votou nas eleições fictícias.

Chávez concorreu à presidência em 1998 com uma agenda de militância socialista — apoiada por Cuba, pelo Partido Comunista da Venezuela e pelo Movimento Socialista —, embora tenha se auto qualificado como um revolucionário “humanista“. Ele e seu sucessor Maduro principiaram a promulgar cada política socialista dos livros por quase 20 anos. Gastaram valiosos recursos nacionais em uma ladainha de discursos de engenharia social e impuseram inúmeros controles de preços.

As classificações internacionais confirmam a transição da Venezuela para o socialismo radical, que não deve ser confundido com os Estados de bem-estar nórdicos que dependem em grande medida da produção capitalista. A classificação de Liberdade Econômica Mundial do Instituto Fraser classifica a Venezuela como a economia menos livre — a mais centralizada — em todo o mundo.

Os idiotas úteis de todo o mundo celebraram então o surgimento do socialismo do século XXI.

No entanto, agora que os resultados catastróficos chegaram — escassez, pobreza, miséria, desemprego, hiperinflação, emigração, corrupção, fome, ilegalidade e conflito — de repente tudo o que aconteceu não é mais socialismo.

Os governantes da Venezuela não são santos idealistas, para dizer o mínimo, e suas políticas socialistas coincidiram com o fim da democracia. No entanto, o conceito de que esta última é responsável pela crise e não o primeiro, é no melhor dos casos enganosa.

Considere Singapura, com uma democracia limitada e direitos restritos à imprensa e à associação. Com uma das economias mais capitalistas do mundo, Singapura oferece elevados padrões de vida e segurança, atraindo expatriados. Quantos socialistas querem viver na Venezuela? Até os chavistas estão fugindo.

Os autoritários tendem a favorecer a implantação do socialismo porque isso os brinda com mais poder e deixa a população fraca. Em contraste, o capitalismo laissez-faire — o direito à propriedade e à liberdade de troca — incentiva o indivíduo e outorga aos governantes um papel limitado.

Fergus Hodgson é fundador e editor executivo da publicação latino-americana Antigua Report

Marina brinca que só não 'joga praga' em Bolsonaro porque 'fé não permite'

Candidata comenta sobre as dificuldades que enfrentou na última campanha
Jair Bolsonaro e Marina Silva. (Foto: Divulgação)

A presidenciável Marina Silva (Rede) disse em tom de brincadeira que só “não joga praga” em Bolsonaro porque a fé não permite. A frase foi dita durante resposta ao ser questionada sobre como o eleitorado a enxerga nessas eleições.

“Eu vou começar com uma brincadeira: eu só não vou desejar a ele (Bolsonaro) que aconteça o que aconteceu comigo, porque a minha fé não me permite jogar praga”, disse ao se referir à campanha de 2014.

Segundo a candidata, aquela foi uma campanha atípica. Ela identificou uma articulação dos grandes partidos para não permitir que ela registrasse a Rede, que é o seu partido no Tribunal Superior Eleitoral, em tempo de concorrer às eleições para presidente.
Eleições de 2014

Na ocasião, Marina teve 26% das intenções de voto, mas ela não chegou a passar para o segundo turno. “Eu fui candidata compulsoriamente no lugar de uma pessoa que perdeu sua vida”, referiu-se a Eduardo Campos (PSB) que morreu num acidente de avião durante a campanha.

“Aquela foi uma campanha difícil. Como se não bastasse o luto, ainda veio a força bruta do dinheiro da corrupção”, lembrou. De acordo com Marina, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se utilizaram do dinheiro de caixa 2 para financiar as campanhas.
Situação atual

“Não sou uma coqueluche, mas, com certeza, sou uma das alternativas. Talvez a mais forte para unir o Brasil”, declarou.

Ela é crítica da reforma trabalhista proposta pelo governo Temer. “É inadmissível ter trabalhadores que ficam em processo de espera, sendo convocados a qualquer momento pelo empregador”, escreveu sobre a possibilidade de trabalho intermitente.

Em relação aos problemas com a segurança pública, Marina disse que não se resolve “distribuindo armas para as pessoas” e defende políticas públicas para os cidadãos mais vulneráveis.

Quanto o assunto é “aborto”, um dos temas mais polêmicos para os eleitores cristãos, ela propõe um plebiscito para descriminalizar o aborto. A presidenciável disse ser contra o método enquanto estratégia contraceptiva. Além disso, ela propõe que o casamento civil de pessoas do mesmo sexo seja “protegido por lei”.

Com informações Uol

Barroso suspende proibição de ensino sobre gênero a crianças

Prefeitura de Palmas vetou uso de material didático que incentivava união de pessoas do mesmo sexo

Luís Roberto Barroso. (Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF/Fotos Públicas)


O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o artigo de lei que proíbe o ensino sobre gênero e sexualidade nas escolas públicas municipais de Palmas (TO).

A medida é provisória e ainda deve ser discutida pelo plenário do STF. Barroso disse que a lei local entrava em conflito com a Lei 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases de Educação), editada pela União.

Essa lei prevê o “respeito à liberdade, o apreço à tolerância e a vinculação entre educação e práticas sociais”. A polêmica que já é conhecida pela população brasileira se deu porque a Procuradoria Geral da República alegou que a lei de Palmas “colaborava com cultura de violência contra a parcela da população LGBT”.

“Quanto maior é o contato do aluno com visões de mundo diferentes, mais amplo tende a ser o universo de ideias a partir do qual pode desenvolver uma visão crítica, e mais confortável tende a ser o trânsito em ambientes diferentes dos seus”, observou o ministro.

A prefeitura de Palmas, em 2016, vetou o uso de material didático, no ensino municipal, que mencionava diversidade sexual. Na época, o Ministério da Educação havia disponibilizado livros didáticos que incentivavam união entre pessoas do mesmo sexo, debates sobre diversidade de gênero e o uso de preservativos.

Com informações Agência Brasil

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Ibope: Bolsonaro lidera isolado entre eleitores do DF

Deputado soma 30%. O presidiário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fica em segundo lugar, com 21% das intenções de voto

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, lidera as intenções de voto entre os eleitores do Distrito Federal, independentemente da participação do presidiário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial deste ano. Segundo levantamento do Ibope divulgado nesta segunda-feira (27/8), o deputado federal tem 30% da preferência dos brasilienses. No mesmo cenário, o petista alcança 21%.

Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) surgem em seguida, com 10% e 7% das menções, respectivamente. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, tem 4%. Alvaro Dias (Podemos), João Amôedo (Novo), Henrique Meirelles (MDB), Cabo Daciolo (Patriota) e Guilherme Boulos (PSol) somaram 1% das intenções, cada. Eymael (DC), Vera Lúcia (PSTU) e João Goulart Filho (PPL) foram mencionados pelos entrevistados, mas não pontuaram.

No cenário 2, quando Fernando Haddad é apresentado como candidato petista, Bolsonaro registra um ligeiro avanço: 31% no DF. Marina e Ciro somam 12% e 9%, respectivamente. Alckmin tem 5%. O ex-prefeito paulistano alcança 3%, logo à frente de Alvaro Dias (2%).

Meirelles, Amôedo, Daciolo, Vera, Boulos e Eymael apresentam 1% cada. João Goulart Filho não pontuou.

De acordo com o Ibope, quando o presidiário Lula é o candidato do PT, 17% dos eleitores brasilienses declaram voto em branco ou nulo, e 7% não sabem ou preferem não opinar. Sem Lula, esses números sobem para 23% e 9%, respectivamente.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo. Foram ouvidos 1.204 eleitores, entre os dias 21 e 23 de agosto. Com margem de erro de três pontos percentuais, o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00412/2018.

Buriti e Senado

Essa rodada presidencial entre os eleitores do DF faz parte do mesmo levantamento que apontou Eliana Pedrosa (Pros), Rodrigo Rollemberg (PSB) e Alberto Fraga (DEM) na liderança da disputa ao governo local. Cristovam Buarque (PPS), Izalci Lucas (PSDB), Chico Leite (Rede) e Leila do Vôlei (PSB) estão na frente na corrida pelo Senado.

O que pode sair da disputa entre EUA e China

Na China, já há críticas sobre o modo como Xi Jinping, que posa cada vez mais como governante absoluto, lida com a crise, escreve o jornalista Peter Sturm, do jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung".

Para a China, Donald Trump talvez tenha sido eleito presidente americano cerca de uma década antes do tempo. Pois os Estados Unidos ainda não são economicamente e politicamente tão fracos assim para que Pequim possa encarar de forma relaxada a queda de braço comercial.

Embora, é preciso dizer, relaxamento definitivamente não está entre os pontos fortes da liderança chinesa. Ela sempre conta, durante disputas econômicas como a de agora, a história de que a China é, na verdade, o maior país em desenvolvimento do mundo.

A quem, por isso, tudo deve ser perdoado – independentemente de toda deslealdade com que as competições comerciais parecem ocorrer ao redor do mundo. Mas se nos próximos meses ou mesmo anos a coisa realmente piorar para a China, o modelo chinês de ascensão – primeiro economicamente, depois, politica e militarmente – pode sofrer sérios danos.

Pois o presidente americano diz não só que não está mais disposto a jogar o jogo chinês, segundo o qual o tapete vermelho deve ser lançado para os produtos e investidores chineses no exterior, enquanto o mercado chinês permanece em determinadas áreas fortemente fechado aos estrangeiros.

Trump também age – em sua maneira característica, bruta. Uma nova rodada na guerra alfandegária entre EUA e China acaba de ser lançada. Na China, há críticas sobre o modo como o chefe do Estado e do partido, Xi Jinping, que posa cada vez mais como governante absoluto, lida com a crise.

Não há solução à vista, pelo menos para quem observa de fora. Nesta questão, o que está em jogo não é apenas a questão econômica, mas também o prestígio, a "honra". Uma solução para a disputa comercial, no entanto, não é de interesse apenas dos chineses e dos americanos.

A Europa, especialmente a Alemanha, também está interessada num comércio mundial livre, ordenado e justo. Não é preciso que se goste de Donald Trump e de seus métodos. Mas se, através dessa disputa, fosse obtida uma integração duradoura da China ao sistema, o confronto teria produzido algo no final.

Se não, muitas pessoas em muitos países sofrerão as consequências por um longo tempo. Há muito em jogo. A esperança é que os diretamente envolvidos politicamente estejam suficientemente conscientes disso.

Islâmicos destruíram 343 igrejas no Iraque

Líderes falam em perdão e recomeço: “Em nome de Jesus Cristo tudo é possível”

Igreja destruída no Iraque.

Este mês completa quatro anos que cerca de 140 mil cristãos precisaram fugir em massa do Iraque, enquanto militantes do Estado Islâmico tomavam de assalto as planícies de Nínive, no Iraque, maior reduto cristão no país.

“Seu plano era eliminar a população cristã e também a memória histórica”, disse Andrew Walther. Ele é parte dos Cavaleiros de Colombo, a maior organização católica dedicada a ajudar os cristãos perseguidos naquela parte do Oriente Médio.

Walther lembra que a história milenar da presença cristã do Iraque foi destruída em questão de dias. “Eles explodiram o túmulo do profeta Jonas. Depois, destruíram sistematicamente os cemitérios cristãos, as igrejas cristãs e casas dos cristãos”, lembra.

Durante mais de 2000 anos, a região de Nínive foi o lar dos cristãos caldeus, siríacos e assírios. Na grande maioria eles seguem a tradição católica ou ortodoxa. “Quando o Estado Islâmico invadiu o norte do Iraque, dizimaram os cristãos. Eles chegaram dizendo que nossa opção era converter ao islamismo ou morrer. Muitos fugiram no mesmo dia”, explica Walther.

“Os jihadistas queriam eliminar qualquer tipo de diferença. Por isso, não apenas mataram as pessoas, também removeram tudo que se referia a nossa cultura.”

O saldo do massacre foi a destruição de 263 igrejas e mais de 13.000 casas de não islâmicos, pois a minoria Yazidi também foi perseguida. Ninguém sabe até hoje o paradeiro de centenas de mulheres que foram sequestradas por eles.

“O objetivo do EI era explodir monumentos, igrejas e qualquer coisa pertencente a uma crença religiosa diferente do Islamismo”, acrescentou Walther.

Hoje, quatro anos depois, o Estado Islâmico foi derrotado e não domina mais a região. Contudo, muitas aldeias permanecem desoladas. “Muitas cidades ainda são zonas de guerra, com minas terrestres e sem água, para onde a população original não pode voltar”, disse Walther, que viaja por todo o Iraque tentando ajudar os que desejam voltar para suas antigas casas.
Fé para superar

Apesar dos enormes desafios, os cristãos iraquianos estão lentamente tentando recomeçar a vida na terra de seus antepassados. Com a ajuda de grupos humanitários católicos e evangélicos, centenas de famílias estão reconstruindo ou restaurando suas casas.

O padre Salar Kajo trabalha com o Comitê de Reconstrução de Nínive (NRC), ONG que tenta reconstruir nove aldeias naquelas planícies. “A igreja é a única organização que trabalha para que os cristãos do Iraque recuperem suas casas”, disse Kajo. “Se essas famílias não voltarem, o cristianismo desaparecerá do Iraque”.

Segundo um levantamento recente, 8.815 famílias cristãs iraquianas retornaram às planícies de Nínive desde que o Estado Islâmico foi derrotado.

Conforme destaca Andrew Walther, os centros médicos e de distribuição de alimentos ajuda a todos: “Temos clínicas médicas que atendem às necessidades das populações yazidis, cristãs e muçulmanas”.

Contudo, ele sabe que a maioria das casas igrejas não serão reconstruídas. “Já investimos cerca de 20 milhões de dólares, mas não é o suficiente”, calcula. O orçamento mínimo para restaurar as casas, os templos e a infraestruturas básica está na casa dos US$ 200 milhões. A missão Portas Abertas também está envolvida no projeto, mas não divulgou seus gastos.

Walther diz que os cristãos que voltaram estão prontos para perdoar e seguir em frente. “Algo que esses cristãos me dizem repetidamente é que o perdão é um grande elemento disso”, revela.

“A ideia de que a comunidade cristã pode perdoar o que foi feito a eles e ajudar a ser uma espécie de fermento como resultado disso, é algo que eles levam muito a sério”, acrescentou Walther.

O padre Salar Kajo destaca que somente a fé possibilita que eles falem sobre perdão e o futuro. “Nosso povo sofreu muito. Durante anos como refugiados no Curdistão enfrentaram muitas dificuldades. Mas eles têm uma fé que lhes permitiu superar tudo. Em nome de Jesus Cristo tudo é possível”. 

Com informações CBN

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Projeto de Lei do PSOL quer impedir que candidatos usem 'títulos religiosos'

Jean Wyllys e Luíza Erundina tentam vetar uso de expressões que designem cargos ou funções militares, religiosas e acadêmicas

Jean Wyllys e da Luiza Erundina.

Apresentado em 2016, o Projeto de Lei 6648 visa impedir “a utilização de expressões que designem hierarquia funcional ou social, cargos ou funções militares, religiosas, acadêmicas ou profissionais como antecedentes das denominações dos candidatos”.

Ou seja, segundo seus autores – Jean Wyllys e da Luiza Erundina, ambos do PSOL – nas próximas eleições, ninguém poderá concorrer utilizando títulos como “pastor”, “missionário” ou “bispo”. Além disso, também estão vetados termos como “professor”, “sargento” ou “major”.

A justificativa do Projeto de Lei afirma que “não há mais espaço, em pleno século XXI, sobretudo no processo eleitoral, para tais expedientes” e que, “A rigor, trata-se de meros expedientes eleitorais, consistentes na fixação de ‘marcas’, ‘rótulos’ ou ‘patentes’ para atrair o voto, principalmente dos mais humildes”.

Recentemente, o PL recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). O relator é Chico Alencar (PSOL-RJ), que votou pela “constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa e, no mérito, pela aprovação”. A questão mostra bem quais são as pautas importantes para o partido.

Entre os candidatos evangélicos, essa opção é muito comum. Este ano foram utilizados nos pedidos de registro eleitoral 313 casos de “pastor” ou “pastora”, seguido por “irmã” ou “irmão” (97) e “missionário” ou “missionária” (40).

Caso seja aprovado pela Câmara, nas próximas eleições muitos candidatos terão de se abster do uso de títulos que o tornaram conhecidos. Por exemplo, em São Paulo, não será possível pedir votos para “Pastor Marco Feliciano” ou “Major Olímpio”; em Pernambuco o “Pastor Eurico” e no Paraná o “Pastor Takayama” terão de usar outros nomes na urna.

Os ingênuos defensores de teorias socialistas precisam acordar para a realidade

Socialismo e comunismo criam sociedades repressivas

Multidão se aglomera na Praça da Vitória, em Bucareste, na Romênia, no 32º aniversário da Revolução Russa (Keystone/Getty Images)

Por Ileana Johnson

Na adolescência, eu tinha que frequentar todos os anos aulas de doutrinação sobre “socialismo científico.” Essa ciência artificial foi inventada por Karl Marx e Friedrich Engels como uma teoria para explicar o processo de transformar a sociedade do capitalismo ao comunismo, definindo as “leis” da revolução que ocorreria e descrevendo as táticas que seriam utilizadas pelo “proletariado” contra a “burguesia”.

Eu vi meus colegas quase dormindo em suas carteiras, sabendo perfeitamente bem que a teoria que era discutida na aula não tinha nada a ver com a realidade.

A retórica constante sobre como devíamos transformar o socialismo de teorias utópicas em “ciência” através do “materialismo histórico” era ouvida ao mesmo tempo que o roncar dos estômagos vazios. Disseram-nos que se uníssemos o socialismo científico com a agitação do proletariado, os trabalhadores se tornariam uma classe revolucionária consciente e o comunismo seria construído.

Sabendo quantas pessoas já morreram tentando escapar de países socialistas opressores, fico impressionada com quantos “idiotas úteis” hoje defendem esse sistema político e econômico que matou milhões de pessoas que inocentemente acreditaram nos marxistas.

Talvez a minha experiência ajude os outros a entender o que é “socialismo”.

Igualdade

O socialismo engloba os sistemas econômicos e sociais definidos pelo controle dos meios de produção e da propriedade social. A propriedade social pode ser pública, coletiva ou cooperativa.

As doutrinas socialistas se concentram na oposição ao individualismo e na instalação da “igualdade e solidariedade”, e perseguem uma variedade de objetivos econômicos. São divididas em vários tipos de socialismo, como o socialismo marxista, o comunismo ou o “socialismo utópico”, o socialismo libertário, o socialismo reformado e a social democracia.

O socialismo que eu experimentei nos ofereceu igualdade na miséria, igualdade de exploração e igualdade de condenação à prisão se não obedecêssemos os líderes do Partido Comunista. E certamente não havia justiça para o “proletariado”. Obedecíamos e aceitávamos nosso destino e as decisões tomadas pela elite comunista que nos dominava.

O socialismo afirma estar organizado em torno do interesse coletivo e não do interesse de um grupo de indivíduos, e é projetado para entregar o poder ao povo. Dizer que essa teoria é uma piada é generosidade da minha parte.

Não tínhamos poder nenhum, e se tentássemos reclamar disso — ou de nossa parcela dos meios da produção — corríamos o risco de dar de cara com o cano de uma arma na mão de um policial, o qual era apenas representante dos bandidos bem alimentados, bem pagos e bem armados do Partido Comunista. Nós sequer tínhamos uma espingarda de caça, já que todas as armas de fogo haviam sido confiscadas muito antes do Estado tomar o controle total das nossas vidas.

Bens em comum

Uma economia socialista defende um Estado administrador supremo de todos os bens comuns. O Estado é responsável por garantir que “cada indivíduo tenha condições de viver, de perpetuar a espécie, de desfrutar a vida, de ter dignidade e respeito por si mesmo e os outros, de encontrar a felicidade e participar do bem-estar da nação”. Essa é a retórica socialista enlatada.

A realidade socialista que eu experimentei era bastante diferente. O Estado dizia a cada cidadão o quanto ele podia comer, através da produção e distribuição inadequadas de alimentos; dizia o quanto podia consumir de outros bens, através de planos quinquenais inadequados cujos objetivos eram sempre alcançados e ultrapassados no papel, enquanto a mercadoria se tornava escassa no mercado e era de má qualidade, porque ninguém realmente se importava. As pessoas fingiam trabalhar e o Estado fingia pagar-lhes “salários dignos”. As pessoas complementavam sua renda e seu acesso a alimentos com atividades no mercado negro e roubando do trabalho, trocando por coisas que eles precisavam.

O Estado nos dizia através do planejamento central comunista quanta eletricidade, aquecimento e água podíamos consumir, cortando o abastecimento por várias horas todos os dias; dizia quanta propriedade privada podíamos acumular através de sua polícia da economia sempre vigilante que batia nas portas e confiscava tudo o que considerava excessivo; e dizia quantos remédios podíamos ter, esvaziando as farmácias.

O Partido Comunista inclusive lançou normas legais nos anos 80 a respeito de quantas calorias por dia cada pessoa podia consumir. Era quase impossível encontrar uma pessoa obesa a menos que tivesse algum outro problema de saúde.

Um vídeo feito em 1989 mostra o ditador socialista Nicolae Ceausescu visitando um mercado de Bucareste e uma padaria. No filme, as prateleiras estavam cheias de comida, pão, pastelaria, salame, queijos, carne, açúcar, azeite e outros produtos que os cidadãos pobres disputavam em filas intermináveis todos os dias.

Essa abundância toda havia sido entregue momentos antes, e cuidadosamente arrumada para a visita do ditador. Assim que ele se foi, a comida foi removida, deixando as mesmas prateleiras vazias e escuras, do jeito que o “proletariado” estava acostumado a ver.

Os empregados da padaria pareciam envergonhados, de pé com seus macacões brancos, aplaudindo o amado líder como se ele fosse uma estrela de rock. O culto à personalidade tinha que ser alimentado constantemente por uma multidão que fingia adorá-lo, que era forçada a ficar no sol, ou sob chuva ou neve para aplaudi-lo onde quer que resolvesse aparecer.

No socialismo não existe propriedade privada, dizem aqueles que simpatizam com ele. Nos vinte anos em que vivi a transição do socialismo ao comunismo, as elites tinham sua propriedade privada enquanto o proletariado não tinha nada. O Estado dirigido pelo Partido Comunista controlava tudo, inclusive o que as pessoas podiam falar.

O sempre astuto teórico e pensador parasita Karl Marx, que vivia às custas da generosidade de seus amigos e patronos ricos, escreveu que o socialismo é uma transição imperfeita entre o capitalismo e o comunismo, onde os bens e o dinheiro são distribuído desigualmente de acordo com o trabalho feito.

Na realidade, o trabalho dos médicos e do proletariado era pago mais ou menos igualitariamente, eliminando assim o incentivo de passar anos na universidade para se tornar um médico. Os Democratas e as pessoas de esquerda dizem hoje que é obsceno que um médico ganhe muito dinheiro e que as consultas deviam ser gratuitas.

Duas classes

“Socius” em latim significa “camarada” ou “aliado”. Era preciso ter muito cuidado com quem você se aliava, para não acabar na cadeia ou morto. “Comunis” em latim significa “compartilhado”. Na prática, ninguém compartilhava nada no comunismo, exceto a miséria e a pobreza. Embora nos livros se descreva que o comunismo não tem classes, na realidade ele tem duas: o proletariado (a maioria) e a elite dominante (os membros do Partido Comunista).

No socialismo não há “igualdade de oportunidades”, para usar um eufemismo dos democratas. Não há “segurança econômica”, mas insegurança. Não há um salário decente, mas um salário suficiente apenas para sobreviver.

O socialismo e o comunismo criam sociedades repressivas. Não há “cuidados de saúde universais”, há racionamento de saúde. Não há “bem público”, apenas o “bem” do Partido Comunista, e produtos especiais em lojas especializadas apenas para o Partido Comunista. Há educação pública gratuita misturada com doutrinação forçada da teoria marxista.

Nós definimos a civilização ocidental pela nossa humanidade. No comunismo, a vida não tinha valor a menos que fosse daqueles que estavam no poder. Se um bebê nascia com uma deficiência curável, o Estado não gastava nenhum recurso para salvá-lo. O recém-nascido era deixado sem cuidados, esperando a morte.

Os estudantes eram vacinados na escola com as mesmas 3 ou 4 seringas e agulhas fervidas todas as manhãs em latas enferrujadas, não em um recipiente apropriado para esterilização. A hepatite corria desenfreada. Os hospitais lavavam e utilizavam as mesmas ataduras novamente.

Os funcionários dos hospitais, dos enfermeiros e enfermeiras até os médicos, tinham que ser subornados para que os pacientes tivessem um atendimento adequado. O atendimento médico e os remédios eram gratuitos, mas as famílias tinham que fornecer lençóis, toalhas, atenção ao paciente o tempo todo, alimentos e remédios comprados no mercado negro. O paciente que não tinha família para cuidar dele ficava deitado em uma cama de metal, desacompanhado por semanas, até que melhorava por si mesmo ou morria.

“Pequenas doses” de socialismo

H.G. Wells, o prolífico escritor britânico de ficção científica que se descrevia como socialista à esquerda de Stálin, entrevistou o infame ditador soviético durante três horas em 23 de julho de 1934. A entrevista foi gravada por Constantine Oumansky, chefe do Gabinete de Imprensa do Comissário de Assuntos Externos.

O tema da entrevista era contar o que Stálin estava fazendo para “mudar o mundo”. Wells disse a Stálin que ele estava tentando ver o mundo através dos olhos do “homem comum”, não dos olhos de um político ou burocrata.

Indicando a Stálin que “os capitalistas devem aprender com você para entender o espírito do socialismo,” Wells disse que estava ocorrendo uma profunda reorganização nos Estados Unidos, a criação de uma “economia planejada, ou seja, socialista”. Ele tinha testemunhado a construção de prédios de escritórios em Washington, novos órgãos reguladores do Estado e a criação de “um Serviço Civil muito necessário”.

O líder soviético Nikita Khrushchev disse em 1959: “Não podemos esperar que os norte-americanos saltem do capitalismo para o comunismo, mas podemos ajudar seus líderes eleitos a dar aos norte-americanos pequenas doses de socialismo até que de repente despertem e descubram que estão vivendo no comunismo”.

Hoje, as “pequenas doses” do socialismo tornaram-se doses maiores e estão sendo impulsionadas por políticos, pela mídia e pelo meio acadêmico.

Fonte - https://www.epochtimes.com.br/ingenuos-defensores-teorias-socialistas-precisam-acordar-realidade/

Festa que ressalta virtude de jovens gera polêmica na França

"Quando falamos de virtude, falamos da disposição de fazer o bem. A virtude da inteligência, de ser boa aluna, de ajudar o outro, do envolvimento com o povo, de se preocupar com o próximo"

(Cortesia dos organizadores/Agência EFE)

Por Clàudia Sacrest, Agência EFE

A festa que o pequeno povoado francês de Salency faz para coroar uma jovem escolhida por suas “virtudes” estava há 30 anos sem acontecer, mas o anúncio do retorno, marcado para junho de 2019, chegou cercado de polêmica, após alguns críticos apontarem que a virgindade é um dos critérios de seleção.

Um artigo publicado no jornal “Le Parisien” que cita “a virtude, a piedade e a modéstia, mas também a virgindade” como qualidades exigidas gerou uma onda de críticas e um petição online no “Change.org” com mais de 30 mil assinaturas contra a organização da festa.

A “Fête de la Rosière” nasceu no século V, quando São Medardo coroou uma jovem exemplar como santa. Desde então, e até 1987, uma moça com idade entre 16 e 20 anos era escolhida todo ano como a “Rosa” por sua “conduta irretocável”, e no domingo seguinte era coroada com flores e escoltada por 20 meninos e meninas.

“A polêmica aconteceu por causa da pouca honestidade da imprensa. Eu disse virtude como critério e alteraram a minha mensagem”, lamentou o presidente da Confraria de São Medardo, Bertrand Tribout, organizadora da festa.

Embora alguns jornais atribuam a ele a informação de que a reputação das candidatas pese na hora da escolha, ele garantiu que é um “apaixonado pela história”, mas a questão da virgindade “não interessa”.

“Quando falamos de virtude, falamos da disposição de fazer o bem. A virtude da inteligência, de ser boa aluna, de ajudar o outro, do envolvimento com o povo, de se preocupar com o próximo. Sempre falo de estima, estima pública”, ressaltou Tribout à Agência EFE.

Com apenas 900 habitantes, a pressão midiática pegou de surpresa a Prefeitura de Salency, que deixou de fazer o evento há três décadas “por motivos financeiros” e que, em uma tentativa de reativar o patrimônio local, decidiu retomá-la. Apesar das críticas, a eventual anulação será decidida em uma votação em setembro.

No entanto, a “Fête de la Rosière” não é a única tradicional da região. Na Brède, Emma Baggio foi escolhida há dois meses a “Rosière” de 2018, uma comemoração criada em 1824 e com muita adesão dos jovens.

Fontes da Prefeitura de Brède indicaram à EFE que a ideia é eleger “um representante da juventude” e que “os critérios evoluíram” para estar “perfeitamente adaptados ao momento atual”. Conforme explicaram, basta apenas carta de motivação justificando o vínculo com o povo. Diferentes famílias locais selecionam a candidata e ela, por sua vez, elege um par para que seja nomeado com ela.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

A mídia estimula a transexualidade nas crianças, alertam especialistas

Marco Antonio Coutinho Jorge e Natália Pereira Travassos falam sobre “o perigo da banalização da troca de sexo”

Reportagem do Fantástico sobre ideologia de gênero. (Foto: Reprodução / Globo)

Especialistas respeitados na área da psiquiatria, Marco Antonio Coutinho Jorge e Natália Pereira Travassos, deram uma entrevista ao site O Antagonista sobre seu livro “Transexualidade — O Corpo Entre o Sujeito e a Ciência”.

Com currículos extensos, os dois fazem uma análise científica da percepção da sociedade sobre a questão da transgeneridade. Seu alerta é para o perigo da banalização da troca de sexo, afinal trata-se de uma escolha irreversível com profundas consequências físicas e emocionais.

Para os psicanalistas, a mídia exerce grande influência na maneira como o tema “transexualidade” ganhou espaço nos últimos anos.

“A influência midiática é uma faca de dois gumes. Reconhecemos que a propagação da informação é fundamental no combate ao preconceito, mas, ao jogar um foco excessivo sobre a transexualidade, a mídia estimula a avidez de um mercado – médico e farmacêutico – que é altamente promissor, pois fideliza os “pacientes” para o resto de suas vidas”, asseveram.

Jorge e Travassos destacam ainda que hoje em dia, “para tornar-se um “profundo” conhecedor sobre a transexualidade, basta buscar no Google e ali encontrar descrições minuciosas dos procedimentos cirúrgicos de redesignação sexual, assim como se estivéssemos acompanhando o preparo de uma receita de bolo no programa de culinária”.

Uma das ideias mais comumente adotadas em estudos sobre gênero é a busca de “um gene transexual”, que serviria como prova biológica da homossexualidade e da transexualidade. Contudo, os especialistas alertam que essa é uma falácia.

“A própria definição da Organização Mundial de Saúde sobre o conceito de saúde engloba três aspectos: biológico, psíquico e social. Sendo assim, explicar pela via biológica algo do universo humano é deixar de reconhecer que ali há um sujeito e que, enquanto tal, constrói seu próprio enredo. Se fosse assim, não haveria gêmeos univitelinos com orientações sexuais divergentes entre eles”, resumem.

Acrescentam também que “nunca houve qualquer descoberta contundente da genética ligada à orientação sexual nem à transexualidade”, mas que as mídias “abrem enorme espaço para notícias duvidosas desse tipo”.

Outra percepção bastante equivocada, mas que continua ganhando espaço é a ideia de “crianças trans”. Essa é uma percepção equivocada. “Nenhuma criança se define como transgênero, ela recebe essa nomenclatura de um adulto que, na maioria das vezes, são os próprios pais e, posteriormente, especialistas”, asseguram.

Segundo eles, “A homofobia parental parece desempenhar um papel fundamental nesses casos: em especial, ao menor sinal de feminilidade nos meninos, a transexualidade acena como uma solução que pode facilmente desviar a discussão de uma possível homossexualidade”.

STF mantém liberdade concedida ao comunista José Dirceu

Por 3 votos a 2, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (21) manter a decisão tomada em junho que suspendeu a execução da condenação do ex-ministro José Dirceu a 30 anos de prisão na Operação Lava Jato. Com a decisão, Dirceu foi libertado e deixou Penitenciária da Papuda, em Brasília.

A decisão foi tomada a partir de um recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o habeas corpus protocolado pela defesa de Dirceu. Reafirmaram voto pela soltura o relator, Dias Toffoli, e os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Com a decsião, Dirceu permanecerá em liberdade até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analise o recurso adequado para reavaliar a pena. 

Na sessão desta tarde, o ministro Edson Fachin finalizou seu voto sobre a questão. Segundo o ministro, o habeas corpus não poderia tersido concedido por razões processuais. Celso de Mello, que não havia votado na sessão de junho, também votou para determinar o retorno de Dirceu à prisão 

José Dirceu foi preso em maio após ter a condenação confirmada pela segunda instância da Justiça Federal, com base no entendimento do STF, que autorizou a execução provisória da pena, após o fim dos recursos na segunda instância.

Na mesma sessão, o colegiado também manteve a decisão que suspendeu a condenação e determinou a soltura do ex-tesoureiro do PP, João Claudio Genu, também condenado na Lava Jato.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

'Eles não querem paz', afirma embaixador de Israel sobre árabes

Youssi Shelley diz que é preciso negociar a paz "quando chega o momento"

Yossi Shelley. (Foto: Folhapress)

O embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, falou sobre os motivos que alimentam a guerra em Israel. Além disso, explicou sobre algumas medidas que o governo israelense costuma tomar para manter a paz.

O conflito histórico entre Israel e as nações árabes já é bem antigo. Depois de tantos desacordos e guerras, passando pela perseguição aos judeus, o embaixador conta que Israel surgiu das cinzas.

Neste ano, o novo Estado completou 70 anos existência. “Agradecemos a Oswaldo Aranha por essa decisão definitiva”, agradece Youssi Shelley ao se referir ao diplomata brasileiro que foi considerado fundamental para a decisão da ONU, na criação do Estado judeu, em 1948.

Relacionamento de Israel com as nações

Em entrevista ao programa Mente Aberta, da Rede Super, o diplomata foi questionado sobre a relação de Israel com os países árabes. O embaixador explicou que “eles não querem paz”. E usou como exemplo a dança do tango: “Quando você quer bailar, é preciso ter duas pessoas. Com uma, não tem dança”, brincou.

“Quando tive um acordo de paz com o Egito, Anwar Al Sadat (…) pediu para retirar 150 mil (israelenses que ocupavam o país)”, explica o embaixador. Ele conta que, com muito choro e muita dor, teve que retirar as pessoas do Egito, que já moravam ali há 30 anos.

Segundo ele, as pessoas tiveram que deixar suas casas e tudo o que construíram ali durante uma vida. Ele justifica que quando “chega o momento” é preciso fazer a paz. “Uma paz duradoura”, como ele enfatizou e não uma paz de apenas dois ou três anos.
Planejando a paz

Depois ele lembrou sobre a Primavera Árabe. “Quebrou todos os Estados”, afirmou. O embaixador se referiu à falta de planejamento nas negociações de paz. Depois disso, também comentou sobre o relacionamento entre Brasil e Israel, enfatizando que sempre foi muito bom.

“Os judeus ajudaram a fundar o Brasil. Nós somos parceiros de vocês (brasileiros). Se fizer um teste de DNA vocês verão que são 50% judeus”, concluiu com otimismo.

Assista!

Bolsonaro: 'O Estado é laico, mas eu sou cristão'

Pastor da família diz que candidato é “amigo das igrejas evangélicas”

Jair Bolsonaro e esposa na igreja. (Foto: Reprodução / Youtube)

O deputado federal e candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) participou do culto neste domingo (19) na Igreja Batista Atitude, no Rio de Janeiro. No final da reunião, o pastor Josué Valandro Jr. chamou o político para receber uma oração.

O líder da igreja relatou que participou, com vários outros pastores influentes do Brasil, de uma espécie de sabatina dos candidatos em Belo Horizonte, na semana passada. Segundo ele, foram convidados também Geraldo Alckmin e Marina Silva. Bolsanaro foi o que recebeu mais apoio.

Deixando claro que não se tratava de campanha, nem de voto de cabresto, Valandro explicou que a família frequenta a igreja e a esposa do político, Michele “é ativa e dedicada” na congregação.

“Deputado, eu não sei qual é a vontade de Deus para sua vida, mas uma coisa eu queria te falar […] Nós louvamos a Deus pela sua coragem, não preciso concordar com tudo que o Bolsonaro diz para orar pela sua vida”, declarou o pastor diante dos presentes.

O vídeo com o momento de oração está circulando nas redes sociais e ficou entre os 10 mais assistidos do Youtube nesta segunda-feira (20).

Ao chamar os demais pastores para a oração, Valandro destacou: “nós precisamos [na presidência] de alguém justo e correto”. Bolsonaro ajoelhou, ao lado da esposa, enquanto o pastor da igreja clamou pela vida do candidato e de sua família.

“Ele tem orado e pedido sabedoria a Deus. Ele respeita a Igreja e respeita as crianças, ele não é favorável à morte de inocentes… Este homem tem valores cristãos, é amigo das igrejas evangélicas e da ética. Que em outubro tenhamos uma resposta do céu”, asseverou, intercedendo para que a nação brasileira seja unida “em direção à fé”.

Recebendo cerca de 30 segundos para se manifestar, Bolsonaro chorou e disse que “de tanto ver coisas erradas, decidi concorrer”. Falando sobre seus adversários, destacou: “sei o que eles têm, mas eu tenho o que eles não têm… Temos que valorizar a família, devemos varrer o comunismo do Brasil”. Sob aplausos, encerrou dizendo que “O Estado pode ser laico, mas eu sou cristão”.

Assista!

domingo, 19 de agosto de 2018

Facebook está banindo vídeos conservadores e anti-Islã

Página conservadora revela queda de 99% no alcance


O Facebook está aplicando cada vez mais o “shadow banning”, termo em inglês usado para o ato de bloquear um usuário de uma plataforma on-line sem que ele perceba que foi banido. Nesses casos, as páginas atingidas não são mostradas para seus seguidores como costumava acontecer.

O caso mais recente é do site educacional PragerU, fundado pelo radialista conservador Dennis Prager. Com cerca de 3 milhões de seguidores, sua página teve uma queda no engajamento de 99,9999%. Capturas de tela divulgadas por ele mostram que suas publicações mais recentes não foram vistas por virtualmente ninguém. Ou seja, é como se a página não existisse. Além disso, dois de seus vídeos mais recentes foram censurados, sob acusação de “discurso de ódio”.

Um deles era sobre como é enganosa a ideia de “muçulmanos moderados”. Segundo o site Breitbart, a severa limitação da PragerU apenas comprova que o discurso de Mark Zuclerberg no Congresso norte-americano negando a censura não corresponde à verdade dos fatos.

Isso fica escancarado quando os últimos nove posts da PragerU alcançaram entre um e três seguidores, enquanto os posts anteriores tinham entre 50.000 e 95.000 visualizações. Um desses vídeos sem alcance era uma brilhante defesa do advogado Alan Dershowitz sobre “O direito de Israel existir como nação”, que também foi banido do Youtube.

O YouTube, parte do grupo Google, também censurou vídeos produzidos por Dennis Prager. A CEO da PragerU, Marissa Streit, falou sobre a crescente censura tecnológica.

Ela lamenta que, se empresas do big tech como o Google, “operam como tiranos autoritários que controlam o fluxo de informações”, a era da informação se tornará uma idade das trevas. Além disso, “o que entendemos como liberdade de expressão será distorcido até que seja eliminado de vez”.
Terrorismo nas redes

O Instituto de Pesquisa para o Oriente Médio (MEMRI), que analisa o crescimento dos movimentos jihadistas no mundo, vem denunciando que a propaganda terrorista continua abundando nas redes sociais.

Sam Westrop, diretor do site Islamist Watch, denuncia que “a mensagem do Facebook é que a censura é absolutamente necessária”, mas “ao assumir o papel de moderador para as opiniões de seus dois bilhões de usuários, o Facebook ocupa a extraordinária posição de ser o principal árbitro mundial de discurso aceitável”.

O analista entende que as gigantes da tecnologia (Facebook, Google, Twitter) criaram uma “bolha do Vale do Silício” que vem excluindo do discurso público conservadores em geral, com ênfase recente nos ativistas anti-islâmicos ignorando quem, de fato, produz “discurso de ódio” contra a sociedade ocidental.

Jesus não é socialista e essa ideia diminui Deus

Quanto mais as pessoas dependem do Estado, menos se preocupam em depender de Deus, revela pesquisa

Ilustração de Jesus como Che Guevara. (Foto: Divulgação)

Quando grupos políticos tentam associar o nome e a imagem de Jesus Cristo a ideais políticos, geralmente causam indignação para os que creem na revelação das Escrituras. Afinal de contas, não há qualquer indício de que o Salvador defendia um sistema de governo, seja ele chamado hoje em dia de “direita” ou de “esquerda”.

Ao mesmo tempo, quem conhece os escritos dos teóricos do socialismo, sabe que eles preconizam um Estado ateu. Para o maior deles, Karl Marx, “a religião é o ópio do povo”. Os países que atualmente adotam oficialmente este regime como China e Coreia do Norte, por exemplo, perseguem os cristãos de maneira sistemática.

Um estudo recente indica que, quanto mais a população depende do governo para serviços públicos, menos se preocupam em depender de Deus.

Assinada por Miron Zuckerman e Chen Li, da Universidade de Rochester, e Ed Diener, das universidades de Utah e Virgínia, a pesquisa constatou que acaba ocorrendo uma espécie de “troca” na percepção e a religiosidade tende a diminuir.

Segundo os autores da pesquisa, há governos que usam seus programas sociais como uma maneira de influenciar a população, alterando sua visão de mundo, deixando-as menos dispostas a buscar “a ajuda de Deus ou de outras percepções religiosas”.

Outro aspecto que chama a atenção é que esse discurso político sobre a figura de Jesus é ouvido em vários meios. Recentemente, o humorista Stephen Colbert, que tem um talk show renomado na CBS, afirmou que “Deus é socialista”. Ele disse aos seus milhões de espectadores: “Jesus não cobrava os leprosos quando os curava”.

A co-fundadora do movimento ‘Socialistas Democráticos da América’, Kelley Rose, de 36 anos, insistiu que o Filho de Deus defendia essa ideia durante seu ministério terreno. “Se alguém já foi socialista, esse alguém era Jesus”, afirmou ela.

Esse tipo de declaração tem o único propósito de confundir a audiência e, via de regra, acaba ganhando atenção da mídia. No Brasil já vimos o nome de Jesus sendo associado a movimentos políticos de esquerda várias vezes, ecoando esse tipo de retórica.
Jesus está muito acima das ideologias

Bruce Ashford, diretor do Seminário Teológico Batista de Southeastern, na Carolina do Norte, afirmou ao Faithwire que as Escrituras “não falam diretamente sobre questões de política pública”.

“Na maioria dos casos, você não pode apenas pegar o ensino moral cristão e traduzi-lo de maneira direta em políticas públicas”, destacou. “Precisamos ter cuidado ao inferir que a Bíblia fala diretamente sobre política econômica”.

Ashford viveu na Rússia na década de 1990 e sabe bem como era o regime. Conforme destaca, o socialismo “tende a fazer da igualdade material um bem supremo ou um ‘deus’, transformando, em casos mais extremos, a propriedade privada em comunal”.

“Quando você coloca algo que não seja Deus como supremo, isso se torna uma arma para tentar derrotar outros aspectos da boa criação de Deus”, destaca o teólogo.

O professor Ashford diz que, por vezes, “nossa tendência é colocar todas as nossas expectativas na política”. Mas isso é errado, argumenta, “Deus criou o mundo para ser uma rede interligada de atividades culturais que inclui política, economia, artes, ciência, educação, família, igreja, negócios e assim por diante”.

O editor da Faithwire, Tré Goins-Phillips, lembra que Jesus está muito acima de ideias ou partidos políticos. “A verdade é que Deus não é um socialista — nem um democrata, um comunista, ou um libertário — pois se Ele respaldasse totalmente uma estrutura social ou econômica estaria afirmando que tal ideologia pode resolver os males da humanidade eternamente”, explicou.

Ele destacou algumas verdades imutáveis: “Deus não é um guru, Jesus não foi apenas um mestre moral, e a Bíblia não é um guia sobre como viver vida boas na terra. Se o Senhor e as Escrituras tivessem a intenção de nos apontar para um partido político salvador, por que Jesus precisaria morrer na cruz? Afinal, se trabalhássemos o suficiente, não conseguiríamos nos salvar simplesmente votando nos parlamentares certos e abraçando a ideologia política correta?”.

Finalizou apontando para o fato que a natureza pecaminosa do ser humano é incapaz de salvá-lo. “Não apenas o socialismo, mas qualquer outra ideologia política levada até o seu maior extremo, afundará ao afirmar ser a solução definitiva para o sofrimento humano… Um simples olhar para a história do mundo mostra que Joseph Stalin, na União Soviética, Adolf Hitler, na Alemanha, e Mao Tsé Tung, da China, são provas contundentes disso.”

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A UNASUL agoniza

Com a saída da Colômbia, a primeira tentativa de uma real integração sul-americana caminha para o fracasso. Uma chance perdida, avaliam especialistas europeus: região tem potencial para repetir modelo da UE.

Maduro comanda cúpula em 2014: Venezuela é pivô do ocaso da UNASUL

Apenas três dias após a posse, o governo Iván Duque anunciou a saída da Colômbia da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL). O argumento: a organização teria se transformado numa "cúmplice da ditadura venezuelana".

A decisão não surpreendeu. Já em abril, a Colômbia, ainda sob o governo Juan Manuel Santos, havia suspendido sua participação nas instâncias da Unasul, uma decisão acompanhada por Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Peru.

No dia anterior à sua posse como presidente de Colômbia, Iván Duque reuniu-se com os presidentes do Chile, Pinñera e Argentina, Macri, e acertaram a retirada da UNASUL

Isso, na prática, já havia deixado o organismo com apenas seis membros funcionais: Bolívia, Equador, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela. A Unasul, além disso, não tem secretário-geral há algum tempo. Desde a saída do colombiano Ernesto Samper, em janeiro de 2017, o posto está vago.

O projeto UNASUL não acaba com uma implo

são, mas com uma agonia lenta.

A UNASUL foi lançada como um projeto de integração sul-americano em 2008. Iniciada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nova associação pretendia seguir "o modelo da UE", estabelecer uma comunidade de segurança na América do Sul e promover a integração econômica.

Segundo Günther Maihold, do instituto berlinense de estudos de política externa SWP, a criação da UNASUL aconteceu numa fase "em que especialmente os Estados Unidos praticavam uma política de expansão com acordos de segurança, principalmente com a Colômbia, mas também com outros países como o Paraguai"

Não faltaram objetivos ambiciosos. O plano era ter uma moeda comum chamada "Sucre" e também uma cidadania sul-americana com os passaportes correspondentes. Para 2025, o objetivo era alcançar o grau de integração vigente na União Europeia (UE).

Em 2008, o subcontinente daria um salto no desenvolvimento econômico e social graças a novos esforços de integração, assegurou Lula em 2008. Mas esse salto nunca aconteceu.

"A UNASUL chegou ao fim, perdeu sua base política", opina Maihold. "O Brasil, atualmente, não tem ambições na área de segurança que o levem a tomar medidas de garantia para outros países, já que está concentrado em seus próprios problemas", completa o pesquisador.

Outro fator é a perda de unidade ideológica entre forças anteriormente unidas da região como Equador, Venezuela, Bolívia, Argentina e Brasil. "A UNASUL é, portanto, um elemento do passado, estreitamente vinculado à onda de governos de esquerda da região", constata Maihold.

"Este parece ser o fim da Unasul", diz também Gerhard Dilger, chefe do escritório regional da Fundação Rosa Luxemburgo em São Paulo.

Reunião da Unasul em 2012: só Maduro e Morales seguem no poder

As forças que levaram à criação da Unasul foram os governos de esquerda de Lula no Brasil, Hugo Chávez na Venezuela, Cristina Kirchner na Argentina, Rafael Corrêa no Equador e até de Michelle Bachelet, no Chile. A UNASUL contribuiu para "desativar muitas crises" e deu um impulso para "pelo menos pensar numa política de defesa comum", explica Dilger. "Mas, nos últimos anos, tudo erodiu", avalia.

Para muitos, a América do Sul teria condições de desenvolver uma comunidade multilateral baseada no modelo da UE. Os países partilham, por exemplo, a experiência de períodos históricos similares: conquista, colonização e independência. E desenvolveram uma identidade comum baseada nessas experiências históricas similares.

A região é dominada por dois idiomas: espanhol e português do Brasil. Comparado à diversidade linguística babilônica da EU, com seus 24 idiomas oficiais, esse é um aspecto relativamente cômodo. Não por acaso, a ideia de uma América do Sul unida já era amplamente difundida e surgiu na forma de uma "Pátria Grande" na luta pela independência e sua refundação pelos heróis sul-americanos da autodeterminação Simón Bolívar e José de San Martín, no século 19.

Sede da Unasul em Quito, no Equador: projeto de 46 milhões de dólares

Então qual é o problema?

"A América Latina tem uma longa tradição de um multilateralismo amplamente fracassado e se orienta de forma limitada no regionalismo. Essa orientação encontra seus limites exatamente nos momentos em que se trata de restringir a soberania nacional", afirma Maihold.

Segundo ele, as intenções de integração sempre tiveram mais um caráter de coordenação de políticas e não o de uma integração real no sentido da fusão das soberanias de diferentes atores.

Especialmente no que diz respeito à segurança, a desconfiança e o instinto prevalecem em muitos países sul-americanos para preservar a soberania nacional em qualquer circunstância. Nessas condições, destaca Maihold, somente seria concebível um "organismo com funções de emergência". Ou seja, um órgão que atue em situações humanitárias e políticas excepcionais.

Para Gerhard Dilger, há um claro vencedor da crise da Unasul: "A direita conservadora na América do Sul e, geopoliticamente, o governo dos Estados Unidos", declara. Os perdedores, segundo Dilger, são todos aqueles que trabalharam por uma América do Sul mais independente e segura.

Para Maihold, os países da região sempre consideraram a integração e a cooperação como uma tentativa de preservar e de recuperar a soberania em relação aos EUA, sobre seu grande vizinho do norte. O especialista considera justamente essa fixação com os americanos a razão para a agonia da organização.

Segundo Maihold, os países sul-americanos ainda não reconheceram seu próprio valor agregado no âmbito da cooperação regional. Enquanto essa fixação se mantiver e as nações sul-americanas não entenderem seu próprio espaço como uma região de crescimento, afirma, as tentativas de cooperação continuarão sempre superficiais. A Unasul, pode-se dizer, é o primeiro ensaio falido de uma integração sul-americana – e certamente não será a última.

Até que se inicie um novo impulso, será apenas preciso encontrar um novo inquilino para a pomposa sede da Unasul em Quito. A construção foi inaugurada em 2014 e custou 46 milhões de dólares. Mas o presidente equatoriano, Lenín Moreno, já tem uma proposta: o edifício deveria ser transformado numa universidade voltada para estudos sobre integração.