
O Brasil perdeu sete posições no ranking de corrupção medido pela organização Transparência Internacional e divulgado nesta quarta-feira (27), na Alemanha. Em 2015, o país ficou em 76º em uma lista de 168 posições. A nota obtida foi 38, em uma escala de 0 a 100 sobre a corrupção percebida no sistema público, em que a nota máxima significa país livre de corrupção. Em 2014, o Brasil figurava na 69ª colocação com 43 pontos.
O relatório credita às descobertas da Operação Lava-Jato o aprofundamento da crise econômica brasileira. De acordo com a organização, o país “foi atingido pelo escândalo da Petrobras, no qual políticos são acusados de receber propina em troca de contratos públicos. A economia foi triturada e dezenas de milhares de brasileiros já perderam seu emprego. Esses trabalhadores desempregados não são os responsáveis pelas decisões corruptas, mas são aqueles obrigados a viver com suas consequências”. “Apenas o pequeno país africano Lesoto teve um desempenho tão ruim quanto o do Brasil. No caso brasileiro, não ficamos surpresos.
Desde o escândalo do mensalão, a questão da corrupção entrou na agenda pública do país. Houve protestos sobre desvios em obras da Copa e agora o rumoroso caso da Petrobras.
O que preocupa é que no Brasil não se trata de um político fazendo algo sujo individualmente, a corrupção é crime organizado”, afirma Alejandro Salas, diretor regional de Américas da Transparência. Na América Latina, o Brasil não é exceção à tendência recente apontada pela Transparência de grandes escândalos de corrupção que fustigam políticos e provocam revolta popular. Em meio à percepção negativa da opinião pública nacional e internacional quanto à corrupção no Brasil, os analistas da Transparência Internacional ressaltam pontos positivos no momento vivido pelo país. Salas salienta que pessoas até então consideradas “intocáveis” por seu poder político ou econômico estão sob investigação e mesmo presas. “As instituições como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça estão funcionando.
Não acredito que os malfeitos tenham aumentado no Brasil nos últimos 20 anos. A diferença é que agora ficamos sabendo do que aconteceu e a população já não mostra mais tolerância a esse tipo de desvio”, afirma Salas. Apenas investigação e revolta, no entanto, não bastam para solucionar definitivamente o problema da corrupção. “Em 2015, nada mudou na agenda política porque o Congresso é um circo de políticos brigando por interesses pessoais e bloqueando a aprovação das necessárias reformas institucionais. Algo tem que mudar”, diz Salas.
A turma do Brasil A 76ª colocação do Brasil é compartilhada com outros seis países. “A turma do Brasil” é composta por Bósnia, Burquina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zambia. Melhores e piores posições O primeiro colocado desta edição, pela quarta vez consecutiva, foi a Dinamarca, que conquistou 91 pontos. Apenas com um ponto abaixo, a Finlândia assumiu o segundo lugar, caindo uma posição. O fardo da última colocação está sendo dividido entre a Coréia do Norte e a Somália, que conseguiram apenas oito pontos. Em penúltimo, o Afeganistão, que ficou estagnado de 2014 para 2015, com nota 11. Relatório No geral, dois terços dos 168 países no índice de 2015 marcou abaixo de 50, em uma escala de 0 (percebidos como altamente corrupto) a 100 (sem percepção de corrupção). De acordo com a Transparência Internacional, embora a corrupção ainda seja frequente no mundo, mais países melhoraram os resultados na edição do Índice.
A ONG aponta que em lugares como Guatemala, Sri Lanka e Gana, cidadãos ativistas em grupos ou sozinhos na luta contra a corrupção estão enviando uma forte mensagem de que deve incentivar os outros a tomar medidas decisivas em 2016. “A corrupção pode ser derrotada se trabalharmos juntos. Para acabar com o abuso de poder, corrupção e lançar luz sobre acordos secretos, os cidadãos devem juntos dizer aos seus governos que eles já tiveram o suficiente”, disse José Ugaz, presidente da Transparência Internacional.. Para Ugaz, o Índice de 2015 mostra claramente que a corrupção continua a ser um flagelo em todo o mundo. Mas 2015 foi também um ano em que as pessoas novamente tomaram as ruas para protestar contra a corrupção. “Pessoas de todo o mundo enviaram um sinal forte para quem está no poder: é hora de enfrentar a grande corrupção “, aponta Ugaz.
*Com informações do jornal O Globo.